Abertura da temporada de compras requer cuidados

Publicado domingo, 28 de novembro de 2021 às 06:00 h | Atualizado em 27/11/2021, 21:43 | Autor: Priscila Dórea

Que saudade de fazer umas comprinhas, não é minha filha? Com uma expectativa de crescimento de 5% em relação a 2020, as vendas na Bahia em dezembro - o mês mais importante do setor -, devem bater o recorde dos últimos 10 anos, de acordo com a Fecomércio-BA. Na última sexta-feira, a temporada de promoções e compras teve início com a Black Friday, e com ela um conhecido aviso: se o desconto parecer bom demais, duvide.

"O estado gerou 110 mil empregos formais esse ano e isso terá um efeito direto sobre a renda que, junto ao 13º salário, à volta dos eventos sociais e o começo da recuperação da economia, vão levar as pessoas a comprarem mais nesse final de 2021. Mas o consumidor precisa ficar alerta com os descontos muito agressivos, pois o barato pode sair caro. Se o preço estiver muito abaixo do normal, desconfie", explica Guilherme Dietze, consultor financeiro da Fecomércio.

Desconfiar é a principal regra das compras online, uma lição que a secretária e estudante de técnico de enfermagem Andreia Gomes da Silva aprendeu recentemente. Querendo inovar na decoração, ela começou a procurar na internet, se encantou com as muitas promoções e comprou bolinhas para sua árvore de Natal.

“Quando elas finalmente chegaram, levei um susto. Elas não eram iguais às fotos do anúncio, o tamanho era diferente e a qualidade era péssima. Fiquei muito frustrada e hoje, sinceramente, não sei o que fazer com elas. E são 96 bolinhas!”, lamenta a secretária.

Andreia manteve o produto e tem buscado encontrar alguma serventia para ele, ou até encontrar alguma amiga ou parente que queira usar, já que a burocracia para devolver é mais desgastante do que manter os enfeites. “Por isso deixo a todos um conselho: pesquise antes sobre os sites, lojas, produtos, tamanhos, qualidade do que você compra na internet e, principalmente, leia os comentários dos clientes anteriores”.

E é exatamente isso que a fisioterapeuta e escritora Daniele Brito dos Santos (@amor_metafisico) faz quando vai às compras. Ela conta que já começou a gastar com roupas, sapatos e móveis este ano, mas que sempre verifica tudo o que for possível sobre a loja onde compra. “Sou a pessoa da promoção, mas também a do bom negócio. Um produto não precisa ser extremamente caro para ter qualidade, mas para isso você tem que pesquisar bastante entre as lojas e conhecer a reputação delas. Não lembro de alguma vez ter caído em alguma enrascada, mas muitas amigas já”, explica.

E uma dessas amigas foi a Eva Cecília de Jesus Santos, proprietária do Eva Cecília Salão de Beleza (@salaoevacecilia), que encontrou um produto de tratamento capilar com um ótimo preço online. Seu principal objetivo com a compra foi a de poder, com um bom produto a baixo custo, oferecer tratamentos mais baratos para as clientes e ainda obter lucro.

“Mas quando recebi foi só decepção. O cheiro é forte, a textura é estranha, o pote não veio cheio e a própria embalagem, que é diferente da imagem do anúncio, faz o produto parecer de baixa qualidade. Resumindo, não pude usar em meu negócio”, explica Eva. Apesar da compra frustrante, ela está animada para o aumento de atendimentos no final de ano, principalmente depois de tanto abre e fecha durante a pandemia.

Tendo como única renda garantida o auxílio emergencial, a cabeleireira conta que o primeiro ano e meio da pandemia foi muito difícil, enquanto ela atendia apenas a domicílio. Com o avanço da vacinação e a reabertura do comércio, as clientes voltaram, mas ainda hoje ela se mantém cautelosa. “Os atendimentos aumentaram, mas mantenho o serviços apenas com hora marcada. Mesmo com a vacina, o perigo de contaminação existe, então prefiro seguir com calma, e assim manter minha saúde e meu negócio”.

Ânimo, cautela, máscara, álcool 70% sempre à mão e promoções atrativas, esses parecem ser os itens necessários para lucrar nesse final de ano. De acordo com o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Salvador (CDL), Alberto Nunes, a estimativa é que o setor de comércio - e seus segmentos - cresça cerca de 10% no número de vendas em Salvador, em relação a 2019. “Não podemos fazer esse comparativo com o 2020, pois estávamos parados. Nesse fim de ano esperamos conseguir tomar fôlego e, para incentivar os consumidores, vamos começar no dia 1º de dezembro a nossa campanha Natal de Luz e Prêmios nas lojas de rua. A ação vai até dia 24 e terá carro, smart tv e vouchers de compras como prêmio”, conta.

De incentivar os clientes, a professora de educação física e empresária Fabiana Ramos Araújo entende muito bem. Proprietária da Ciclo Modas (@ciclo.modas) - que vende produtos de marcas conhecidas e de sua própria marca -, ela precisou se reinventar e pensar em várias formas de atrair os clientes durante a pandemia e o tempo em que a loja ficou fechada. Investindo nas redes sociais e adicionando roupas à sua loja que, inicialmente, vendia sapatos e bolsas, ela afirma que o segredo para manter um negócio é entender quem é seu cliente e o que ele procura.

“Por isso que agora, com tudo lentamente voltando ao normal, nós aumentamos o número de parcelas disponíveis para os clientes. Ao mesmo tempo que o dinheiro está voltando a circular e as pessoas estão mais encorajadas a comprar e precisam reabastecer seus guarda-roupas, ainda tem muita gente desempregada e com o dinheiro ainda mais curto agora que o auxílio emergencial acabou. Então o que podemos fazer é facilitar ao máximo essas compras para eles”, explica a empresária.

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