Dupla Ba-Vi decepciona
Pela atual presença no G-4, até pode parecer que Bahia e Vitória realizam uma campanha no nível que lhes caberia nesta Série B. Mas, na verdade, eles estão devendo.
Dos outros 18 participantes do campeonato, somente o Botafogo possui arrecadação anual superior à da dupla Ba-Vi. Ainda assim, o time carioca enfrenta gravíssima crise financeira e precisou fazer cortes drásticos. Perdeu vários titulares durante esta competição, como o volante Marcelo Mattos, que pouco vem acrescentando ao Leão. De qualquer forma, o Alvinegro lidera com quatro pontos a mais do que tricolores e rubro-negros.
Enquanto os dois clubes baianos recebem, cada um, mais de R$ 30 milhões pelos direitos de transmissão televisiva da Segunda Divisão, os concorrentes embolsam 'reles' R$ 3 milhões.
Essa discrepância permitiu, por exemplo, ao Vitória tirar do Sampaio Corrêa o então artilheiro Robert. Apesar disso, a equipe maranhense possui apenas dois pontos a menos do que o Rubro-Negro. Depois de ganhar por 2 a 0 no Barradão na estreia, venceu por 1 a 0 em São Luís.
Zebras acontecem, claro, mas a repetição delas evidencia a fragilidade de Bahia e Vitória. Os dois, vale lembrar, empataram por 1 a 1 em visita ao lanterna Mogi-Mirim. No seu estádio, o Leão ainda parou no Macaé e no Oeste. Não venceu na casa do Boa. O Esquadrão de Aço tropeçou diante de Macaé, Bragantino, Atlético Goianiense e Paraná. Suou em demasia para superar Luverdense, Oeste e CRB.
Vitória e Bahia choram por receberem das emissoras de TV muito menos dinheiro do que os maiores clubes do país, alegando que essa desvantagem econômica os impede de se tornarem competitivos. Entretanto, na Segundona, eles não conseguem se aproveitar de semelhante desnível para impor uma superioridade compatível ao seu poderio em relação aos demais times.
Para corresponder ao seu padrão de cotas na Série B, a dupla baiana precisaria ganhar com autoridade em Salvador e, com frequência, trazer pontos das viagens, mas isso está longe de acontecer.
O Tricolor e o Rubro-Negro oscilam tanto quanto os outros, embolados na fronteira da zona de acesso à elite. Deveriam ter folga suficiente no topo da classificação, disputando o título entre si e sem risco de não subirem.
O aproveitamento de ambos, decorridas 24 rodadas, é de 56,9%. Fica bem abaixo do desempenho dos campeões anteriores das edições da Série B com a fórmula de pontos corridos, implantada em 2006. Entre eles, as campanhas mais fracas foram de Coritiba - com 62% e 60% da pontuação possível, respectivamente, em 2010 e 2007 - e Joinville, com 61% no ano passado. O Vasco chegou a 66% em 2009. O Goiás, a 68% em 2012. O Palmeiras, a 69% em 2013. A Portuguesa, a 71% em 2011. O Atlético Mineiro, a 72% em 2006. O Corinthians, a 74% em 2008.
Se nem na Segundona, com essas circunstâncias, a dupla Ba-Vi assume papel de protagonista, não é possível realmente ter metas grandiosas.
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