Acolhimento é o segredo para encarar o barulho dos fogos

Publicado domingo, 20 de junho de 2021 às 19:20 h | Atualizado em 21/06/2021, 09:25 | Autor: Hilcélia Falcão

Pavor. Esta é a sensação que melhor define o impacto do barulho de fogos de artifício em alguns cães. Com capacidade auditiva até três vezes maior que a dos humanos, eles sofrem um desconforto que pode beirar a dor. No período de São João e Réveillon, a situação fica ainda pior e os tutores se desdobram para evitar o estresse animal. No mercado pet, há desde dogphones – fones de ouvido para abafar o ruído – a terapias integrativas que acalmam o bichinho.

A empresária Caroline Nascimento, 29 anos, conhece de perto o quanto o barulho perturba os doguinhos. Ela é tutora de Zeus, um pitbull de 4 anos que corre quando ouve a barulheira. “Se estiver sozinho, ele derruba as coisas, corre em nossa direção”, conta Caroline, que consegue acalmá-lo com a própria presença. No caso dela, o segredo para evitar o estresse do bichinho é nunca deixá-lo só nestas épocas.

“Alguns têm pavor do barulho. O melhor é acolher e deixá-los em um local onde haja menos barulho”, orienta a veterinária Ana Luiza Dias Ângelo, coordenadora do curso de medicina veterinária da Unijorge. Mas se o animal tem reações mais complicadas, o melhor é recorrer à orientação médica. Há casos em que é necessário prescrever um calmante. Atualmente, existem ferramentas terapêuticas que auxiliam a reduzir dor e estresse do animal em diversas situações.

Acupuntura, cromoterapia, musicoterapia e até aromaterapia formam um conjunto de recursos médicos para acalmar o estresse animal. Não são específicas para aqueles que têm problemas mais sérios por conta do barulho dos fogos. Mas servem para acalmar o animal. “A acupuntura libera um analgésico natural e substâncias que reduzem o estresse do animal”, explica a médica veterinária Viviane Abreu, que há quatro anos atua na aplicação de terapias integrativas. Neste caso, o indicado seria fazer a sessão de relaxamento antes dos festejos juninos, por exemplo. Na Ama Pet, clínica localizada na Federação, onde ela atua, os bichinhos passam por sessões completas de todas as terapias. Nas primeiras horas, tem um efeito positivo que perdura por sete a dez dias. As sessões custam entre R$ 130 e R$ 200, a depender da necessidade do animal.

Para além dos recursos médicos, no entanto, o melhor mesmo, se possível , é manter o bichinho o mais distante possível do barulho. Se isto não é possível, o recomendado é colocá-lo em um ambiente em que ele se sinta seguro. Ter uma caminha e até mesmo uma toca onde ele possa se esconder é uma alternativa para evitar transtornos maiores.

DR. PET [TIRA DÚVIDAS]

Cuidado é a melhor forma de proteger o animal do excesso de ruídos

Por que os cães têm tanto pavor do barulho dos fogos de artifício?

Os cães utilizam a audição para se localizar e têm uma capacidade auditiva de duas a três vezes maior que a dos seres humanos. O desconforto causado pelo barulho pode beirar a dor.

O que os ruídos provocam na percepção do animal?

Barulhos altos são sinal de alerta para eles, dão sensação de perigo, de medo, de que algo muito ruim vai acontecer. Alguns não reagem tanto, mas outros sentem verdadeiro pavor.

O que devo fazer para proteger meu animal de estimação dos barulhos de fogos no São João?

O ideal é mantê-los distantes do barulho, mas, se houver queima de fogos perto de casa, o recomendado é oferecer um ambiente seguro, em que ele se sinta acolhido. Mantê-lo em um espaço fechado sem acesso a janelas, pois eles costumam pular.

O que devo fazer se notar que meu animal tem um medo maior dos fogos?

O indicado é buscar ajuda médica, para que o veterinário prescreva um tratamento.

Técnica milenar trata dor  e casos graves de estresse

Já imaginou tratar o seu bichinho com acupuntura, aromaterapia, cromoterapia e até reiki? Isto é possível e pode ser um instrumento para aliviá-lo não apenas do estresse gerado pelos fogos de artifício no São João.  Terapias integrativas, é esta a denominação, são capazes de livrar os bichinhos de dores de coluna e até sangramentos nasais. No caso dos que têm pavor de barulho, o primeiro passo será entender o porquê de tanto medo. “Precisamos identificar os fatos que influenciam, entender o porquê”, explica a médica veterinária Viviane Abreu, especialista na técnica. 

O schnauzer  Thor, de 14 anos, não tem medo de fogos mas recorreu à técnica para uma crise de coluna. “Ele chorava de dor, mas depois das sessões de acupuntura, ele evoluiu bem”, explica a engenheira civil Ana Paula Dantas, tutora de Thor. Ele voltou a andar após o tratamento.

No caso do medo de fogos de artifício, a terapia pode ser uma alternativa para casos extremos. É que, apesar das razões biológicas – a elevada capacidade auditiva –, há casos em que o medo extrapola e atinge o físico. “Já atendi um labrador que, por medo de fogos, tentou cavar o chão de cimento até sangrar”, conta a médica veterinária Ana Luiza Dias Ângelo, coordenadora do curso de medicina veterinária da Unijorge. Nos casos mais simples, o melhor mesmo é manter o animal longe do barulho e oferecer afeto e segurança.

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