TEMPO PRESENTE
Maria Vermelha: a dança da liberdade
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Bombo-gira já no gonguê, aiá, orerê! Chega a Salvador, após uma temporada na Nigéria, o espetáculo de dança-teatro Maria Vermelha, um solo estrelando Bel Souza, com estreia prevista para dia 18 de junho, 19 horas, no Espaço Xisto Bahia, nos Barris.
Baseado na obra ‘Inventário Vermelho’, o número é inspirado na entidade do desejo, das paixões e liberdade Bombo-gira - ou Pombagira, como se tornou popular entre os baianos e baianas.
Apesar da forte influência da dona de si insubmissa, a ideia é também lembrar do sangue derramado, naturalmente, pela menstruação, e socialmente, devido aos feminicídios de mulheres, cujo “pecado” é não aceitar a servidão.
O místico número 21 (três vezes 7) tem parte na gira pois esta é a quantidade de mulheres de diversas partes do País convidadas a um ritual de arte divinatória com a consulta de cartas.
- Entre palavras, cantigas e movimentos faz-se a ponte entre o mundo invisível e o dos sentidos, tecendo uma trama de vidas e reconstruções do que já foi despedaçado”, destaca Bel Souza.
Dirigida por Rosa Antuñam com cenografia de Aline Caldeira, Bel Souza levou Maria Vermelha ao Festival Lagos Fringe e na Universidade de Ibadan, ambos na Nigéria.
O fato de ter se apresentado na Nigéria ganha sentido por terem sido sequestrados e escravizados, pessoas yorubas habitantes dos territórios onde hoje fica este país, portanto, pode-se ver uma ponte cultural ligando Lagos a Salvador.
O espetáculo é uma atividade complementar do Projeto Maria Vermelha - Circulação Nigéria, apoiado pelo Edital de Mobilidade Cultural 2025/2026 da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia.
ABRE ASPAS
“A saúde mental está cada vez mais ameaçada no contexto de sociedades que se consideram avançadas (...) É profundamente errônea a ideia de crescimento que submete as pessoas a pressões”
Leão XIV, papa, em vigília, em apelo contra sistema social que provoca situações de injustiça e pobreza
Livro celebra Casa Pia de SSA
A Casa Pia de São Joaquim, fundada em 1799 em Salvador e reconhecida como a mais antiga instituição de acolhimento de órfãos do Brasil, lança no dia 10 de junho, às 19h, o livro “Casa Pia de São Joaquim: História, Patrimônio e Missão Social”. O evento, aberto ao público, ocorre no próprio casarão histórico da entidade. Escrita por Daniel Rebouças, Rafael Dantas e Simone Marya de Moura, a obra resgata o legado desse patrimônio tombado pelo Iphan. O fundamental: toda a receita das vendas será revertida para a escola da instituição, que atende gratuitamente 200 crianças. Vale o prestígio e o apoio social.
Tocar sem maestro é o desafio da Lyra Ceciliana
Tocar uma orquestra sem maestro, afastado por falta de recursos para pagar-lhe o ordenado, é o paradoxal desafio Sociedade Orpheica Lyra Ceciliana, sediada em Cachoeira, onde se assiste à agonia de uma instituição de tamanha envergadura e longevidade.
A condenação à falência causa justa indignação devido a sua importância histórica, cultural e social, tendo sido fundada a lyra em 1870 para fortalecer a luta pela libertação dos escravos, parcialmente conquistada em 1888.
Seriam os últimos acordes em contexto adverso para a cidadania em geral, ao admitir-se o quanto a ideologia neoliberal de negação de apoio para quem está vulnerável vem prosperando na contemporaneidade brasileira.
- A Orpheica Lyra Ceciliana, desde janeiro de 2026, conseguiu regularizar completamente suas situações fazendária e cartorária. Burocraticamente encontra-se plenamente apta”, afirma o atual gestor, José Bernardo.
Esta falta de documentação foi a razão alegada pela gestão local para não efetuar os repasses necessários para o funcionamento da instituição pública responsável pela formação de novos músicos, além de participação em festas cívicas.
Os custos empenhados avançam pelo quarto ano consecutivo, embora o recurso do “fiado” tenha possibilitado a presença da lyra nas atividades deste ano, sem qualquer apoio.
A adequação da lyra a uma mecânica de mercado, se dela depender sua sobrevivência, implica admitir ajustes bruscos a ponto de produzir danos à proposta social da entidade abolicionista, daí a importância de contar com a solidariedade geral.