Busca interna do iBahia
HOME > colunistas > VISÃO DE JOGO
COLUNA

Visão de Jogo

Por Jornalista l [email protected]

ACERVO DA COLUNA
Publicado sexta-feira, 26 de junho de 2015 às 10:00 h • Atualizada em 27/06/2015 às 15:16 | Autor: Jornalista l [email protected]

A torcida antiSSeleção

Ouvir Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no X Compartilhar no Email

Detratar a Seleção é um dos hábitos que parecem mais deliciar os brasileiros. Até mesmo fãs de futebol manifestam um prazer em vê-la mal. Isso funciona de maneira parecida com o tratamento a bens públicos: o que pertence a todos acaba não merecendo o devido cuidado. É muito mais comum, por exemplo, hostilizar a equipe nacional do que o próprio clube.

À Seleção, cabe o tipo mais infiel de torcedor, que adere a ela no embalo da coletividade, e não por se sentir um seguidor seu. Não é namorado(a), só 'ficante'. Deixa frouxos os vínculos, descola-se nas derrotas, promete nunca mais apoiá-la. Fica à espreita para elogiar e se somar à multidão nos melhores momentos. Como um atávico 'complexo de vira-latas'.

Tudo sobre Visão de Jogo em primeira mão!
Entre no canal do WhatsApp.

Em qualquer esporte, o cidadão brasileiro só acompanha os vitoriosos. E não perdoa tropeços. A Seleção só criou identidade com o povo porque acumulou títulos. Tornou triunfante uma gente sofrida.

Inúmeras características imputadas a ela são facilmente verificadas nos outros principais selecionados, como postura de pop star, distância de temas sociais e políticos, salários astronômicos, alienação, vaidade, frequente uso de redes sociais e presença em publicidade, frivolidade, hedonismo, falta de vibração, rendimento superior em clubes, corrupção de dirigentes, interferência de patrocinadores.

Até quando a ditadura militar usou a Seleção, opositores ao regime nefasto não conseguiram torcer contra os craques, que, afinal, representavam todo o Brasil, e não os dirigentes golpistas.

A Seleção não é da CBF, dos anunciantes, do governo federal, da Fifa, dos jogadores ou dos agentes que a negociam por aí. Trata-se de patrimônio da humanidade, mesmo que jamais lhe seja concedido este selo oficialesco. Simplesmente, o time de futebol mais importante, conhecido e popular do planeta. Que atrai pessoas nos mais distantes lugares. Maior do que qualquer personagem. Merece zelo e valorização como as demais instituições basilares do país.

Inegável e infelizmente, ela não joga mais como a entidade lendária que cativou respeito e admiração ao redor do planeta. São outros tempos, mas para suas concorrentes também. Se a Seleção não repete o futebol encantador de outrora, tem totais condições de atuar bem e vencer - resta trabalhar corretamente.

Citar raça, compromisso e romantismo como aspectos esquecidos é caso de saudosismo e idealização, forçando-se para ignorar exemplos recentes. Vale lembrar que, antes de consagradas, várias escalações foram bombardeadas por público e críticos.

Benefício de arbitragem, houve no passado longínquo e glorioso também. Interesses comerciais de jogadores, idem, várias vezes, inclusive na - merecidamente - endeusada constelação de 1982.

Torcer contra não é solução. Geralmente esse artifício parte de quem reclama da Nike e dos cartolas da CBF. Mas não se viu tal comportamento de torcedores quando a empresa virou parceira de Corinthians, Flamengo, Bahia, Santos, Coritiba, Inter... E, se fosse assim por causa de dirigentes ruins ou acusados de irregularidades, todos os clubes brasileiros acabariam sem torcida.

Só comprova a falta de senso crítico da população o fato de tantos acreditarem em insustentáveis e claramente burlescas teorias da conspiração. Antes de tudo, falta sentimento verdadeiro pela Seleção.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.

Participe também do nosso canal no WhatsApp.

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Email Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar no Whatsapp

Relacionadas:

Assine a newsletter e receba conteúdos da coluna O Carrasco