Salete Maria debate matança de mulheres
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O que o Estado precisa ser e deve fazer para conseguir deter a escalada de crimes por motivação de gênero, até chegar à total erradicação do feminicídio nos 417 municípios da Bahia? Esta é uma das possíveis questões centrais em busca de respostas-chave nas pesquisas mais recentes da professora doutora em Estudos de Gênero pela Ufba, Salete Maria da Silva.
A escalada de ocorrências de óbitos de mulheres atacadas por homens, pelo fato de serem mulheres, tem deixado a pesquisadora mais inquieta, junto a outras colegas investigadoras da pauta, atualmente fora de controle.
Segundo dados confiáveis, nove entre cada 10 feminicídios têm autoria de homens com quem as vítimas mantinham intimidades, desde ex-paqueras a atuais maridos ou concubinos.
– Somos uma Bahia repleta de desigualdades, favorável à ação dos que acreditam que o crime compensa e dos que percebem que são poucos os casos de feminicídios que foram a julgamento até agora – afirma a professora e também advogada.
Para ela, esta sensação de impunidade tem sido um dos grandes estimulantes para outra sensação, também desagradável, a da crueldade característica da execução de mulheres indefesas.
A professora destaca a importância de atualizar os dados relacionados às redes protetivas, averiguando se estão mesmo sendo cumpridas e qual a proporção de um possível descumprimento.
Salete Maria transita desde a alta cultura da academia ao saber popular das feiras livres, tendo desenvolvido carreira de cordelista: “O Brasil é campeão/ em matança de mulher/ Quantas mais tem que morrer/ pra tu meter a colher?”.
O nosso país é um país soberano. A gente quer trabalhar com todo mundo, mas a gente não quer dono, não quer voltar a ser colonizado
Capacitação em cosméticos
A Bahia dá um passo para fortalecer a indústria de cosméticos e saneantes com o lançamento do Programa de Orientação para Melhoramento de Plantas Industriais, apresentado em Salvador na sexta-feira. A ação mira micro e pequenas empresas de um setor com forte potencial de gerar emprego e renda. A proposta é elevar competitividade e eficiência, enfrentando gargalos técnicos e de gestão.
O projeto integra o Procompi, articulação nacional da CNI e do Sebrae. Na Bahia, a execução é do IEL/BA, em parceria com o Sebrae/BA e apoio dos sindicatos do segmento. É um movimento que une política industrial e desenvolvimento regional.
POUCAS & BOAS
- Em Coroa Vermelha, município de Santa Cruz Cabrália, termina hoje o I Festival do Artesanato Baiano Indígena e da Economia Solidária (FABI), com variadas apresentações culturais, notadamente com grupos dos povos originários. Aberto na sexta-feira, o evento reúne artistas e artesãos de diversas etnias indígenas, valorizando tradições, técnicas e identidades. A organização é da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre) e da Coordenação de Fomento ao Artesanato (CFA).
- Tradicional nas ruas de Jiquiriçá, o Bloco das Mascaradas vai agitar hoje a cidade com concentração às 15h, na rua 02 de Julho. A saída está prevista para as 16h, seguindo em cortejo até a praça da Estação. Com foliões de todas as idades, o bloco mantém viva a manifestação popular. Promovido pelo município com apoio do governo do estado, o carnaval antecipado da cidade começou ontem e termina amanhã, com Dilsinho, Netto Brito, Devinho Novaes e Cheiro de Amor, reunindo moradores e visitantes.
- Com o tema ‘As Yabás’, destacando figuras femininas ligadas à força e à sabedoria, o Bloco Brasil Chama África vai abrir a programação momesca de Porto Seguro a partir das 19h de hoje. A concentração será na Praça do Relógio, de onde o cortejo segue para a lavagem simbólica da Passarela da Cultura. A animação terá o afoxé Netos de Ghandi, de Belmonte, junto com integrantes do Ilê Axé Kaja d’Omim Orum, do Terreiro Ogum Beira Mar e Caboclo Sete Flechas, além das baianas do Grupo Alegria de Viver.
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