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CONSCIÊNCIA NEGRA

Cabelos das mulheres negras geram renda

Maíra Azevedo
Por Maíra Azevedo
A cabeleleira Gerusa é responsável pela cabeça de alguns famosos
A cabeleleira Gerusa é responsável pela cabeça de alguns famosos - Foto: Mila Cordeiro | Ag. A TARDE

"Quem disse que cabelo não sente? Quem disse que cabelo não gosta de pente?". Os versos da música de Arnaldo Antunes e Jorge Ben Jor, imortalizada na voz de Gal Costa, falam da relação complicada que as pessoas comumente têm com suas madeixas. O conflito fica ainda mais acentuado quando se trata das mulheres negras. Como tiveram os fios naturais por muito tempo considerados 'feios', taxados de ' ruins' ou de 'bombril', tudo era feito para fugir desse padrão. E foi aí que os cabelos crespos se tornaram uma fonte lucrativa de renda. Tanto que foi a invenção de um produto para alisar os cabelos das negras, nos Estados Unidos, que transformou Sarah Breedlove, mais tarde conhecida como Madame CJ Walker, na primeira afrodescendente milionária das Américas.

Com o passar do tempo, outras técnicas surgiram para 'tratar' dos cabelos das mulheres negras, mas a maioria tinha como principio 'alisar', 'domar' ou diminuir o volume. Os tempos são outros, e assumir o 'black power', além de estar na moda, é considerado revolucionário. Mas cuidar dos cabelos das pretas, e também dos pretos, continua sendo algo que faz gerar trabalho e renda.

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Especialista em cabelo crespo há 27 anos, Gerusa Menezzes, 42, faz arte na cabeça dos clientes. A cabeleleira, que também já foi Deusa do Ébano do Ilê Aiyê, faz tranças, alongamentos, cortes, dreads looks (rasta) de várias personalidades em seu salão, na Ladeira do Curuzu, próximo à sede do Ilê.

Sem papas na língua, Gerusa manda a real para quem chega no seu espaço de trabalho: discute racismo, empoderamento negro com a clientela , e se não concordar, manda procurar outro lugar.

"Já teve cliente que ficou chateado porque recusei atender. Não vou fazer algo que eu sei que não vai dar certo no final. Alguns vão fazer em outro lugar e depois voltam para eu consertar. O bom é saber que faço o melhor para eles e para mim".

Nem mesmo a crise econômica que afeta o País faz Gerusa mudar de opinião sobre o seu posicionamento capilar. Ela não tem medo de recusar clientes e ter uma baixa no seu orçamento. "Crise, que crise? Quem nasce preto e pobre, já nasce na crise e aprende a superar desde pequeno. Quem está em crise são eles, os ricos, que estão com medo da gente, que estamos chegando no mesmo lugar que eles", diz otimista.

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