Renovando as energias

Publicado sexta-feira, 14 de janeiro de 2022 às 06:01 h | Atualizado em 13/01/2022, 21:31 | Autor: Luiz Carlos Lima* | [email protected]

Início de ano é sempre um momento de renovação da energia que nos impulsiona para a vida. Para além do aspecto astrofísico, a vertente biológica desses ciclos é importante fator a se observar. O primeiro cientista a relatar a existência de autênticos relógios biológicos foi o astrônomo francês Jean-Jacques De Mairan, em 1729. A partir de suas observações nasceu a cronobiologia, área das ciências médicas e biológicas reconhecida oficialmente em 1960. A maioria dos ciclos humanos se dá num período de 25,2 horas – daí a expressão “ritmo circadiano”, ou seja, cerca de um dia.

Os ciclos biológicos anuais, são mais longos e assim mais profundos. Inspiram reflexões, realinhamento nos propósitos nas expectativas para a vida. É momento da energia do “eu” observar para onde está indo a energia do “universo” no entorno e buscar realinhamentos para navegar os 12 meses que virão. Não é por menos que muitos procuram saber sobre os prognósticos, sejam de astrólogos ou dos (baba-iyá)lorixás.

Em especial, o ano de 2022, segundo a astrologia vai ser regido pelo planeta Mercúrio (fluidez até no metal) e pelas energias de Oxumaré, orixá híbrido que traz mudanças, cuja característica principal é o poder de renovação.

Os sinais desse começo renovado são muito interessantes. A combinação do fenômeno “La Niña” (resfriamento do Pacífico Equatorial) com um Atlântico Tropical mais quente do que o normal,  provocou as chuvas que não  víamos desde 1967 no verão da Bahia. As chuvas acima do normal atingiram também os estados do Norte e Sudeste, revertendo as condições de escassez hídrica responsável pelo significativo aumento dos preços de energia em 2021.

Além das perspectivas de redução dos preços de eletricidade trazidos pelas chuvas, finalmente, após 2 anos de intensas discussões entre as distribuidoras de energia e os defensores da flexibilização e abertura do mercado de venda de eletricidade no Brasil, foi afinal sancionada a LEI 14.300 publicada no último dia 07 de janeiro/22 no Diário Oficial da União. A “Lei da Geração Distribuída”, como está sendo chamada, torna legal e indiscutível o direito dos consumidores de terem suas necessidades energéticas atendidas por uma geração própria ou alugada de terceiros. 

O avanço da tecnologia solar  fotovoltaica, acelera ainda mais essa perspectiva. Segundo dados da ABSOLAR, o Brasil atingiu a marca de 13 Gigawatts de potência instalada com painéis fotovoltaicos (quase uma usina de Itaipu que tem 14 Gigawatts). De 31/12/20 a 31/12/21 houve um crescimento de 64% no uso dessa fonte de energia, gerando mais de 300 mil empregos e retirando da atmosfera quase 15 milhões de toneladas de CO2.

A Lei da Geração Distribuída traz mais segurança jurídica ao setor e estimula os investimentos. É um dos setores da economia com forte tendência de crescimento este ano, trazendo benefícios ao meio ambiente, ao bolso e ao mercado de trabalho. Apesar dos céus cinzentos deste início de ano, o sol tende a dominar o mercado de energia junto às outras fontes renováveis, reduzindo os custos de energia no médio prazo.

Após 12 meses da promulgação da Lei 14.300, os novos projetos de energia distribuída passarão a pagar o uso do fio da rede de distribuição e os encargos associados. Ou seja, quem desejar manter as condições vigentes de compensar 1kWh por 1kWh, terá que correr para apresentar seu projeto até 6 de janeiro de 2023. Os direitos adquiridos serão assegurados até 31/12/2045, conforme a nova Lei. 

O ano de 2022 é, portanto, tempo de se mexer, pois como diz a música: “camarão que dorme, a onda leva!” Seja na crença de Mercúrio ou na reverência a Oxumaré, estamos num ano de eleições polarizadas e economia precisando crescer. Não estamos num ano de acomodação, muito pelo contrário, se está em dúvida entre esperar ou fazer, Faça!

*Luiz Carlos Lima é engenheiro eletricista, especialista em Gestão e Comercialização de Energia Elétrica

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