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ACERVO DA COLUNA
06 | Apr | 2026

O Carrasco - Armadilha do Laranjinha

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ARMADILHA DO LARANJINHA

O Banco Inter resolveu inovar no quesito "relacionamento abusivo". O roteiro é manjado: a instituição seduz o usuário pelo aplicativo, oferece um limite generoso de cartão de crédito e espera o peixe morder a isca. Contudo, a lua de mel dura pouco. Assim que o cliente organiza a vida financeira, o banco aplica a "operação encolhimento". Sem aviso prévio, a tesoura passa nos limites, reduzindo o poder de compra em até quatro vezes. A tática, vista como jogada de marketing para inflar a base de usuários, é uma armadilha na prática. Confiança se constrói com estabilidade, não com algorítmos bipolares. Olho vivo!

TRIPLEX DE DÍVIDAS

Dizem que David Copperfield é o mestre da ilusão, mas ele claramente não conhece o setor de contabilidade das Americanas. Conseguir "esquecer" R$ 20 bilhões embaixo do tapete é uma performance digna de Oscar. Enquanto o cliente luta para resgatar um cupom de 5 reais no aplicativo, a diretoria provou que o verdadeiro "desconto" era no balanço patrimonial. O slogan mudou: agora é "Tudo por um triplex de dívidas". O mercado financeiro assiste atônito ao truque de mágica que transformou patrimônio em pó.

SEM PACIÊNCIA

O Carrasco já perdeu a conta de quantas vezes utilizou essa coluna para reclamar das instabilidades do aplicativo do Bradesco. Não importa se é dia de semana, sábado ou feriado: as inconsistências do sistema não têm hora para dar as caras. A única certeza que os clientes do banco possuem é a de que, em algum momento da semana, vão passar raiva com a ferramenta. Já passou da hora de os órgãos fiscalizadores, como o Banco Central, cobrarem uma explicação convincente. Afinal, inovação digital sem estabilidade é apenas propaganda enganosa.

CONTRATO EM FAMÍLIA

O prefeito de Queimadas, Ricardo Lopes (PSD), parece ter confundido o Diário Oficial com um caderninho de negócios particulares. Uma denúncia bombástica no TCM-BA aponta que o gestor nomeou uma Diretora Médico-Hospitalar em janeiro de 2025 e, menos de dois meses depois, assinou contratos de R$ 144 mil com a empresa da própria servidora. Enquanto a saúde financeira dos "amigos do rei" vai muito bem, a Câmara Municipal assiste a tudo de camarote, funcionando como mero carimbo do Executivo. Em Queimadas, o "remédio" parece ser apenas para o bolso de quem está no poder.

A CAUTELA DO EX-DOUTOR

O ex-prefeito de Serrinha, Adriano Lima, quebrou o silêncio após a visita nada matinal da Polícia Federal e da CGU. Em nota, vestiu o figurino da "cautela jurídica", alegando segredo de Justiça para não comentar o recheio do bolo. Enquanto os federais mapeiam supostas irregularidades em contratos, Adriano tenta estancar a sangria política. O Carrasco pergunta: será que a conta do "interesse público" vai fechar com a da PF ou o prejuízo para a Princesinha do Sisal será irreversível?

A CASA TÁ CAINDO

A prefeita cassada de Ipiaú, Laryssa Dias (PP), ganhou um "puxadinho" de problemas no TCM. A licitação de R$ 6,3 milhões para 50 casas populares está sob suspeita de ser mais amarrada que cadarço de bota militar. A denúncia aponta que o edital parece um roteiro encomendado, ignorando a Nova Lei de Licitações para favorecer poucos. Olho aberto, prefeita! O Tribunal não costuma perdoar quem tenta construir muros onde deveria abrir portas para a concorrência pública.

IPIRÁ SOB LUPA

O clima esquentou em Ipirá. O Ministério Público passou o pente-fino e abriu duas frentes de investigação. Na Prefeitura, o foco é a falta de transparência e o "economato" de informações públicas. Na Câmara, a mira está na frota de veículos: o MP quer saber porque carros oficiais circulam sem adesivos de identificação. Carro público descaracterizado no interior é convite para trajetos que o contribuinte não gostaria de pagar. A luz da transparência precisa ser acesa com urgência.

CERCO FECHADO

Acabou o refresco para o prefeito Tiago da Central. O MP-BA colocou a saúde de Santo Estevão sob uma lupa de queimar formiga, investigando desde a potabilidade da água nos postos até alvarás sanitários. Se a propaganda diz que está tudo bem, por que o MP precisa conferir se a água é própria para consumo? Na Educação, o cerco também fechou para monitorar se o dinheiro do futuro das crianças está chegando à sala de aula ou se perdendo pelo caminho.

OLHO EM OURIÇANGAS

O Ministério Público também instaurou inquérito civil para investigar a Prefeitura de Ouriçangas. O alvo por lá é um contrato polêmico de locação de veículos com motorista sob suspeita de "frituras" administrativas. A investigação mira o prefeito Rony do PT por possíveis atos de improbidade. O que deveria ser transporte para as secretarias virou caso de promotoria. Se a casa cair, o prejuízo vai de multas pesadas à suspensão de direitos políticos. Gestão não é passeio de carro alugado com dinheiro do povo.

INVESTIGADA E ISOLADA

Investigada e isolada: este é o retrato atual de Moema Gramacho, que comandou Lauro de Freitas por quatro mandatos. Jogada às traças pelo próprio PT — fruto de uma gestão final desastrosa —, a ex-prefeita tentou abrigo no PSOL, que lhe fechou as portas sem cerimônia. Rejeitada pela esquerda radical, sobrou o MDB, que também não parece muito entusiasmado com a nova inquilina. É o ocaso político de quem acumulou poder, mas não soube medir o tamanho dos próprios erros.

HABEMUS CHAPA

E a fumaça branca subiu pela chaminé do Palácio de Ondina, ou melhor dizendo, da Arena Fonte Nova, local escolhido pelo governador Jerônimo Rodrigues para o anúncio oficial da vice na chapa majoritária para as eleições. Geraldo Júnior foi confirmado e será mantido na dobradinha que deu certo em 2022. Depois de meses de especulação, prevaleceu o desejo do vice-governador, do senador Jaques Wagner e do MDB de seguir ao lado de Jerônimo. A turma do Avante, pelo visto, caiu do cavalo.

O PP E A GELADEIRA

A indecisão de Zé Cocá não foi um drama, mas um cálculo frio de sobrevivência. Com Zé Ronaldo focado em Feira, Cocá virou a "joia da coroa" do interior para a oposição, que abriu o cofre das promessas. João Leão já teria colocado a presidência estadual do PP na bandeja e, caso o plano de ser vice da oposição dê "chabu", uma secretaria em Salvador já estaria com o nome dele na porta. Entre o risco de ser "engolido" pela rancor de Rui Costa ou virar o dono do PP na oposição, o prefeito de Jequié não teve dificuldades para escolher o lado da mesa.

O CAMINHO É VERDE

Fabíola Mansur fez as contas e escolheu o Partido Verde (PV) para tentar retomar a titularidade de um mandato na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA). A parlamentar encerrou uma longa trajetória no PSB, saindo frustrada com a condução da legenda. No PV, ela busca o oxigênio necessário para garantir que sua votação se transforme, de fato, em uma cadeira cativa no Legislativo estadual.

TROCA-TROCA INTENSO

A movimentação da janela partidária de 2026 na Bahia atingiu uma intensidade raramente vista. Nunca se fez tanta conta para formar nominatas competitivas, o que explica o "entra e sai" frenético nas legendas de situação e oposição. O que chamou a atenção, porém, foram filiações que de ideológicas não têm absolutamente nada. No vale tudo para manter o mandato e garantir a sobrevivência política, teve gente rasgando a própria biografia sem o menor pudor. Na Bahia, a coerência parece ter sido a primeira vítima da calculadora eleitoral.

TUCANATO SOTEROPOLITANO

Antes do prazo final das filiações para candidaturas ao pleito deste ano de 2026, alguns vereadores receberam carta de liberação e partiram para o ninho tucano. Maurício Trindade deixou o Progressistas; Duda Sanches deixou o União Brasil, enquanto Anderson Ninho e Débora Santana deixaram o PDT. O PSDB passa agora a ter 9 vereadores: Carlos Muniz, atual presidente da Casa, Rodrigo Amaral, Daniel Alves, Cris Correia, Téo Sena, Maurício Trindade, Duda Sanches, Anderson Ninho, Débora Santana. Com Isabela Souza, a federação PSDB/Cidadania detém um portfólio competente e gabaritado com 10 membros. Como diz o ditado popular, “Caititu que anda fora de manada vira comida de onça”. Muniz promete ser o fiel protetor de sua turma.

SENHORA DO PRÓPRIO DESTINO

Cotada desde sempre para a vice de Jerônimo Rodrigues (PT), a deputada Ivana Bastos (PSD) recebeu um ultimato recente, mas não dobrou o joelho e se manteve para a reeleição na ALBA, onde tentará, no próximo ano, permanecer na cadeira de presidente da Casa pela segunda vez, caso a dupla Jerônimo e Geraldinho sejam reeleitos. Para Ivana, trocar o possível comando do Legislativo por uma vice-governadoria que novamente será disputada por Geraldo Júnior não foi visto como um negócio vantajoso. No xadrez do poder, ela preferiu a caneta que assina à cadeira que espera.

FALA DO PIX

Um coisa que chamou a atenção foi o "pé de ouvido" de Sidônio Palmeira no presidente Lula (PT) durante sua rápida passagem por Salvador. O marqueteiro e o ministro da Secom não fizeram cerimônia enquanto Lula discursava e, por vezes, perdia o rumo da prosa. Pelo visto, a comunicação do Planalto permanece em alerta máximo para o engajamento: logo após o evento, já havia peça publicitária na rua em defesa do PIX e da soberania. Quando o presidente derrapa, a Secom acelera.

DOMINAÇÃO? SÓ DOS EUA!

O "Bolsonaro da vez", senador Flávio Bolsonaro (PL), deixou clara sua prioridade caso chegue ao Planalto durante agenda nos Estados Unidos. Falando para uma plateia ultraconservadora, Flávio defendeu acatar diretrizes estadunidenses para frear o domínio da China na exploração de terras raras. A solução proposta? Entregar a segunda maior reserva mundial dessa riqueza, localizada no Brasil, ao controle do Tio Sam. Para o senador, se é para o Brasil ser dominado, que seja pela bandeira das listras e estrelas.

EXPERIÊNCIA É O QUE CONTA

Como previsto, Ronaldo Caiado foi anunciado pelo PSD como pré-candidato à Presidência, 37 anos após sua primeira tentativa. O "cartão de visitas" do defensor ferrenho do agro é a experiência acumulada. Caiado alfineta Flávio Bolsonaro ao dizer que não se aprende a governar sentado na cadeira, mas galanteia com o eleitorado bolsonarista ao anunciar a anistia para golpistas como primeira medida. Jogada de mestre.

O VALE-TUDO NA CPMI

O que era uma investigação técnica sobre o INSS virou cenário de guerra em Brasília. O relator Alfredo Gaspar (PL-AL) não deixou barato a acusação de estupro disparada por Lindbergh Farias (PT-RJ) e Soraya Thronicke (Podemos-MS): protocolou pedidos de suspensão de mandatos e queixas-crime no STF. A baixaria explodiu quando Gaspar pediu o indiciamento do dono do Banco Master: o contra-ataque veio com uma denúncia de crime sexual de oito anos atrás. Entre gritos de "estuprador" e "ladrão", o decoro parlamentar foi enterrado em cova rasa no Congresso. Aliás, por falar no enterro da CPI do INSS um deputado saiu chamuscado: o deputado federal Neto Carletto, que votou por razões nada ideológicas.

ENQUADRADA

Essa semana quem leva a enquadrada do Carrasco é um pré-candidato a deputado estadual que não vai para canto nenhum. Marquinhos do Leite, apesar de reconhecido como um bom empresário, já foi apelidado nesta Páscoa de “Judas Eleitoral de 2026”e começou de forma catastrófica sua tentativa na carreira política. Organizador da Unagrobahia na Chapada Diamantina, andou bisbilhotando a nominata de decente partido e operado sua sorrateira mudança de legenda de uma forma nada republicana e pouco ortodoxa. Tido como um neófito político X9, deixou o Democracia Cristã (DC) pelas portas dos fundos e receberá o tratamento devido pelos eleitores baianos. Em breve o Carrasco contará mais novidades sobre o episódio ocorrido no sábado de aleluia e sobre esse próprio cidadão, cuja marca inicial parece ser a subserviência e a frouxidão.

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