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O Carrasco
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ACERVO DA COLUNA
09 | Mar | 2026

O Carrasco: O Ato Singular

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O ATO SINGULAR I

No competitivo mercado de manipulação farmacêutica parece existir uma curiosa habilidade empresarial que desafia qualquer lógica econômica. Uma determinada empresa — conhecida nos bastidores por sua “singularidade” — tem apresentado um comportamento, no mínimo, intrigante: seus orçamentos, de forma quase sistemática, chegam ao cliente com valores praticamente o dobro dos praticados por outras farmácias de manipulação. Até aí, poderia ser apenas uma política comercial peculiar. O verdadeiro “milagre” acontece depois. Basta o cliente informar que recebeu propostas significativamente menores de concorrentes e, como num passe de mágica, o orçamento daquela empresa subitamente se ajusta e passa a equiparar os valores do mercado.

O ATO SINGULAR II

A pergunta que fica no ar é simples: se o preço pode cair tanto assim em poucos minutos, qual seria então o valor real do produto desde o início? Práticas desse tipo levantam dúvidas legítimas sobre transparência, formação de preços e respeito ao consumidor. Porque em um mercado que lida diretamente com saúde e confiança, credibilidade não deveria ser um item manipulável.

VOO DE ESPERTEZA

O imbróglio do "Kiss & Fly" no Aeroporto de Salvador ganhou contornos de novela mexicana, mas com um roteiro que desafia a lógica jurídica. Enquanto o CEO da Vinci Airports, Júlio Ribas, diz que o sistema de cobrança no meio-fio tem "anuência de todos", documentos exclusivos obtidos pelo Grupo A TARDE mostram que a realidade é um pouso forçado. O Carrasco recebeu denúncias de que a cobrança, aquela de R$ 18,00 para quem ousa se despedir por mais de 10 minutos, já estaria sendo testada ou cobrada indevidamente, o que a Vinci nega. Os documentos provam que o projeto decola sem plano de voo aprovado pelas autoridades de trânsito. Alô, Ministério Público! O radar está ligado.

CHÁ DE CADEIRA

Haja paciência! O Carrasco tem recebido uma enxurrada de queixas de usuários da 99 Pop que não aguentam mais o descaso. O roteiro é sempre o mesmo: o passageiro solicita a corrida e, se o destino ou o valor não caírem no gosto do motorista, começa a saga da espera infinita. Enquanto o usuário vê o tempo passar e o compromisso atrasar, a plataforma se limita a exibir aquela frase protocolar e cínica: "Estamos empenhados na busca". A tática é clara: se a corrida não é "lucrativa" ou o trajeto é considerado ruim, ninguém aceita, e o aplicativo entra em um looping de buscas que não leva a lugar nenhum.

DESMOTIVA METRÔ

A Motiva, antiga CCR Metrô, dobrou a aposta na má administração. Nos últimos dias, passageiros flagraram escadas rolantes quebradas nas estações Acesso Norte e Pirajá. Nenhum vestígio de manutenção ou sequer um comunicado oficial. O resultado: filas imensas nos horários de pico, tudo por culpa das escadas que não rolam para lugar nenhum. Sendo um serviço estadual, a oposição já começa para prepara uma artilharia.

MARÉ ALTA NO BOLSO

O usuário do Sistema Ferry-Boat já pode preparar o fôlego e a carteira para encarar a travessia Salvador-Itaparica. O novo reajuste de 3,61% já está em vigor, provando que a única coisa que navega em águas tranquilas por ali é o aumento da tarifa. O que irrita o cidadão não é apenas a matemática do reajuste, mas a geometria variável da qualidade do serviço. Enquanto os preços sobem, as filas continuam quilométricas, a manutenção das embarcações segue deixando a desejar e o conforto é artigo de luxo que não embarca na balsa. Pagar mais caro por um serviço que entrega o "feijão com arroz" cru é um desrespeito com quem depende do modal.

É HORA DE LEITE?

Eduardo Leite (PSD) lançou um inusitado manifesto como pré-candidato da legenda ao Palácio do Planalto. O governador do Rio Grande do Sul ainda enfrenta a concorrência dos dois governadores melhores avaliados, mas se comportou como única opção. Queimar a largada definitivamente não é uma boa estratégia — e ele provou desse veneno em 2022, quando renunciou ao executivo gaúcho e acabou vetado pelo PSDB para apoiar Simone Tebet (MDB).

PENSANDO EM 2030

O Carrasco apurou que três grandes figurões do PSDB nacional realizaram um jantar em Brasília na última terça-feira (3), do qual participaram o presidente da Câmara Municipal de Salvador e um advogado baiano com relações políticas e empresariais na Bahia e no Brasil. No menú para degustação se discutiu o leque de opções que o tucanato tem para as eleições nacionais desse ano. Apesar dessas opções, a ideia inicial do presidente da sigla, deputado Aécio Neves (MG), bem digerida pelos comensais, gira, por ora, em torno do fortalecimento das bancadas federal e estaduais visando voltar forte ao jogo das eleições majoritárias de 2030. Um alívio - apenas momentâneo - para a cúpula do Palácio do Planalto, pois a decisão final do PSDB ainda não foi tomada.

MUSCULATURA DE GENTE GRANDE

Presente no jantar tucano, o presidente da Câmara Municipal de Salvador teria cravado que não existe hipótese de qualquer composição política no seu estado que passe pela possibilidade do PSDB deixar de eleger três deputados federais e quatro deputados estaduais. Nas últimas horas o nome do vereador Paulo Magalhães Júnior (União Brasil), que se filiaria ao PSDB para integrar o já fortalecido tucanato baiano, surgiu como força. Quem conhece do traçado vem percebendo que esse projeto de eleição de três deputados federais e quatro deputados estaduais é mais que uma realidade: é uma premissa inarredável.

VAQUEIRO ESQUECEU AS CONTAS

O berrante tocou forte no Tribunal de Contas da União (TCU) e o som não foi nada agradável para o ex-prefeito de Jacobina, Tiago Dias. Os ministros decidiram que o "prefeito vaqueiro" vai ter que desembolsar uma quantia digna de prêmio de vaquejada para devolver aos cofres federais: o montante ultrapassa os R$ 2 milhões. Além do ressarcimento integral, o TCU ainda "presenteou" o tucano com uma multa de R$ 290 mil. Tiago até pode tentar recorrer, mas a sentença já impõe a obrigação imediata. Na política, como na lida com o gado, quem não cuida do rastro acaba atolado no julgamento técnico.

ARTIMANHAS

A perspicácia do prefeito de Ilhéus, Valderico Júnior, chegou às terras portuguesas. O gestor, por sinal, vem aprendendo como abandonar a cidade para viver a curtição fora do país. Dizem que governar é escolher prioridades, e Valderico parece escolher as dele com a precisão de um sommelier. Entre uma garfada e outra em pratos que custam o PIB de um bairro periférico, ele ainda encontrou tempo para seu momento "fã número 1" ao lado de Wesley Safadão. Enquanto isso, a cidade espera não ser jogada às moscas, como ocorria na época do sumido ex-prefeito Marão. Em ano eleitoral todo cuidado é pouco Valderico!

SEM AMADORISMO

O prefeito de Euclides da Cunha, Heldinho Macedo recebeu um "lembrete" formal do MP-BA que não dá para ignorar. Alem disso, a Justiça expediu uma recomendação clara: nada de contratar segurança para eventos ou vigilância patrimonial sem o carimbo da Polícia Federal. A orientação coloca o município nos trilhos da Lei, com base no novo Estatuto da Segurança Privada. Em tempos de rigor na fiscalização, a segurança não pode ser feita no amadorismo. Ou tem autorização da PF, ou o prefeito terá que se explicar.

RÉDEA CURTA

A farra das prefeituras com o dinheiro público no São João ganhou um freio de arrumação. Os órgãos de controle lançaram uma nota técnica conjunta que é um verdadeiro "manual de conduta" para os gestores. A medida atende a um pedido da própria UPB, logo, não há desculpa de falta de orientação. O aviso foi dado: prefeituras em situação de emergência ou com salários e fornecedores atrasados não devem se engraçar com contratações milionárias. Se a cidade está no vermelho, contratar estrela do sertanejo a peso de ouro não é cultura, é confissão de má gestão.

DESTINO INCERTO

A bolsa de apostas políticas em Salvador entrou em ebulição nos últimos dias com o nome do senador Ângelo Coronel. O "xeque" da vez envolve uma possível filiação ao Podemos, legenda que hoje ainda integra a base do governador Jerônimo Rodrigues (PT), mas que, ao receber o senador, deve carimbar o passaporte rumo ao grupo de ACM Neto (União Brasil). O problema não é apenas acomodar o senador, mas sim o "combo família" e seu exército. A dificuldade de Coronel não é encontrar uma legenda, mas sim um partido que tenha "teto" para suportar o peso da estrutura proporcional sem implodir as chapas já montadas. Quem aceitar o senador leva o pacote completo — e o ônus de bater de frente com a Governadoria. Essa parte final, convenhamos, é o de menos importância já que Coronel tem muitos serviços prestados aos prefeitos e ao municipalismo baiano.

A NOVELA DO COCÁ

Zé Cocá (PP), o "Ferrugem" de Jequié, continua rendendo uma boa novela. Após deixar o PSB "chupando dedo" e permanecer no PP, o político agora acerta os últimos ajustes antes de tomar a decisão de sua vida: renunciar ao mandato para ser vice de ACM Neto (União Brasil) nas eleições de outubro. A expectativa é de que a composição fortaleça a campanha de oposição, uma vez que o prefeito possui forte influência nos municípios da região. Nos bastidores da oposição o martelo está batido: aceita Zé Cocá se ele for o candidato, mas nada de topar que ele indique o concorrente ao posto, já que o PSDB tem algumas opções para o caso do prefeito declinar da candidatura.

OS INDECISOS DO MOMENTO

Alguns partidos ainda estão com um pé no governo e outro na oposição, aguardando gestos das duas partes até a formalização das alianças. Podemos, Solidariedade, PRD, Agir, O Democrata e PRTB estão entre as legendas que caminham no campo da indecisão, podendo apertar a mão de Jerônimo Rodrigues (PT) ou ACM Neto (União Brasil) na campanha eleitoral. Ainda há a possibilidade do "jogo duplo": apoiar um formalmente, mas liberar seus quadros para outra posição. Esse cenário é o que tem rondado mais a base governista de Jerônimo Rodrigues.

NÃO É DE AGORA

Não é de hoje que Rui Costa (PT) anda com os pés atrás em relação a Geraldo Júnior (MDB) com o propósito de fortalecer o AVANTE. Todos sabem que o petista tratou, lá em 2022, de cortar as asinhas do empolgado vice, que se comportava mais como um pré-candidato a prefeito — ensaio para sua candidatura de dois anos depois. A verdade é que Geraldo entregou um presente nas mãos de Rui com o seu deslize digital. Mas diante da fidelidade dos irmãos Vieira Lima, o Carrasco ainda tem dúvida se o atual vice-governador vai ser excluído da chapa.

SE ME CHAMAR, EU NÃO VOU

No xadrez governista para 2026, Ronaldo Carletto (Avante) deveria provar que não é apenas um reserva de luxo, mas uma peça que joga em todas as posições. O cacique, que sempre mirou a suplência de Rui Costa (PT) no Senado, de olho em uma eventual cadeira de ministro para o "Correria", agora sinalizou que não aceita o "sacrifício" de ser o vice na chapa de Jerônimo Rodrigues. Na atual relação não muito amistosa entre o senador Jaques Wagner e Rui Costa, a recusa de Carletto foi vista como uma jogada de quem não bota muita fé na reeleição de Jero. Quem conhece Ronaldo sabe que ele acredita muito mais na eleição de Rui para o Senado do que na vitória de Jerônimo para governador. Esse último não teria gostado muito do “não” dito pelo presidente do Avante.

PSD DE OLHO NA VICE

Com a recusa de Ronaldo Carletto, pessedistas foram sondados e disseram, segundo fontes, topar a vice de Jerônimo. Alex da Piatã, Augusto Castro e Claudia Oliveira, segundo apurou o Carrasco, estariam dispostos a concorrer lado a lado com Jero. Alex traz a força de uma grande votação pulverizava em todo o estado. Claudia, além do tom feminino à chapa, melhora a performance do governo numa região onde o bolsonarista Jânio Natal vem dando as cartas com maestria. Claudia seria, para figurões que conhecem a política do Extremo Sul da Bahia, uma poderosa arma numa região onde o PT não caminha bem. Seu marido, Robério Oliveira (PSD) tem a prefeitura de Eunapolis para ser um freio nos planos de Jânio. Já o atual prefeito de Itabuna, Augusto Castro (PSD) tem preparo político, altíssimos índices de aprovação no quarto colégio eleitoral do estado e um vice que poderia, em sua ausência, continuar desempenhando uma grande gestão na capital do cacau. Augusto teria o aval de importantes e grandes empresários da Bahia, além de um discurso afiado que pode dar uma sacudida no marasmo no projeto de reeleição de Jerônimo. Com a força de Otto Alencar e a estranha desistência de Ronaldo Carletto, é possível que um desses três figurões do PSD seja a integrante da chapa governista.

ESPERANDO NA JANELA

A abertura da janela partidária deve acelerar o movimento de peças no tabuleiro eleitoral. Na federação PSOL/REDE, o ministro Guilherme Boulos trabalha para levar o PSOL para a composição encabeçada pelo PT. A REDE resiste e flerta com o PDT e até com o PSB, do vice-presidente Geraldo Alckmin. Estão todos com Lula, mas também focados em fortalecer suas bancadas e ganhar musculatura na construção de um eventual próximo mandato. O plano de federação do PSOL com o PT entrou água nesse último final de semana.

MOEDOR TÁ ON

As mensagens do celular pessoal do banqueiro Daniel Vorcaro revelaram estratégias dignas de máfia, incluindo planos de espancamento de um jornalista e até a intenção de “moer” uma funcionária. Apesar de estarrecedores, os vazamentos são apenas uma pequena amostra do que os demais aparelhos ainda não periciados do banqueiro podem conter. Algumas conversas, no mínimo suspeitas, envolvem autoridades da República, incluindo ministros de estados e do STF. Quem conseguirá passar ileso pelo moedor de Vorcaro?

RETRATAÇÃO ECOEXTREMISTA

Depois de semanas de alarde ambiental nas redes, o ativista soteropolitano Alexander Gomes resolveu fazer algo raro no ecossistema digital: admitir que errou. Em vídeo, reconheceu que havia divulgado informações ambientais equivocadas e pediu desculpas. A fauna do debate público estranhou. Retratação, afinal, é espécie em extinção no bioma das redes sociais — especialmente quando o assunto envolve militância barulhenta e certezas supostamente absolutas.

OAB CONTRA O SENSACIONALISMO ECOXIITA

O episódio ocorre logo após a Ordem dos Advogados do Brasil promover desagravo em desfavor de uma promotora, de Japanters e outros militantes mais afeitos ao grito do que aos dados técnicos. O recado institucional foi simples: debate é legítimo; linchamento moral, não. No fim, a sequência virou quase pedagógica: primeiro o barulho e depois os fatos. E agora o pedido de desculpas bem recebido. Resta saber se a moda pega — ou se continuará sendo apenas um raro momento de sustentabilidade da verdade.

QUINTAL DE QUEM?

Deputados americanos lançaram suspeitas sobre empreendimentos chineses na Bahia que poderiam estar acobertando intenções de uso militar. Chama a atenção o nome do relatório, que cita a América Latina como o “quintal dos fundos” dos Estados Unidos. Nem dos EUA, nem da China, nem de ninguém: a melhor alternativa seria investir em tecnologia própria, ao invés de ter que escolher entre a tutela de um ou de outro. A isso se convencionou chamar de soberania.

ENQUADRADA

A enquadrada da semana quem leva é a prefeita Kitty Guimarães, do AVANTE. No pacato município de Taperoá, no Baixo Sul, a prefeita decidiu trocar a brisa litorânea por um clima de guerra nas trincheiras da Câmara, quando enviou um projeto de lei para atualizar o Estatuto do Magistério que é, no mínimo, explosivo e mais parece um apartheid da educação. A estratégia da gestão é o clássico "dividir para conquistar": quer reestruturar a carreira criando um muro invisível, onde as mudanças valem apenas para os novatos. Kitty subestimou o espírito de corpo dos educadores; os professores antigos abraçaram a causa dos novos. Tentar fatiar o magistério é receita certa para greve e desgaste político.

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