Quartel dos rapas vai virar a Casa das artes
Confira a coluna Tempo Presente deste domingo

A Rua do Bispo, número 35, deixou de ser o endereço da sede de instituições repressivas de combate ao comércio informal, visando quebrar a guia dos camelôs da cidade, para tornar-se um local voltado ao incentivo às artes.
O quartel dos "rapas" era dotado de celas de detenção, antes de o ambulante ser levado à delegacia, até ser desativado na redemocratização do Brasil. Antes de libertar-se no reggae de Edson Gomes – “sou camelô, sou do mercado informal, com minha guia, sou profissional” – e conquistar o direito a equipamentos públicos, os camelódromos, foram décadas de sofrimento.
A própria reforma do prédio, localizado próximo à Igreja de São Francisco, é a primeira obra de arte dentro da perspectiva do Projeto Pé de Cobra, a ser inaugurado com uma exposição ainda este mês.
“O imóvel abrigou, em sua rotina, formas de detenção temporária e exercício direto de autoridade, memórias que permanecem vivas nos testemunhos de quem vivenciou o Centro Histórico naquele período” — afirma Bruno Morais, um dos nomes à frente do Pé de Cobra.
O brasileiro tem formação na Escola de Fotógrafos Populares da Maré e construiu carreira marcada por abordagem documental e poética, voltada ao imaginário popular e aos direitos humanos. Outros dois nomes com trajetórias consolidadas também integram o projeto: a espanhola Cristina De Middel, da agência Magnum Photos, e a fotógrafa argentina Julieta Lopresto.
O projeto nasce para “pensar as imagens com tempo”, um espaço de convivência onde prática e reflexão vão enfrentar, juntas, os atuais "rapas" do reacionarismo em ascensão.
Sarau de Itapuã
Integrado ao Abril Indígena, o Sarau de Itapuã encerra a Jornada Pindá Etá nesta segunda, às 19h, na Casa da Música. A edição é essencial por resgatar a presença Tupinambá na Bahia, propondo uma reflexão urgente sobre raízes tradicionais e território.
Com exibição de documentário e debates com lideranças como Rita Capotira e o tuxaua Mandú Tupinambá, o evento vai além do entretenimento: é um ato de resistência cultural que culmina no ritual Poranci. A entrada é solidária via doação de alimentos.
Instituto faz 20 anos de apoio à infância
Voltado para atendimento psicológico a crianças até 10 anos em situação de vulnerabilidade social, o Instituto Viva Infância completou seus primeiros 20 anos de atividade entre as instituições baianas do terceiro setor. A organização social sem fins lucrativos vem multiplicando seu exemplo de apoiar pessoas necessitadas de atenção, utilizando métodos de escuta qualificada.
Os colaboradores evitam práticas voltadas para o comércio de medicamentos, respeitando a singularidade de cada criança e família assistidas na sede do bairro da Vila Laura. Além do atendimento clínico, o instituto promove cursos de qualificação para profissionais das áreas de saúde, educação e assistência social.
Essas formações constituem a principal fonte de sustentabilidade dos atendimentos gratuitos, somando-se a parcerias com a iniciativa privada (notadamente da construção civil) e ao apoio da sociedade. Esse apoio foi decisivo para a consolidação e expansão das atividades e se mostrou imprescindível em 2025, quando a entidade conquistou sua sede própria, destacando-se a parceria da construtora OR.
“A equipe de engenheiros, comunicadores e arquitetos buscaram conosco imóveis, terrenos, para finalmente conseguirmos essa casa onde estamos sediados hoje, na Vila Laura” — lembra a presidente Maria Auxiliadora Mascarenhas Fernandes.
- Informações e doações: Instagram @institutovivainfancia
- WhatsApp: (71) 98914-0248
Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.
Participe também do nosso canal no WhatsApp.
