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13/07/2023 às 5:00 - há XX semanas | Autor: Elis Freire*

NOVA TEMPORADA

'Auto da Compadecida' está em cartaz no Centro Cultural Ensaio

Apresentação ocorre aos sábados e domingos, com sessões de 19h e 20h30

Peça de grande representatividade do teatro brasileiro, Auto da Compadecida foi escrita pelo paraibano Ariano Suassuna em 1955
Peça de grande representatividade do teatro brasileiro, Auto da Compadecida foi escrita pelo paraibano Ariano Suassuna em 1955 -

Com inversão no roteiro e personagens rejuvenescidos, o espetáculo Auto da Compadecida, baseado na obra de Ariano Suassuna, está de volta ao Centro Cultural Ensaio, espaço de Teatro no Garcia. Em cartaz desde o último dia 8, a peça acontece aos sábados de julho, com duas sessões às 19h e às 20h30, e aos domingos, sempre às 19h.

Corrupção. Desigualdade. Exploração. Perdão. Referência para o teatro e o cinema brasileiro, a obra de Ariano Suassuna aborda temas cruciais que atravessam todos os tempo e sociedades humanas, com um olhar especial para a cultura popular nordestina. Sob direção de Fábio Tavares, o elenco composto por Amanda Cambeses, Augusto Barbosa, Duda Lemos, Ramon Almeida e Thales Moreira dá voz aos icônicos personagens do sertão paraibano.

“Trabalhar elementos da cultura popular, a partir da dualidade humana, é muito atemporal. Todos os personagens são corruptos, mas a peça mostra essa dualidade do convívio terreno: cada um tem as partes sombrias, defeitos, seus pecados, mas sempre tem aquele lado positivo. A dualidade é imortal, é uma característica humana. Então, em qualquer tempo, interpretar uma peça dessa vai ter sua relevância”, afirma Augusto Barbosa, ator que interpreta o padre.

Dessa vez a partir da perspectiva do personagem João Grilo, o público acompanha a trama tragicômica que o levou, junto a Chicó, Dorinha e seu marido, o padre e o bispo da pequena cidade de Taperoá, ao céu, para serem julgados por Jesus, Nossa Senhora e o até o próprio Encourado. “Só sei que foi assim” – frase icônica da obra – representa todo o sarcasmo e ironia que compõem o texto do dramaturgo paraibano Ariano Suassuna.

Com muita comédia e ironia, o Auto da Compadecida faz astutas críticas à desigualdade social, provoca reflexões de ordem moral e direciona o olhar para problemas que ainda se vive no interior do país. O elenco inteiramente nordestino é composto ainda por Ana Monteiro, Lis Gabrieli, Lucas Teixeira, Marco Ariel Lopo e Vitória Guimarães, atores em formação no Centro Ensaio.

“Poder exaltar a cultura popular nordestina é uma delícia. O texto questiona a dualidade do bem e do mal e mostra que o social e o ambiente em que a pessoa vive também pode favorecer as suas atitudes. Por exemplo, a situação que João Grilo está faz ele precisar descobrir artimanhas para sobreviver. ‘Passei 3 dias doente na cama e nem um copo de água me trouxeram’, ele repete na peça. Tudo de errado que eles faziam era por conta do medo. Medo da fome, da solidão” explica Amanda Cambeses que faz a Dorinha.

Um clássico transformado

O texto, que ganhou o palco do Centro Cultural Ensaio pela primeira vez durante uma mostra no ano passado, e depois estreou sua primeira temporada aberta ao público em maio deste ano, volta com uma cara nova. A cena no céu inicia e finaliza o espetáculo, dando uma dinâmica inversa à obra clássica de Ariano Suassuna, escrita em 1955. “O desafio maior foi justamente tentar encontrar a originalidade em algo que já foi tão interpretado tantas vezes, há tantos anos. A gente buscou trazer um frescor, tanto no roteiro quanto nas interpretações. A peça passou por um processo de rejuvenescimento na sua linguagem, no tempo, na forma do corpo se expressar, sem perder a característica do sertanejo. Mexer com o nome de Suassuna dá um temor, a gente buscou respeitar o trabalho do autor, mas deixando com a nossa cara”, ressalta o diretor Fábio Tavares que trabalha há anos com essa montagem.

A concretização do projeto veio a partir de um trabalho de pesquisa de cada um dos atores, na conexão com o seu personagem e com o contexto da obra. “Foi um trabalho de laboratório, de pesquisa dos elementos do Nordeste. Buscamos isso na literatura de cordel, filmes, documentos, entrevistas de Ariano. Falar de Ariano Suassuna é falar de cultura nordestina e é uma honra poder mostrar essa cultura para o mundo”, afirma Ramon Almeida (o Chicó na peça).

“As pessoas acham que é fácil interpretar personagens nordestinos, porque nós somos baianos. Mas o Nordeste é múltiplo, então foi um desafio se familiarizar com a realidade dura do sertão, com os trejeitos, a cultura ”, completa Augusto.

Porém, a essência da obra e o texto original não mudaram. A plateia é convidada a se conectar com histórias que já permeiam o imaginário popular, mas que continuam provocando identificação e reflexões pertinentes. A união entre a comédia e o sofrimento são características cruciais da peça Auto da Compadecida.

“É muito fácil se identificar com os problemas que são trazidos ali. Saber que a realidade daqueles personagens é tão dura e difícil, e ao mesmo tempo é regionalmente tão próxima, comove a gente. A comédia e o sofrimento que culminam de uma forma muito especial no texto de Suassuna. Então, a gente ri ao mesmo tempo que se emociona”, comenta o ator, que personifica o padre.

“É muito interessante ver essa montanha russa de emoções na plateia, ver como ele ao mesmo tempo que ela fica animada com a comédia, ela também sai refletindo sobre as situações trágicas que estão contidas no texto , sobre o emocional das personagens e o comportamento humano em geral. A comédia leva as pessoas a refletirem, que é a principal função de todos nós artistas. Comédia também é política”, completa Fábio, fundador do Centro Cultural Ensaio - espaço de formação artística, lá em 2009.

Os ingressos estão a preços populares, custando R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia) e podem ser comprados pela plataforma Sympla.

*Sob a supervisão do editor Chico Castro Jr.

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