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Por HIlcélia Falcão

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Publicado | Autor:

Crise financeira é um dos gatilhos para o abandono animal

Pesquisa mostra que falta de recursos é vista como principal causa do descarte de animais no Nordeste

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Viviane adotou Bartô de um casal em dificuldade
Viviane adotou Bartô de um casal em dificuldade -

A história do cãozinho Bartô, hoje com 12 anos, não é muito diferente de tantos outros que acabam nas ruas por limitações financeiras de suas familias humanas.

Resultado de um projeto frustrado de canil de fundo de quintal, ele foi adotado a partir de uma troca inusitada: para receber o bichinho, a adotante deveria pagar medicações do esposo da então tutora, um paciente renal.

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Assim foi feito e, desde então, o schnauzer Bartô vive com a médica veterinária Viviane Abreu.

“Eles tinham dois cães que reproduziram e esperavam conseguir vender os filhotes para ajudar no tratamento do paciente renal”, conta Viviane.

Só que, no meio do caminho, a situação mudou, Bartô passou a exigir mais deles e eles decidiram se desfazer do animal pois já tinham outros três adultos, além de mais filhotes.

“Fomos até a farmácia, eles me disseram quais eram os remédios, eu passei no cartão e fui buscar o cachorrinho com eles”, detalha Viviane.

O cão, que tinha 5 meses, chegou com carrapato, pulga, muitas parasitoses, e exigiu dedicação e cuidado extra.

Médica veterinária Viviane Abreu e Bartô
Médica veterinária Viviane Abreu e Bartô | Foto: Arquivo Pessoal | Divulgação

Certamente, a vida dele não seria a mesma sem a adoção. Não é possível prever se ele teria sido vítima de abandono, mas certamente poderia ter tido um destino menos feliz.

Sem dinheiro

A situação ilustra um cenário comum no País mostrado pelo estudo "Percepções e Hábitos sobre Adoção", realizado por GoldeN, líder em alimentos premium especial para cães e gatos, e Opinion Box.

A pesquisa aponta que o maior gatilho para o abandono no Nordeste é a dificuldade financeira. Os dados levantados a partir de entrevistas com 1080 pessoas indicam que, para 55% dos entrevistados na região, questões econômicas são o principal motivo que os levariam a devolver um animal.

“A aquisição de um pet sem o devido planejamento e conhecimento dos possíveis custos contribui para o aumento dos casos de abandono quando outras situações na vida dos responsáveis os obrigam a realizar ajustes nas contas”, explica o médico veterinário Marcus Vinícius Fróes Barbosa, da Comissão Estadual de Estabelecimentos e Clínicas Veterinarias (CEECVET).

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Ele destaca ainda que a percepção de valor e responsabilidade por parte de alguns responsáveis pode ser um fator de maior abandono. “Os fatores econômicos são o gatilho mas não definem o abandono”, resume.

Médico veterinário Marcus Vinícius Fróes Barbosa
Médico veterinário Marcus Vinícius Fróes Barbosa | Foto: Arquivo Pessoal | Divulgação

Mercadoria

Ver o bicho como mercadoria é o que complica todo o processo.

“Todo cãozinho um dia foi adotado ou comprado, mas infelizmente no Brasil e na maioria dos países em desenvolvimento essa educação de que ter um animal doméstico é ter um outro membro na família é inexistente”, opina a protetora animal Darlene Araújo Fernandez Vital, proprietária do lar temporário Caninos e presidente da ONG Instituto Caninos.

Lá, ela mantém quase 300 animais e um instituto com 164 cães, que é sustentado pela hospedagem dos animais do lar temporário e por doações.

O número de cães em abrigos é o retrato do abandono no Brasil, país que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), tem mais de 30 milhões de animais em situação de abandono.

Sobra para ONGs, que se viram como podem para manter o trabalho de proteção sem apoio público, o papel de acolher e encaminhar animais em situação de rua para adoção responsável.

O aumento do abandono tem relação com muitos fatores, mas a falta de conscientização sobre a responsabilidade de acolher um animal só agrava o cenário.

“Os pais compram cães caríssimos para seus filhos de 5 anos como se fossem brinquedos e, quando o cãozinho cresce e com ele crescem as responsabilidades de higiene e gastos com veterinários, a paixão vai embora e às vezes apelam pra OLX, postagens em internet com desculpas de alergia ou viagem ou o mais comum, doam seus cães sem castrar a qualquer pessoa”, afirma Darlene.

No final das contas, parte da sociedade consciente do problema como questão de saúde pública, assume o ônus da falta de ações públicas consistentes na área.

DR. PET

Busca por serviços a preços mais acessíveis e medidas preventivas ajudam a reduzir custos

Quais são os principais custos que costumam levar tutores a abrir mão dos animais — alimentação, atendimento veterinário, medicamentos ou outros gastos — e que alternativas poderiam ajudar a reduzir esse cenário?

"É difícil definir qual dos custos seria o fator principal, pois eles podem ser bem diferentes de uma situação para outra. Tamanho e peso do pet, idade, qualidade dos itens adquiridos para fornecimento ao pet, a exemplo da alimentação, utensílios, local de atendimento veterinário…. Existem serviços e produtos que variam muito de preço, alguns até mesmo sendo gratuitos em algumas cidades. A busca de produtos e serviços mais ajustados ao orçamento familiar, assim como realizar ações de caráter mais preventivo (consultas de orientação, vacinação adequada, alimentação de melhor qualidade, realização de atividade física rotineira e interação social do pet podem ajudar muito na redução dos custos".

Que orientações o Conselho Regional de Medicina Veterinária da Bahia (CRMV-BA) dá à população para evitar o abandono em momentos de crise financeira?

"Os responsáveis por um pet devem buscar informações junto aos serviços de atendimento veterinário público, como os hospitais escolas das faculdades de medicina veterinária que normalmente possuem preços mais acessíveis. Isso pode ajudar muito a reduzir os custos com os cuidados a saúde dos pets e com isso reduzir o número de pets abandonados".

Fonte: Marcus Vinícius Fróes Barbosa, interante da Comissão Estadual de Estabelecimentos e Clínicas Veterinárias (CEECVET)

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