TEMPO PRESENTE
Dilma até brincou, mas muito mais se queixou


Na visita a Salvador nesta terça-feira, 26, Dilma estava descontraída. Sentiu-se em casa, ao lado de Rui Costa, recebeu afagos das mulheres e sorridente agradeceu. Mas voltou a dizer-se vítima de uma injustiça e que Michel Temer (sem citá-lo) quer sentar na cadeira dela sem voto. No atacado, se não foi um clima de despedida, também não foi de esperança de manter-se no poder.
Foi algo tipo, da parte dos baianos, 'aqui você será sempre bem-vinda'. E nesse ponto Rui Costa esbanja a dignidade tipo leal até o fim, dê no que der, algo raro em política.

Dilma Rousseff é beijada pelo governador Rui Costa (Foto: Lúcio Távora | Ag. A TARDE)
Situação difícil — Afonso Florence (PT), o líder do governo na Câmara, admitiu que a situação de Dilma 'é muito difícil'. Mas também prevê dificuldades para Temer. Impopular, o vice, uma vez na presidência, terá que tomar medidas impopulares. Tem a vantagem de já ter sido presidente da Câmara, mas Florence acha pouco, 'pela falta de legitimidade'.
Amigo do Leão — No seu discurso, Rui Costa fez uma analogia entre o vice dele, João Leão, e o de Dilma:
- Esse não é amigo da onça!
Claro. Leão e onça não se bicam.
Os esquecidos — Na solenidade de ontem, Dilma agradeceu aos deputados baianos que votaram 'não' no impeachment. Ou melhor, tentou. Citou os presentes, mas esqueceu alguns, pediu ajuda a Afonso Florence (PT), líder do governo na Câmara, que por sua vez também esqueceu.
Os esquecidos: Zé Rocha (PR) e Luiz Caetano (PT). Quando já tinha acabado, Florence interveio: 'Peraí, peraí, peraí...'.
Aí saiu o nome do último esquecido: Félix Mendonça Júnior, do PDT. Em compensação, saudou Cacá Leão e Negromonte Jr, amigos do PP, que se abstiveram de votar.
"Quem me julga é corrupto. Esta pessoa que preside a Câmara dos Deputados todo mundo sabe que tem contas no exterior"
Dilma, ontem em Salvador, atacando Eduardo Cunha.
Questão de ouvir
Leovigildo Souza, presidente do Sindicato da Construção de Itabuna, que junto com Mário Pithon foi expulso da diretoria da Fieb, diz que o motivo do racha foi o presidente Ricardo Alban:
- Ele não nos ouvia mais. Aí, ficou difícil.
Epigrama do senador
Eleito por aclamação para presidir a Comissão do Impeachment no Senado, Raimundo Lira (PMDB-PB ) fingiu surpresa e, imediatamente, tirou do bolso o discurso de posse. Antonio Lins tascou o epigrama:
Eu quero ser bem preciso,
O Senado que me perdoe:
A eleição foi de improviso,
Mas o discurso não foi.
D.O. digital
Nessa de conter despesas, Marcelo Nilo (PSC), presidente da Assembleia, suspendeu desde o início do mês a publicação impressa do Diário Oficial do Poder Legislativo, que agora só existe na versão digital.
Ele diz que os dividendos são visíveis:
- Vamos poupar em torno de R$ 500 mil.
Mais Médicos
O deputado Jorge Solla (PT) viajou ontem para Brasília sozinho no avião com Dilma e a ministra Miriam Belchior.
Conversou com Dilma sobre a necessidade de resolver o caso dos médicos intercambistas contratados pelo Mais Médicos em 2013 na primeira fase do programa. Os contratos de três anos vencem no segundo semestre. Para renovar, eles precisariam fazer o Revalida. Não fizeram.
No Brasil, 1.458 médicos estão nesta situação, sendo que para 379 o contrato vence este ano. Em Salvador são 13. Vai ter que correr contra o tempo (leia-se Temer).
POUCAS & BOAS
* Moradores da Rua Luiz Tarquínio, em Lauro de Freitas, se dizem angustiados com o prefeito Márcio Paiva (PP). Um monte de lixo em frente ao Posto Jóquei, próximo à Unime e ao Condomínio Especiale vai fazer aniversário. Agrava a situação o fato de estarmos em plena crise do Aedes aegypti e Márcio ser médico.
* A Assembleia realiza sessão amanhã (9h30) para discutir a cadeia da mandioca. O deputado Eduardo Salles (PP), autor da proposta, vai apresentar o projeto de lei que obriga padarias a usarem 10% da fécula de mandioca no trigo do pão, por ele chamado de pãozinho baiano.
* Ex-deputado, ex-prefeito de Paramirim (agora de novo candidato) e apaixonado pelas coisas do sertão, Gilberto Brito acaba de lançar a cartilha Convivência com a seca. Dá dicas para o sertanejo e os governos de como mitigar o enfrentamento do fenômeno.
* A professora Alice Marcelino Cardoso toma posse amanhã (20h) na Academia de Letras da Bahia. Assume a vaga da historiadora Consuelo Pondé de Sena.
Colaborou: Luan Santos