TEMPO PRESENTE
Independência passa sempre pela Bahia
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A Rota da Independência 2026 chega a Salvador nesta quarta-feira, 1, depois de passar por 25 municípios baianos, em iniciativa da Fundação Pedro Calmon, vinculada à Secretaria de Cultura do Estado. Mais que um passeio histórico, o projeto cumpre função que o poder público costuma negligenciar: manter viva, pelo contato direto com os lugares, a memória de um processo que teve na Bahia um capítulo decisivo e sangrento.
A caravana sai hoje às 7h da Biblioteca Central do Estado, nos Barris, com aulas públicas do historiador Sergio Guerra Filho, e percorre Pirajá, Lapinha e Campo Grande – palcos da resistência que selou a derrota das tropas portuguesas e consagrou o Dois de Julho como símbolo da identidade baiana. A história oficial do país tende a resumir a Independência ao Sete de Setembro, apagando o protagonismo de um povo que seguiu lutando por sua liberdade meses depois do grito às margens do Ipiranga.
Com 40 vagas abertas ao público nesta etapa, a iniciativa também marca os 40 anos da Fundação Pedro Calmon e se insere nas comemorações dos 203 anos da Independência. É um investimento modesto em escala, mas relevante em significado: educação patrimonial que aproxima estudantes, pesquisadores e cidadãos comuns do chão onde a liberdade foi conquistada, em tempos nos quais a disputa pela narrativa histórica segue sendo, também, disputa política.
Resgatar essa memória não é exercício de nostalgia. Em um país que ainda hesita em reconhecer o papel de populares, negros e mestiços na construção da nação, projetos como este devolvem protagonismo a quem a historiografia oficial deixou à margem. Que a Bahia, palco de tantas batalhas pela liberdade, siga sendo também palco da disputa por contá-las.
ABRE ASPAS
“Ninguém é dono do mundo e ninguém é dono da América do Sul. Nossa força estará na capacidade de dialogar com todos, sem deixar de lado nossos interesses (...) A região precisa encontrar seu espaço”
Lula, presidente, na reunião de abertura da Cúpula do Mercosul, sem citar diretamente os Estados Unidos
Ciência e arte no Museu
Celebrando o Asteroid Day, o Museu Geológico da Bahia sedia hoje o Encontro Internacional de Meteoritos e Impactitos. O evento une ciência e arte ao debater a conscientização sobre impactos espaciais com palestras de autoridades globais, como o geólogo francês Ludovic Ferrière. O MGB, que abriga um fragmento do famoso meteorito Bendegó, também oferece programação cultural com a exibição do documentário A Pedra que Caiu do Céu, debate com os realizadores e show de Tatá Aeroplano. Uma oportunidade imperdível para conectar a população à pesquisa astronômica e à memória científica nacional.
POUCAS & BOAS
- O Arraiá de LEM 2026 será aberto hoje com grandes shows como de Mestrinho, Mariana Fagundes, Zezo e Henry Freitas. O palco principal dos festejos tem este ano um projeto à parte com cenografia de uma máquina colheitadeira de milho, denominado ‘O espetáculo da tradição’. O festejo, que recebe visitantes de outras regiões e de estados como Tocantins, Goiás e do DF, acontece no bairro Santa Cruz. Com o tema central ‘No coração do Brasil’, a edição deste ano termina no sábado.
- A Cozinha Comunitária Municipal Adélia Braga Pacheco foi entregue ontem em Casa Nova, com capacidade para fornecer 800 refeições diárias, de segunda a sexta-feira, para famílias em situação de vulnerabilidade social e insegurança alimentar. O alimento será entregue em marmitas para retirada no local, com comida para todos integrantes das famílias cadastradas no CRAS, CREAS, Cadastro Único/Bolsa Família. O trabalho é coordenado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social.
- Os escritores João Paulo Pinheiro e Antônia Prado representam hoje a Academia Barreirense de Letras (ABL) na segunda sessão especial ‘Celebração ao 2 de Julho’ em reunião virtual que deve contar com 13 escritores e poetas de academias de letras do Estado. Com o tema ‘Heróis da Liberdade, Orgulho da Bahia’, o evento começa às 19h e terá transmissão pelo canal a Academia de Letras da Bahia, no YouTube. Além da ALB, a organização conta com a Rede de Integração Cooperativa das Academias de Letras da Bahia (Rica), criada para fomentar a troca de saberes entre os grupos.