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Publicado sexta-feira, 10 de julho de 2015 às 17:12 h | Autor: Jornalista | [email protected]

Messi, acima do placar

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Hoje, não parece absurdo questionar se Lionel Messi é mais querido no Brasil ou na Argentina. Quatro vezes premiado pela Fifa como melhor jogador do mundo pelo que fez no Barcelona, entre 2009 e 2012, ele deve se reeleger neste ano, credenciado pelo desempenho fabuloso na conquista da tríplice coroa.

O baixinho encanta a todos por seu talento e sua genialidade, mas seguidamente frustra os compatriotas por não conseguir dar-lhes um título com sua seleção principal.

O comportamento da mídia e da torcida da Argentina acaba sendo passional, exagerado e volúvel. Como muitas vezes acontece no Brasil - com Neymar, inclusive. Agora se discute sua continuidade na seleção. Ao comandar a goleada de 6 a 1 sobre o Paraguai na semifinal da recém-encerrada Copa América, ele foi endeusado. Quatro dias depois, pela final perdida diante do anfitrião Chile, acabou execrado pelos argentinos.

Ele até deu assistência no último lance, que acabou desperdiçado. Se tivesse saído o gol, o camisa 10 seria exaltado para além das medidas. Como o time perdeu nos pênaltis e Messi - sob faltas duras e até desleais, realmente não rendeu no seu nível habitual - virou bode expiatório. A exemplo do que ocorreu no Mundial-2014, o craque sentiu a falta do coadjuvante de luxo após lesão do meia Di María.

Ironicamente, é cada vez mais frequente discutirem se Messi tornou-se o melhor jogador da história. Na Argentina, a devoção a Maradona continua insuperável não só por seu protagonismo no título da Copa de 1986. Como personagem, rebelde, humano, dramático, subversivo e carismático, Dieguito cativa muito mais seu país. Lionel é introspectivo, calado, disciplinado, discreto, misterioso. Diante de sua gente, sofre com - injustos - estigmas de apático, pouco vibrante e sem emoção.

Embora desde os 13 anos ele more na Espanha, sempre manteve hábitos, gostos e sotaque argentinos. Descartou convocação da terra adotiva pelo sonho de defender a Argentina, porém convive com acusações de ser "espanhol".

É idolatrado em todos os cantos, bastante reverenciado também no Brasil. Mas, devido à falta de troféus pela Argentina, acaba constantemente hostilizado na sua nação.
Chegou a ser questionado na temporada retrasada de vacas magras do Barça, o que cheirou a heresia e ingratidão. Mas, como se fosse necessário, arrebentou novamente e reconquistou as taças.

Sem fronteiras
As identidades pátrias foram fundamentais para a popularização do futebol no século passado, o da consolidação dos estados nacionais. O patriotismo vinculou-se à representação esportiva enquanto a modalidade se alastrava pelo planeta inteiro.

A Copa do Mundo foi decisiva nesse processo. Mas a acentuada globalização, as interconexões, as misturas de nacionalidades, as migrações e a diluição de fronteiras - como na formação da comunidade europeia - criaram grandes fenômenos transnacionais também no futebol.

Os principais clubes, normalmente, possuem mais jogadores estrangeiros do que nativos. Mercados e fãs foram desbravados longe das fronteiras originais, até passando por cima de rivalidades.

Ídolos ultrapassam sua nacionalidade. Em escala global, são reconhecidos pelo conjunto de suas atuações, entretanto permanece a cobrança de torcedores de seus clubes e seleções. O melhor parâmetro está na reverência dos demais espectadores, interessados mais no futebol do que no resultado. Esses não reclamarão de Messi jamais.

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