Menos médicos
Em descumprimento de regulamentos e leis, todos os campeonatos da Federação Bahiana de Futebol (FBF) têm registrado ausência de médicos em bancos de reservas e ambulâncias.
O Estatuto de Defesa do Torcedor determina como "dever da entidade responsável pela organização da competição" providenciar um médico e dois enfermeiros para cada grupo de até 10.000 torcedores, além de ambulância com UTI. Os regulamentos dos torneios baianos repassam essa tarefa ao clube da casa. O presidente da FBF, Ednaldo Rodrigues, ressalta que, apesar de a obrigatoriedade de médicos para as equipes se resumir a jogos profissionais, a federação a estende às competições amadoras.
No Baiano Feminino do ano passado, falta de médico resultou em derrotas em partidas canceladas. Equipes passaram a compartilhar um, contratado pelo mandante. Para a edição que começa amanhã, a FBF informou que a Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia (Sudesb), nos duelos em Salvador, e as prefeituras, no interior, serão responsáveis pelo suporte médico.
Na Segunda Divisão deste ano, Grapiúna e Juazeiro foram acusados de se enfrentarem sem médicos nos bancos. O time itabunense teria cometido a infração mais cinco vezes. A equipe juazeirense, mais duas. No torneio de 2014, relatou-se que o Leônico incumbiu de atender seus atletas uma auxiliar de enfermagem que estava na ambulância.
Por ausência de médico e ambulância, o Tribunal de Justiça Desportiva condenou vários times a multas - de R$ 250 a R$ 2.000 - na Segundona, no Intermunicipal, no Sub-17 e no Sub-15, nesta temporada.
Na Copa Governador, árbitros afirmaram que o médico do Vitória atendeu também o Jacobina e que o do Conquista cuidou do Bahia de Feira. "Ambulância: presente apenas com o motorista", denuncia a súmula, acrescentando que o mandante Jacobina recorreu ao médico do Flu. O Colo Colo contou com o do Bahia de Feira.
Dirigentes dizem faltar médico. "O problema não é nem o custo", falou Rodrigues, apontando indisponibilidade e escassez no interior. "No fim de semana principalmente". Ele revela que, por acordo entre os clubes, o médico do mandante atende os visitantes também.
"Não encontramos médico. Buscamos em hospitais e clínicas. Não conheço nenhum em Jacuípe", afirmou o presidente do reincidente Colo Colo, Walter Telles. O gestor do Bahia de Feira, Márcio Cerqueira, mesmo sem ter ido a Conquista, negou ausência de médico. Presidente do Jacobina, Rafael Damasceno alegou que, num jogo, o médico teve problema de saúde e, no outro, chegou logo após o início.
Ex-presidente da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte, Jomar Souza adverte para riscos da ausência de um profissional habilitado a atendimentos de casos graves e a avaliar se um jogador pode continuar em campo. "Sem alguém treinado para reanimação cardíaca, é altíssima a chance de morte", avisa, destacando a falta de acompanhamento adequado a amadores e atletas de clubes menores.
O especialista em Medicina do Esporte atesta a preferência de clubes por "médicos torcedores" que aceitam calotes ou valores irrisórios: "Antiético. Absurdo". Souza sugere que federações contratem médicos ou sejam responsabilizadas na Justiça. O socorro das ambulâncias, lembra, é também a torcida, imprensa, árbitros...
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