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ICONOGRAFIA ESPIRITUAL

Bahia como nunca se viu: obras raras de Mario Cravo Neto voltam aos holofotes

CAIXA Cultural exibe lado menos conhecido de Mario Cravo Neto com obras nunca vistas

Eugênio Afonso
Por Eugênio Afonso
Autorretrato, de 1969, período da exposição
Autorretrato, de 1969, período da exposição -

Nome fundamental para a construção da identidade imagética da Bahia, um dos mais renomados fotógrafos baianos volta aos holofotes soteropolitanos através da exposição Mario Cravo Neto: Sob o Sol da Bahia.

Com curadoria do também fotógrafo – e filho de Mario –, Christian Cravo, a mostra, que reúne fotografias, objetos, vídeos, desenhos e pinturas em aquarela tem abertura hoje, às 19h, na CAIXA Cultural, com visitação aberta ao público a partir de amanhã.

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Christian conta que o propósito é revelar o período experimental de Cravo Neto, antes de sua consagração internacional, destacando sua intensa fase de experimentação artística e formação de linguagem própria.

“A mostra busca também reafirmá-lo na história da arte brasileira como um artista plural, que tensiona fronteiras entre documental e mítico, gesto e rito, entre a Bahia arquetípica e a subjetividade de um corpo em transformação”, destaca o curador.

Em cartaz até 2 de novembro de 2025, a exposição oferece ao público uma imersão na Bahia das décadas de 1960 e 1970, revelando um tempo e uma atmosfera que já não existem na contemporaneidade.

Imagem ilustrativa da imagem Bahia como nunca se viu: obras raras de Mario Cravo Neto voltam aos holofotes
| Foto: Divulgação

Mario Cravo Neto: Sob o Sol da Bahia apresenta um recorte da obra do fotógrafo entre 1967 e 1975. Uma fase marcada por intensa produção artística e encerrada por uma fatalidade que redefiniu sua trajetória – Mario sofreu um acidente de carro, em 1975, que o imobilizou parcialmente por um ano.

A partir daí, o artista passou a desenvolver uma técnica de retratos em estúdio com fundo branco — marco de sua projeção internacional e de sua ruptura com a sombra artística do pai, o escultor Mario Cravo Júnior.

“Esse recorte mostra os anos formativos e experimentais de Cravo Neto, um período marcado por descobertas, influências internacionais, colapsos pessoais e a busca por uma linguagem própria”, ressalta o curador.

“Foi nesse tempo que ele escolheu a fotografia como principal meio e consolidou temas e técnicas que moldariam sua produção futura. O recorte também busca destacar um lado menos conhecido de sua trajetória artística”, complementa.

Peças raras

Imagem ilustrativa da imagem Bahia como nunca se viu: obras raras de Mario Cravo Neto voltam aos holofotes
| Foto: Divulgação

Ao todo, o público vai se deparar, dentre outros trabalhos, com 40 fotografias coloridas e em preto e branco, que retratam pescadores, estivadores, plantações de tabaco e representações afrodescendentes em Salvador e no Recôncavo Baiano.

“São desenhos, pinturas, fotografias e colagens pouco ou nunca vistas, desvelando os caminhos técnicos, poéticos e, acima de tudo, experimentais que precederam uma produção mais emblemática, focada no imaginário afro-atlântico”, detalha o curador.

Dividida em quatro núcleos (fotografia, película em movimento, escultura e pintura), a mostra oferece uma leitura transversal da produção do artista, destacando seu processo criativo, influências e experimentações com cor, forma e espiritualidade.

Tem ainda as aquarelas que evocam o movimento das ondas do mar, enquanto os filmes em oito milímetros exploram o corpo em três diferentes dimensões: a dança, o trauma e o nascimento da filha. As obras serão exibidas em um projeto expográfico que integra vídeos, objetos e gravuras.

“Nem tudo é inédito, mas grande parte da exposição apresenta obras pouco ou nunca vistas. Portanto, há uma predominância de material raro e pouco acessado pelo público anteriormente. Como recorte do período, é a primeira vez que este conjunto é apresentado”, informa o curador.

Novo patamar

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| Foto: Divulgação

Christian lembra que Cravo Neto foi um artista baiano de grande relevância, especialmente na fotografia, onde construiu uma linguagem própria, profundamente ligada à espiritualidade afro-brasileira, ao corpo e ao território baiano.

“Ele elevou a fotografia a um novo patamar nas artes visuais brasileiras e influenciou gerações de artistas, tornando-se referência para a arte baiana e nacional”, salienta o filho.

Para ele, o legado de Cravo Neto é o de uma produção artística que atravessa linguagens (fotografia, escultura, pintura, cinema) e que dialoga com questões como identidade, espiritualidade, corpo, natureza e a cultura afro-brasileira.

“Ele deixou uma obra poética, complexa e intensa, que continua sendo estudada, preservada e difundida pelo Instituto Mário Cravo Neto. Hoje, o instituto preserva e difunde seu legado artístico em parceria com o IMS (Instituto Moreira Salles). Vale ressaltar que o propósito atual é o de colocar luz em fases e aspectos menos conhecidos de sua trajetória artística”, exalta o curador.

Ainda segundo Christian, o multiartista via a dignidade cotidiana do povo baiano com profundo respeito. “Ele fotografava pescadores, estivadores, plantações e corpos negros com uma abordagem poética e simbólica, buscando uma iconografia própria que captasse a potência espiritual e estética da Bahia”, finaliza.

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| Foto: Divulgação

Como parte do projeto, estão previstas também uma visita mediada com o curador (02.8), uma oficina de introdução à fotografia com Rafael Martins (09.8) e, no dia 28 de agosto, um bate-papo com Christian Cravo e o artivista Bené Fonteles.

Toda a programação é gratuita e pode ser conhecida no Instagram @exposicaomariocravoneto.

Realizada pela Via Press, a mostra integra a programação comemorativa dos 45 anos da CAIXA Cultural no Brasil e dos 25 anos em Salvador. O patrocínio é da própria CAIXA e do Governo Federal, com apoio institucional do Instituto Mario Cravo Neto.

Exposição ‘Mario Cravo Neto: Sob o Sol da Bahia’ / A partir de amanhã até 02 de novembro / Visitação: terça-feira a domingo, das 9h às 17h30 / CAIXA cultural (Rua Carlos Gomes, 57, Centro) / Gratuito

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