Sant'Ana e Viana

As diferenças entre os presidentes de Vitória e Bahia eram impressionantes quando ambos foram entrevistados por A TARDE, há cerca de sete meses. O tricolor Marcelo Sant'Ana, aos 33 anos, tinha sempre a mira no futuro, encarnava a modernização e o profissionalismo. O rubro-negro Raimundo Viana, aos 74, falava de olho no retrovisor, personificando o atraso e métodos arcaicos.
O jornalista, que se preparava para ser dirigente, elegeu-se em dezembro de 2014, herdando um clube rebaixado e endividado. Montou a equipe campeã baiana e vice do Nordeste. O advogado, que presidira o Leão na década de 1970 e a Federação Bahiana na de 1980, venceu uma votação emergencial após Carlos Falcão se demitir. Derrotas e protestos ainda continuaram.
Sant'Ana vinha de apontar defeitos e soluções. Viana acumulava velhas acusações.
Enquanto um usava exemplos internacionais e projetava os anos seguintes com visão geral do clube, o outro lembrava casos antigos, não se detinha em temas amplos da instituição e parecia desconectado das demais gestões esportivas.
O tricolor evitava falar do Vitória, mas deu declarações desrespeitosas. O rubro-negro insistia em citar o Bahia, mas lhe demonstrava respeito diante dos microfones.
O espigado Sant'Ana fala bem, com sotaque do Recôncavo, exibe autoconfiança, não foge às perguntas. Baixinho, seu colega não se destaca pelo fraseado, não tem o mesmo poder de convencimento, com sotaque sertanejo, e dribla os questionamentos.
O novato afirmou não ser sua função intervir no vestiário; só com permissão de técnico e capitão. O veterano se disse "um presidente de vestiário".
Com o Botafogo na penúria, a dupla Ba-Vi ostentou o maior poder econômico da Segundona. Embora pouco empolgantes, reforços do Leão deram certo: Diogo Mateus, Diego Renan, Ken, Mattis e Kanu. Já as contratações do Bahia não foram suficientes para qualificar o elenco e suprir carências. Essa questão foi fundamental para o sucesso de um e o fracasso do outro. O acesso era obrigação para ambos.
O tricolor distanciou-se do seu discurso e, como um dirigente anacrônico, desceu ao túnel do vestiário da Fonte Nova, no intervalo do Ba-Vi, para pressionar e criticar o árbitro que agia corretamente. Não ganhou nenhum clássico. Não contornou o declínio do seu time. O rubro-negro reconduziu sua equipe aos bons resultados, criou ótima relação com os jogadores e permaneceu invicto contra o arquirrival.
O fim de temporada divergente, no entanto, não significa que, adiante, Sant'Ana e Viana não estarão em situações opostas de novo. Aprender com erros e acertos será essencial. A missão do Leão de ficar na Primeirona é muito mais penosa do que a tarefa do Esquadrão de ascender. E, em longo prazo, os efeitos das duas administrações também podem colocar o Bahia bem à frente do Vitória.
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