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Visão de Jogo

Por Jornalista l [email protected]

ACERVO DA COLUNA
Publicado sexta-feira, 05 de junho de 2015 às 11:07 h | Autor: Jornalista l [email protected]

A bola não é da Fifa

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Blatter
Blatter -

As antigas suspeitas vão se confirmando, as acusações se transformam em provas e a Justiça americana conclui, com todas as letras e cifrões, que existe uma cultura da corrupção na entidade que gere o esporte mais popular do planeta.

"Cada vez que a Fifa baniu funcionários corruptos, os substituiu por outros que continuaram fazendo o mesmo que seus antecessores", atestou a procuradora-geral dos EUA, Loretta Lynch. Trata-se simplesmente da entidade que se gaba de possuir mais filiados do que a Organização das Nações Unidas. Que tem livre trânsito entre os líderes de mais de 200 países e lhes impõe suas vontades e métodos - às vezes com desfaçatez, e outras com achaques diretos.

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Até mesmo patrocinadores, que agora cobram publicamente transparência e combate à corrupção, foram cúmplices das irregularidades. É bem velho o arranjo de pagamento de propinas para superar concorrentes e se tornar parceiro comercial da Fifa, como denunciam livros e reportagens.

Aliás, ele assemelha-se a vários outros sistemas do dia a dia, como a farra das empreiteiras, a compra de votos, a complacência com a especulação imobiliária, as máfias das empresas de lixo e transporte público. O futebol não é mais corrupto do que sua sociedade, apenas a reproduz, levando sua paixão, sua violência, seus preconceitos, suas desigualdades, seu contexto sociocultural.

E, a bem da verdade, o futebol não pertence à Fifa. Nem foi ela que o inventou. Ninguém nunca precisou dela para jogar aquém do âmbito profissional, por exemplo. Existem vários times, nações e campeonatos, por sinal, que manejam a bola à sua revelia. Que estabelecem e adaptam suas regras às suas condições.

Também não pertencem às empresas, a seus intermediários em negociatas e aos ocupantes de cargos públicos o oligopólio do planejamento urbano, a limpeza e o sistema viário das cidades. E, sim, ao povo, óbvio. Apenas são feitas concessões para interessados em cumprir obrigações na operação de seus serviços. E as autoridades são servidores da população, eleitos democraticamente ou indicados por representantes escolhidos por voto dos cidadãos. Vale a pena lembrar isso sempre. Acontece de as regras serem manipuladas ou descumpridas, mas para isso existem punições.

A Fifa, embora propriedade privada, também precisa respeitar regulamentos externos à sua redoma. E, ainda que a teoria não determine, a prática recomenda que ela deva satisfações aos torcedores porque, sem eles, nada disso faz sentido. Ela se beneficia de administrar o futebol oficial ao redor do mundo, mas não possui direitos sobre esta manifestação esportiva.

Decisão em campo e fora

Amanhã, pelo menos, outro oásis da bola suplantará a nojeira que - felizmente até - invadiu o noticiário esportivo. Como no sábado anterior, com a obra-prima de Messi na final da Copa do Rei da Espanha. Com grandes jogadores, Barcelona e Juventus decidirão o título europeu. O assunto principal, espera-se, será apenas sobre o que se passa nos gramados, os encantos do jogo, a capacidade dos seus reais atores, a festa das torcidas.

Entretanto, no tempo certo, que as atenções do mundo do futebol retornem à fundamental limpeza da sua lama. Afinal, esse momento é o mais importante no seu aspecto extracampo. E que seja positivamente decisivo e inspirador.

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