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CULTURA

Café no Bule é um convite a bons goles de música brasileira

Claudia Lessa

Por Claudia Lessa

06/10/2015 - 0:29 h

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CAfé no Bule
CAfé no Bule -

Café no Bule cheira a comida caseira ou a "café com bolo, no fim da tarde", como bem ilustra Zeca Baleiro, que, junto a Naná Vasconcelos e Paulo Lepetit, dá voz e imprime sonoridades instrumentais ao CD que acaba de ser lançado pelo selo Sesc.

O projeto é uma celebração ao Brasil de tantos ritmos, aqui representado por 13 composições inéditas, assinadas pelo trio. Nele, misturam-se xote, coco, samba de roda, maxixe, afoxé, ciranda e maracatu, entre outros "batucafros", como define Naná.

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As honras da casa são feitas pela cultura popular, aqui ressignificada por meio de estilosas harmonias e melodias, elaboradas por três polivalentes artistas que se encontraram pelo simples prazer de cantar e fazer música.

"A gente nunca sabe, quando começa um trabalho, como vai ser o resultado, embora sempre deseje que ele resulte numa coisa especial. Assim foi com este disco. Tínhamos uma intuição boa que iria virar um troço bonito. Mas confesso que nos surpreendeu. Tenho muito orgulho desse CD. Naná e Paulinho são artistas geniais e estar ao lado deles é uma honra pra mim", revela o cantor e compositor Zeca Baleiro.

Repertório

O CD Café no Bule abre com Cirandada Meia Noite, um convite à dança e à celebração da vida. O álbum segue com Batuque de Panela, em uma homenagem aos sambistas de terreiro; o afoxé caribenho A Dama do Chama-maré; o maxixe Caju; o jazz cigano-afro Yellow taxi; o coco de roda Mosca de Bolo e o "luau paulista" A Maré tá Boa.

Ainda no repertório, o semba de roda Vou de Canfonga e o batuque solto-virado Loa, que fecha o disco dando um salve à alegria da música popular brasileira. No disco, foram inseridas três vinhetas, que funcionam como "um copo d'água entre uma garfada e outra", metaforiza Naná.

No estúdio

A gravação de Café no Bule se deu ao longo de dois anos, no estúdio que Paulo Lepetit e Zeca Baleiro têm juntos, em São Paulo. "Eu nunca tinha feito letras de música, foi uma experiência divertida. Zeca é muito rápido, ele tem um intelecto aguçado e um grande senso de humor. Lepetit também é muito criativo e talentoso. Não tínhamos um repertório pré-definido, fomos fazendo, fui colocando os batuques de ritmos brasileiros. Foi muito prazeroso", descreve Naná.

Paulo Lepetit completa: "Foi tudo sem planejamento, sem rigidez. Fomos construindo juntos um disco harmonioso, optando por colocar o mínimo de instrumentos e a maioria deles foi tocado por nós mesmos. Nesse CD, até cantar eu cantei, estimulado pelo Zeca", diverte-se.

O lançamento do Café no Bule aconteceu no início de setembro, em São Paulo, sem a presença de Naná, que estava internado. No show, a percussão foi contemplada pelos samplers do próprio músico. Na apresentaçao, Zeca entoou Canção de Naná, dele e de Paulo Lepetit, feita à véspera. "É um acalanto pro Naná se restabelecer, um estímulo à força e à coragem, num momento delicado de saúde. É um canto de amizade. Ele está se recuperando e vamos tocar, em breve, pelo Nordeste e claro que queremos levar a Salvador", anuncia Zeca Baleiro.

O encontro

Antes de o café ter sido colocado no bule, teve a história do encontro entre o maranhense Zeca Baleiro, dono de um cancioneiro lírico/ácido/pop /refinado; o pernambucano Naná Vasconcelos, que deu uma dimensão multidisciplinar e internacional à percussão brasileira, e o baixista paulista Paulo Lepetit, cria da vanguarda paulistana, já tendo tocado com Itamar Assumpção e Cássia Eller.

Zeca e Naná se conheceram em São Paulo, em um desfile de moda, para o qual o percussionista fez a trilha sonora e Zeca participou, a convite do estilista Carlos Miele. "Desde então, ficamos amigos. Dividimos o palco num Carnaval de Recife, e, depois, numa edição do PercPan, em que levei mestres do tambor de crioula para Salvador. Nessa ocasião, Naná falou com muita admiração do Nego Dito (Itamar Assumpção) e aí colaborei pro encontro, por intermédio de Lepetit, um velho e bom parceiro, que produziu o CD (Isso Vai Dar Repercussão/2004), que só saiu um ano depois da morte de Itamar", recordou Zeca.

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