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Visão de Jogo

Por Eliano Jorge Chaves B de Souza

ACERVO DA COLUNA
Publicado sexta-feira, 07 de agosto de 2015 às 7:00 h • Atualizada em 14/09/2015 às 20:33 | Autor: Eliano Jorge Chaves B de Souza

A nadadora de 10 anos

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Aparentemente Alzain Tareq, de 10 anos, é uma daquelas crianças que acompanham atletas na entrada oficial para competições esportivas. Mas a representante do Bahrein foi nadar na Rússia e se tornar a mais jovem participante de um Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos.

Estava escalada para uma das sete eliminatórias da prova feminina dos 50 m estilo borboleta na madrugada de hoje. Seu melhor tempo nesta disputa era 41seg12, seis segundos a mais do que a segunda pior marca entre as 60 inscritas, pertencente à outra nadadora mais jovem, Angel de Jesus, de 16, das Ilhas Mariana do Norte, da Oceania. A mais velha, a bielorrussa Svetlana Khakhlova, de 30, tem idade para ser mãe de Alzain.

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Amanhã, a menina competirá nos 50 m livre. Não deverá ficar na última posição, o que envergonhará adversárias maiores de 18 anos. Ela já conseguiu completar essa distância em 38seg21, mais veloz do que três das concorrentes.

"Sou a mais rápida da equipe do Bahrein", justificou Alzain, sorrindo, ao site oficial do evento. Filha de um ex-nadador e uma professora, ela conta ter superado adultas na seletiva nacional e viajado ao Mundial para ganhar experiência e ver habilidades técnicas dos campeões olímpicos. "Não tenho medo de ninguém nem de nada", avisou. Diz treinar duas vezes por dia, cinco dias por semana.

Não é a única criança em ação em Kazan. Aos 12 anos, Ahnt Khaung Htut, de Mianmar, nadou sozinho sua bateria nos 100 m costas, domingo, comemorou seu desempenho e foi ovacionado pelo público, apesar de demorar 'intermináveis' 20 segundos a mais do que o tempo necessário pelo medalhista de ouro.

Ele lembrou a famosa cena de Eric Moussambani, da Guiné Equatorial, então aos 22, que, solitário e desajeitado na água, percorreu os 100 m livre de Sydney-2000 com mais de um minuto de lentidão em relação aos finalistas. Hoje treinador, ele nunca havia entrado numa piscina de tamanho oficial. Treinava num lago.

Vários outros atletas foram comparados a ele nos torneios seguintes, como agora na Rússia. E a presença de nadadores com nível tão inferior aos principais se deve a uma política de inclusão, explica o presidente da Federação Baiana de Desportos Aquáticos, Sérgio Silva.

A Federação Internacional de Natação (Fina) possui 208 associações nacionais filiadas, uma a menos do que sua equivalente no futebol, a Fifa. Ela realiza um trabalho para desenvolver sua modalidade nos mais diversos países e formar técnicos, relata Silva. Cada federação precisa participar do Mundial para ter direito a voto nas eleições da Fina e não perder vaga na Olimpíada, acrescenta. "A competição é para o mundo todo, não só para os melhores", traduz o espírito.

"Algumas seleções de futebol tomavam goleada de todo mundo antigamente e hoje não tomam mais. A tendência é ir melhorando", compara o dirigente da Bahia. "O mapa da natação ficou muito grande. As medalhas estão sendo pulverizadas pelo mundo", observa, citando novas potências e o equilíbrio entre os finalistas das provas. "O cara perde medalha por um centésimo".

Ele celebra o surgimento de nordestinos competitivos, algo ainda raro devido a carências de estruturas para treinos e competições, limitações dos clubes e falta de patrocínio. O governo da Bahia, por exemplo, demoliu a única piscina olímpica do estado em 2010 e ainda não entregou a prometida substituta.

Silva afirma que uma Alzain ou um Ahnt não representaria o Brasil, pois aqui o limite mínimo etário atinge 13 anos em competições de alto nível.

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