POLÊMICA!
Jornal francês retrata presidente da Fifa como fantoche de Trump
Publicação francesa criticou a política migratória dos Estados Unidos para a Copa do Mundo de 2026
Às vésperas da Copa do Mundo de 2026, a política migratória dos Estados Unidos voltou ao centro das discussões internacionais e acabou atingindo também o universo do futebol. Nesta quarta-feira, 10, o jornal francês "L'Équipe", principal publicação esportiva da França, estampou em sua capa uma crítica direta à condução do tema pelas autoridades norte-americanas e à postura da Fifa diante dos episódios recentes.
A ilustração escolhida pelo periódico mostra o presidente da Fifa, Gianni Infantino, caracterizado como um fantoche do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A imagem foi acompanhada de uma manchete carregada de ironia:
Bem-vindos aos EUA
L'Équipe - jornal francês
A publicação faz referência a uma série de casos envolvendo dificuldades de entrada no país para profissionais ligados à Copa do Mundo, levantando questionamentos sobre as medidas adotadas pelas autoridades migratórias americanas durante a realização do torneio.
Veja:
Um dos episódios destacados pelo jornal envolve o árbitro somali Omar Abdulkadir Artan. Escalado pela Fifa para trabalhar na Copa do Mundo, ele foi impedido de permanecer nos Estados Unidos após passar cerca de 11 horas sendo interrogado pelas autoridades de imigração. Segundo os relatos, Artan também chegou a ficar detido em uma cela antes de ser obrigado a retornar à Somália.
Outro caso que repercutiu internacionalmente foi o do atacante Aymen Hussein, principal nome da seleção do Iraque. O jogador permaneceu aproximadamente sete horas retido no setor de imigração antes de receber autorização para entrar no país.
A delegação iraquiana também enfrentou problemas com um de seus profissionais de imprensa. O fotógrafo oficial da seleção teve o visto recusado ao desembarcar nos Estados Unidos e acabou deportado para Bagdá.
As restrições também afetaram a seleção do Irã. Inicialmente, as autoridades americanas haviam autorizado a permanência da delegação apenas nos dias em que a equipe entrasse em campo pela Copa do Mundo, exigindo que os integrantes deixassem o país logo após cada partida.
No entanto, uma atualização divulgada nesta terça-feira pela agência de notícias "Reuters" indicou uma flexibilização das medidas. De acordo com a publicação, os iranianos passaram a ter autorização para chegar aos Estados Unidos um dia antes de cada compromisso pelo Mundial.
Os episódios aumentaram o debate sobre os impactos das políticas migratórias norte-americanas na organização da Copa do Mundo de 2026, competição que será disputada em território dos Estados Unidos, México e Canadá e que já começa cercada por discussões que extrapolam as quatro linhas.