Anatomia da violência investiga feminicídio
Confira a coluna Tempo Presente
Casos extremos de execução de mulheres vêm sendo banalizados em São Paulo, onde o governador Tarcísio de Freitas autorizou o pagamento de uma pensão de mais de 20 mil reais a um coronel feminicida e uma soldada executou friamente uma cidadã desarmada.
Os absurdos, entre muitos outros reiteradamente incentivados na narrativa da autoridade extremista, ampliam a importância de acesso ao livro Anatomia da Violência, do advogado Renan Alcântara, disponível para pedidos pela internet.
Para o autor, mestre em Políticas Sociais e Cidadania, aumentar a pena para casos de violência contra a mulher terá como efeito tão somente o aumento da população carcerária e nada mais.
Monitor da Clínica de Apoio contra a Violência, uma boa pergunta em busca de respostas trata do que podemos mudar na educação dos homens, com medidas a médio e longo prazos.
- Com crianças e adolescentes, o trabalho na educação escolar deve ser relacionado ao tratamento do homem para com a mulher e também de combater o machismo contribuindo na formação de um cidadão melhor”, afirma Renan Alcântara.
Já na fase adulta, acrescenta o autor, a busca é por métodos mais efetivos de socialização, a partir da prioridade para investigar a masculinidade tóxica e suas diversas manifestações.
No País, foram registrados 1.492 feminicídios e 3.870 tentativas de feminicídios em 2024, segundo o último Anuário Brasileiro de Segurança Pública (2025). Ainda de acordo com o relatório, registraram-se 87.545 casos de estupros, o maior número da história. Outro dado preocupante: 65% das ocorrências de violência contra a mulher acontecem em ambiente familiar.
ABRE ASPAS
“É preciso que a gente dê um passo além, no Congresso, tratando as mesmas regras do cigarro, proibindo a publicidade e reduzindo acesso [às bets], porque é um grave problema de saúde pública”
Alexandre Padilha,ministro da Saúde, reiterando riscos à saúde associados ao vício em apostas online
Salvador contra o HTLV
O Multicentro Liberdade, unidade da Secretaria Municipal da Saúde de Salvador, integra pesquisa liderada pela Fiocruz-Bahia para investigar se o Dolutegravir — medicamento usado no tratamento do HIV — pode reduzir a transmissão do HTLV de mães para filhos durante a gestação, parto ou amamentação. O vírus pode causar doenças neurológicas graves e leucemia, mas frequentemente não apresenta sintomas, dificultando o diagnóstico. Resultados positivos podem gerar novas diretrizes para lidar com a doença no SUS. A pesquisa conta com parceria da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab).
Hub classifica mais 25 afro-empreendedoras
A articulação e convergência de ações para enfrentamento do racismo estrutural avançaram para uma nova etapa anunciada pelos gestores do Hub Pontos Diversos, com a classificação de mais 25 afro-empreendedoras.
A lista das contempladas saiu após dois meses de intensivas aulas virtuais, oficinas e conhecimento compartilhado, no sentido de incentivar ideias e práticas de transformação, criatividade e impacto social.
Agora chegou a fase chamada de incubação na qual ampliam-se as atividades de mentoria e desenvolvimento dos negócios, visando novas qualificações para mulheres – cis e trans – negras de Salvador e Feira de Santana.
Após a Incubação, os 25 negócios passam por nova etapa seletiva, quando oito empreendimentos serão contemplados com capital inicial de R$ 7.500, chamado “semente”, já na fase da aceleração.
- Uma jornada intensa de muito crescimento, estruturação e inovação”, ressalta Renata Martorelli, sócia-fundadora e diretora executiva da Pontos Diversos, organização idealizadora do Hub.
- A próxima fase é um momento fundamental, pois compreende um conjunto de atividades focadas em estimular a maturidade e crescimento, auxiliando os negócios nos primeiros passos para a conquista de mercado, desenvolvimento da equipe e gestão estratégica do empreendimento”, complementa Carolina Barreto, cientista social e sócia-fundadora da Pontos Diversos.
O projeto realizado pela Pontos Diversos tem a parceria da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), com recursos do Fundo do Trabalho (Funtrad).
Ao completar os primeiros 10 anos, o Pontos Diversos reafirma o objetivo de apoiar, não apenas o afroempreendedorismo, também o feminismo afroindígena, sustentabilidade socioambiental e economia solidária.
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