De jogo-treino à Copa Sul-Americana
A atual situação do Brasília Futebol Clube ilustra bem alguns problemas de vários clubes brasileiros. Seu último jogo oficial foi em 2 de maio, pelo Campeonato do Distrito Federal. Os dois seguintes serão nas próximas terças-feiras, mais de três meses depois, pela Copa Sul-Americana. Se o time alvirrubro não passar pelo Goiás, encerrará sua temporada no dia 25. Se avançar, estenderá a sobrevida por, pelo menos, mais dois duelos, contra Joinville ou Atlético Paranaense.
Como o clube da capital federal perdeu o título distrital para o Gama, com derrotas de 3 a 0 e 1 a 0, não se classificou para a Série D, a última divisão do Brasileiro. Mas, no ano passado, ele já havia garantido vaga na Sul-Americana por causa da conquista inédita da Copa Verde, que reúne equipes das regiões Centro-Oeste e Norte e do Espírito Santo.
Será a primeira participação de um clube do Distrito Federal num torneio internacional. Porém, o Estádio Mané Garrincha, com capacidade para 70 mil espectadores, só colocará à disposição o anel inferior, com 22 mil lugares. Na verdade, a expectativa de ocupação não chega à metade disso. Ou seja, a pouco utilizada arena, cuja reconstrução para a Copa do Mundo de 2014 custou R$ 1,4 bilhão, confirma-se outra vez como um elefante branco.
O Brasília, dono de oito títulos distritais entre 1976 e 1987, vinha mandando seus jogos na Boca do Jacaré, na cidade-satélite de Taguatinga. Teve um período de recesso, manteve só quatro jogadores, promoveu pratas da casa, contratou reforços por vínculos de três meses e realizou 11 jogos-treinos contra adversários amadores e semiprofissionais, além de amistoso com o goiano Vila Nova. A assessoria de comunicação do clube garante que o valor recebido pela presença na competição continental banca o investimento. E que, mesmo com uma precoce eliminação, as atividades serão estendidas.
A cota nesta fase inicial é de 150 mil dólares - aproximadamente R$ 527 mil -, mas cada clube se responsabiliza por taxa de arbitragem, passagens de avião e hospedagem, além de multa por eventuais cartões recebidos e 10% da bilheteria como mandante para a Conmebol.
Mesada maior
Os clubes da Série B jogam ao longo do ano e sofrem bem menos do que os candidatos à Quarta Divisão. Porém enfrentam muito mais dificuldades do que os maiores do país.
Reduzir esse abismo é o objetivo de uma comissão formada por América-MG, Náutico, Paysandu e Atlético Goianiense. O quarteto - de pouca força nos bastidores - apresentou estudo à CBF e à TV Globo para rediscutir o contrato de transmissão televisiva que vai vigorar até 2017.
Enquanto Flamengo e Corinthians embolsam mais de R$ 100 milhões, cada um, pela presença no Brasileirão, os participantes da Segundona que não integravam o Clube dos Treze faturam R$ 3 milhões.
"Essa situação está desequilibrando o futebol brasileiro. Não tem como negar", opina Marco Salum, ex-presidente do América. Ele prefere não revelar detalhes para não atrapalhar a negociação, mas contou ao A TARDE que a intenção é incluir adendos ao acordo.
Foram apresentados modelos de outros países. Entre as sugestões, está a adoção de outros critérios de distribuição de dinheiro, como desempenho na competição anterior, ranqueamento histórico, uma parcela igual para todos e uma cota variável.
Na próxima semana, haverá um reencontro. Depois de 15 ou 20 dias, debates darão continuidade às reuniões. Bahia e Vitória, que faturam mais de R$ 30 milhões pelo campeonato nacional, vivem um papel dúbio: beneficiam-se da vantagem sobre os concorrentes de Série B e reclamam da pujança financeira dos clubes grandes.
Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.
Participe também do nosso canal no WhatsApp.
