TEMPO PRESENTE
Vida silvestre ganha proteção na Chapada
Confira a coluna Tempo Presente
O governo da Bahia vai criar o “Refúgio da Vida Silvestre”, uma área de proteção do meio ambiente na Serra da Chapadinha, região riquíssima em biodiversidade, situada ao sul da Chapada Diamantina.
A boa notícia, divulgada primeiro no jornal de internet “Ângulo e Foco”, agradou ambientalistas e a cidadania, mobilizada para a etapa de consulta pública visando verificar a participação das pessoas da Chapada, a fim de desenvolver o projeto.
A proposta da nova unidade de conservação contempla a proteção de 18 mil hectares, distribuídos entre os municípios de Itaetê, Ibicoara e Mucugê.
Como área estratégica para a segurança hídrica, a região integra a Bacia do Rio Una e contribui tanto para o abastecimento das populações locais quanto para o fornecimento de água à Região Metropolitana de Salvador.
– A iniciativa, que receberá contribuições da sociedade civil até o próximo dia 30 de junho, atende a uma recomendação expressa do Ministério Público Federal – afirma o jornalista Raimundo Mazzei, radicado em Piatã.
Segundo Mazzei, a proteção de espécies endêmicas e ameaçadas de extinção, como o guigó-da-caatinga, bem como a garantia dos modos de vida tradicionais, estão entre os objetivos do Refúgio.
Acrescentou o jornalista o contexto de violência, “diante do avanço da mineração, do desmatamento e da grilagem na região”, conflitos que segundo ele, recentemente resultaram em um grave atentado armado contra líderes ambientalistas locais.
Para o ativista comunicacional e ambiental, a criação de unidades de conservação, a exemplo do Refúgio, “vai muito além de um simples procedimento ecológico, constituindo-se em uma barreira institucional para conter a violência no campo”.
ABRE ASPAS
“[Pressões internacionais ao Judiciário] chegam via sanções unilaterais, constrangimentos indevidos ou iniciativas incompatíveis com o respeito que deve existir entre Estados soberanos e democráticos”
Edson Fachin, presidente do STF, na abertura do VI Congresso Brasileiro de Direito e Políticas Públicas
Jurisdição e processo
O Espaço Cultural do STJ sedia hoje, às 18h30, o lançamento do livro “Jurisdição Constitucional e Processo: estudos em homenagem ao professor Paulo Mendes – 20 anos de magistério”. A obra, da Editora Thoth e organizada por Cyntia Melo Rosa e Rodrigo Freitas Câmara, tem prefácio do ministro Gurgel de Faria e posfácio de Fredie Didier Júnior. Com foco no sistema processual e na jurisdição constitucional contemporânea, o volume reúne capítulos de 54 especialistas, incluindo o advogado eleitoralista Neomar Rodrigues Dias Filho, autor do artigo “Candidatura material e tutela inibitória: proteção democrática a partir de precedentes do TSE”.
Entre Verdes expõe o crime e a violência nas famílias
“Entre Verdes” é o romance de Danusa Costa Lima, pela Editora Pé de Pitanga, com lançamento agendado para amanhã, às 18 horas, na Varanda do Teatro Sesi, no Rio Vermelho. Na ocasião, a escritora vai abrir uma roda de conversa sobre literatura, vitórias femininas e mulheridades em geral, descortinando cenários voltados para as questões de identidade, resiliência e transformação social.
Danusa vai receber suas leitoras e leitores ao lado de Renata Muller, vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb); da jornalista Patrícia Bernardes e Eliana Oubiña, da Editora Pé de Pitanga. “Entre Verdes” é a história de uma jovem, caçula de uma numerosa família nordestina radicada no subúrbio de São Paulo no final da década de 1990, sofrendo a angústia da violência, das limitações impostas pelo contexto social e pelas marcas da migração.
– A narrativa traz um processo de ruptura do ciclo de violência a fim de construir meios para encontrar quem se é mesmo quando tudo ao redor aponta para outro caminho – afirma a autora, baiana de Salvador.
Segundo Danusa, “a protagonista cresce em um ambiente paradoxal pois a família está unida, afetiva, presente mas profundamente envolvida com crime, violência e ilegalidade”. A obra, acrescenta a escritora, mostra que o problema não é a ausência de amor – é o tipo de mundo onde esse amor está inserido, quebrando, assim, “o clichê de que famílias criminosas são necessariamente frias”.
A protagonista pode ser o “erro do sistema em que está inserida”: ama leitura, tem talento intelectual, questiona o ambiente e escapa dele através de um custo emocional alto. O conhecimento não é só ferramenta — é resistência.