Especialistas recomendam socialização para prevenir agressividade

Manejo adequado evita conflito entre os cães

Publicado domingo, 17 de julho de 2022 às 09:43 h | Atualizado em 17/07/2022, 16:26 | Autor: HIlcélia Falcão

Você tem cães brigões que já se estranharam até sangrar? Se a sua resposta é sim, você precisa da ajuda de um especialista em comportamento animal. Afinal, quando alguém se depara com seus filhos de quatro patas em conflito direto, fica difícil não entrar em desespero. Foi o que ocorreu com a professora Cinara Mosquera ao presenciar o ataque da pastor Frida, 4 anos, e a SRD idosinha Laika, de 12, numa disputa pelo carinho da tutora.

“Sempre que a gente chegava da rua a pastor avançava na SRD, evitando que a gente desse atenção a ela; sempre que Laika escapava para a rua, Frida, que não sai de casa, brigava e mordia Laika”, conta Cinara, que não imaginou que o conflito piorasse tanto. A pastor  até já tinha agarrado  o pescoço da SRD  algumas semanas antes, mas a professora  e o marido tinham conseguido apartar. Acontece que, no último dia 27, quando Cinara chegou em casa junto com a filha, o ataque começou. “Tentamos de tudo, água, gritos, até batemos com um cabo de vassoura, mas ela não largou”, conta, ainda  sob  efeito do susto. Felizmente, Laika, sobreviveu, após ter ficado internada para tratar os ferimentos.

“Vejo nesse caso um gatilho que é a presença dos tutores,  que os humanos interpretam como ciúmes, mas na verdade, é a disputa por controle de recursos, que são os próprios tutores”, explica o médico veterinário comportamentalista e psicólogo de humanos Zenildo Prazeres dos Santos. Segundo ele, como os cães são gregários, valorizam a socialização. Neste caso, o recurso para alcançar esse contato social são os tutores. “O que a Frida faz é querer controlar o recurso da atenção dos seus tutores, o afago”, diz.

Mas como o tutor deve agir? O que ele tem a fazer é não reforçar esse comportamento, não gritar e nem brigar com nenhuma das duas. Se já chegou ao ponto máximo do confronto, o  recomendado é que faça o afago em Laika sem a presença de Frida. É que, o gatilho é agravado pela intervenção humana.  A recomendação é buscar um profissional especializado em comportamento animal que aplique recursos positivos necessários ao condicionamento dos cães e restabeleça a harmonia.

Outros casos

Componente natural da espécie, a agressividade tem origens diversas, desde a predatória até a sexual, passando pela lúdica, por dor ou medo, entre outras. Segundo o veterinário comportamentalista Rafael Conceição Ramos,  as causas mais comuns são as disputas por recursos, como brinquedos, carinho do tutor ou alimento. Além disto, cães que não foram socializados tem mais chances de desenvolver essa agressividade. “Todos os cães precisam ser bem socializados mas há raças que precisam de uma atenção maior pela seu poder mordedura e pela sua seleção genética”,  explica Ramos, referindo-se a raças que foram criadas para caça ou rinhas, por exemplo.

Um tutor que perceba que seu pets tem problema de convivência deve recorrer à ajuda profissional. Foi o que fez um cliente de Zenildo Prazeres que desde cedo investe no manejo adequado dos seus 10 dogues alemães e tem evitado, com uma rotina de passeios e socialização, conflitos maiores.

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Que tipo de situação torna a convivência entre pets de uma mesma espécie difícil e pode trazer risco de desavenças?

Quando falamos de agressividade devemos entender que esse comportamento do animal tem diversas origens, portanto, quando surgem sinais de agressividade ou agressão entre dois  animais da mesma espécie, temos que estudar os aspectos filogenéticos que se modificam drasticamente de uma espécie para outra. Também é importante identificar a causa.

Se o tutor perceber sinais de animosidades, como evitar que os bichinhos cheguem ao extremo?

Deve separar do recinto físico, porém não visual, contudo, essa separação deve ser mantida até os ânimos acalmarem,  lembrando que a separação por longos períodos irá comprometer o processo. Caso exista a luta propriamente dita, esse tutor deve procurar ajuda de um profissional.

Em caso de confronto, como agir para separá-los no momento da briga? Jogar água ou gritar com os animais resolve?

 É um momento muito perigoso para os animais e para quem vai separar. Nunca meta a mão na boca do animal e tente pedir ajuda. Caso não tenha nenhum apoio, tente imobilizar o mais forte através de um laço no pescoço ou usando os recursos do ambiente como jogar os dois em uma piscina. Travar o mais forte é um caminho mas exige perícia. Porém, é bom lembrar que é perigoso separar uma briga de cães de grande porte.

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