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Visão de Jogo

Por Jornalista | [email protected]

ACERVO DA COLUNA
Publicado sexta-feira, 31 de julho de 2015 às 8:52 h | Autor: Jornalista | [email protected]

Piora o futebol na TV

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Sem escutar nada além do barulho dos bares ou mais atraídos por seus celulares com acesso à internet, os telespectadores talvez nem tenham percebido, mas as transmissões televisivas de jogos de futebol pioraram muito, sobretudo nos canais abertos. O auge delas ocorreu no início dos anos 2000, mas, em seguida, o nível de qualidade foi caindo.

Tecnicamente, emissoras nacionais estavam entre as melhores do mundo, ao mostrarem as partidas por ótimos ângulos, com imagens que só melhoraram. Quedas de sinal rarearam. Os recursos evoluíram e ajudaram a edição imediata, com replays providenciais, mudanças rápidas de câmeras, além de competentes cinegrafistas, operadores de equipamentos e editores. Tudo tão bom, que passava despercebido. Porque são os erros que chamam a atenção, ao não se atender a uma necessidade óbvia ou ao se estragar a linha narrativa. Essas falhas foram se tornando mais frequentes por opções editoriais e intervenções desastradas.


Por desajuste das grades de programação atribuído ao horário de verão, jogos da Copa do Brasil começaram a ser exibidos para diversos estados com mais de 10 minutos de bola rolando. No mínimo, um desrespeito ao público.

Várias transmissões se iniciam às pressas. O tempo para informações fica ainda menor por causa das propagandas, que geram a principal fonte de receita dos clubes: as cotas de TV. No intervalo, aproveitam-se mal os preciosos minutos. Infelizmente, não é mais novidade se divulgarem as escalações - algo básico - depois do pontapé inicial. Às vezes, numa barra, disputando espaço na tela. Outro dia, a reportagem de campo só esclareceu, "para quem estava sentindo falta dele", aos 40 minutos que um dos astros do popular time não atuava devido a uma suspensão.

E para saber qual jogo está ali à sua frente? Os times usam camisas cada vez mais estranhas e alheias às suas tradições. As arenas são parecidas umas às outras. Os atletas vivem se transferindo. Resolveria a questão mostrar no alto da tela os nomes dos times - de preferência com um quadrinho com as cores do respectivo uniforme. Porém preferem-se abreviações nada esclarecedoras ou os escudos - um enigma quando não se trata de clubes conhecidos.

Após o apito final, poucas emissoras repetem gols ou melhores momentos, como antigamente. Virou moda dividir a transmissão de duas partidas, tratando mal de ambas. Agora é habitual interromper um jogo para recuperar lances irrelevantes do duelo de um time arquirrival. E já se perderam gols assim!

Aliás, que coisa mais grotesca é ver narradores fingindo torcer por uma equipe. Como se alguém engolisse essa falsidade. Ficaram intragáveis o ufanismo desmedido com a Seleção e a parcialidade regional com os clubes. Os mesmos locutores e comentaristas da linha bairrista se saem melhores em transmissões nacionais. Outros, anacrônicos ou despreparados, não têm solução.

Vende-se explicitamente o exagero emocional, um empobrecimento apelativo do relato e do grau de análise. O futebol é tratado como entretenimento, um produto da empresa, o que implica cuidados com críticas e valorização. Ao esporte, não se dá o rigor que outros temas recebem.

A queda de audiência não se deve à deterioração das transmissões, e sim à falta de atrativos dos campeonatos, aos jogos ruins e à escassez de craques. Também não se restringe à TV a crise comercial dos veículos de comunicação, que realizaram decréscimos no conteúdo em benefício de outros aspectos dos negócios. Mas as emissoras ajudam a empurrar o torcedor para a internet.

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