adblock ativo

Cafés traduzidos em sofisticação

Publicado sábado, 29 de novembro de 2008 às 11:09 h | Atualizado em 29/11/2008, 12:40 | Autor: Tatiane Freitas, do A Tarde
adblock ativo


Bebida mais consumida no mundo e sobretudo no Brasil – país número um no ranking de produção –, o café vem conquistando prestígio no universo da gastronomia. Ele é vendido em carrinhos na rua, servido gratuitamente em restaurantes após as refeições, mas também é a matéria-prima dos cardápios de sofisticadas cafeterias que vêm se multiplicando pelo Brasil.

Só no Salvador Shopping, inaugurado há pouco mais de um ano, funcionam, hoje, 14 cafeterias. Nesses estabelecimentos, o café ganha status de um ingrediente a ser apreciado, degustado e descoberto em suas ricas especificidades.

De “menorzinho”, ele virou irish coffee, basilic coffee shake, frapuccino, sagrati fresh coffee, café beilys, chocolat crème café, entre outros nomes de bebidas clássicas ou criadas pelas cafeterias, todas tendo o “pretinho“ como ingrediente principal.

Misturas – Os drinks podem ser alcoólicos ou não, misturados com sorvete ou frutas, aromatizados, decorados com caldas, batidos em coqueteleiras ou no liquidificador, mas todos têm o café como pretexto para a criação das misturas.
Pode-se dizer que os drinks são um convite a entrar no universo dos cafés especiais ou uma maneira de diversificar o consumo da bebida, sobretudo nas altas temperaturas do verão.

Basta imaginar a delícia que deve ficar a mistura entre café espresso, fatias de morango, sorvete de creme e folhas de hortelã, tudo batido com gelo. O resultado, o sagrati fresh coffee, é um inusitado drink refrescante à base de café.

A invenção é do barista e consultor em cafés Marcelo Aragão, também proprietário do Sagrati Cafés Especiais, recém-inaugurado no andar térreo do Shopping Paseo, no Itaigara.

Lá também é possível experimentar o requisitado Rúbia café, que mistura café espresso, mousse de nozes e mel. Ele justifica que rúbia é o nome da flor do café e, também, o nome da mãe dele, que assina algumas das delícias do cardápio de lá.

Para os admiradores da bebida, Marcelo avisa que um mezzanino acabou de ser inaugurado na cafeteria e, lá, irão acontecer cursos básicos de baristas e encontros degustativos de diferentes espécies de café. A primeira turma do curso está programada para janeiro.

Shakes de café –  A cafeteria norte-americana Starbucks ficou famosa no mundo inteiro – hoje tem filiais em 170 países – por apresentar uma carta de cafés em que os drinks são os itens mais pedidos. Feitos, em sua maioria, com café, leite, baunilha, caramelo e chocolate, as bebidas agradam clientes de todas as idades.

A empresária Cida de Roussan, do Lucca Cafés Especiais (Shopping Iguatemi e Salvador Shopping), comenta que os shakes são uma alternativa encontrada pelas cafeterias de ampliar a clientela. “O público jovem é o principal admirador dos drinks e shakes à base de café. Acho que as pessoas aprendem a apreciar o sabor puro do café à medida que vão envelhecendo“, arrisca.
Para a empresária do ramo e  apaixonada conhecedora da bebida, a riqueza do café passou a ser descoberta pelos brasileiros há pouco tempo.

O Lucca Café, aliás, é um convite para quem quer conhecer e degustar os diversos sabores de grãos especiais de café.
Lá, é possível escolher o grão entre nove opções expostas na cafeteria, moer, coar na própria mesa e saborear. O desafio é descobrir a diferença entre os sabores e resistir a esse universo mágico. 


RECEITAS: 

Sagrati fresh coffe

Ingredientes
3 bolas de sorvete de creme
4 morangos fatiados
5 folhas de hortelã
1 toque de limão
1 espresso duplo (60 ml) ou 100 ml
de café coado

Preparo
Misturar todos os ingredientes no liquidificador ou no shaker. Servir numa taça grande de sorvete decorada com pedaço de morango na borda e com calda de morango.

Chocolat crème café

Ingredientes
1 dose de licor de chocolate crema (sugestão: Cordon d´or)
1 xícara de 30 ml  de café espresso ou uma xícara de 50 ml de café coado
100 ml de leite gelado
Calda de chocolate a gosto
Gelo a gosto

Preparo
Misturar todos os ingredientes, menos a calda de chocolate, na coqueteleira, e decorar a taça com calda e raspas de chocolate 
 Caffé mocca
Luciano da Mata | Ag. A Tarde
Ingredientes
 1 espresso (30 ml)
30 ml de leite cremoso
30 ml de leite vaporizado
15 ml de calda de chocolate belga (pode ser de outro chocolate amargo)

Preparo
Extrair o espresso, acrescentar a calda de chocolate belga e, em seguida, o leite cremoso. Por último, acrescentar a espuma do leite vaporizado. Para decorar, desenhar espiral com a calda de chocolate e abrir em flor a espiral com um palito. 
Receita clássica italiana

Orange royale

Ingredientes
1 espresso (30 ml)
15 ml de suco de laranja
15 ml de Contreau
6 cubos de gelo

Preparo
Bater todos os ingredientes no liquidificador. Servir numa taça de sorvete. Uma sugestão é  decorar a taça com uma camada de  chantily e raspas de limão.

SÓ PRAZER DENTRO DE UMA XÍCARA

Ele tem sabor marcante, aroma dos melhores, é estimulante e dizem que pode até viciar. Os especialistas preferem defender a tese de que o café não vicia, mas vira um hábito, de tão bom que é.

O certo é que, assim como o vinho, o café vem encantando os brasileiros que se dispõem, fisgados pelo prazer, a mergulhar no universo dessa iguaria, que tem o Brasil como principal produtor, mas a Itália como mais requintado consumidor.

“O Brasil é o produtor mundial de café, mas foram os italianos que desenvolveram as melhores técnicas de se obter um bom café“, reforça a empresária Cida de Roussan.

Foi na Itália que nasceu as mais clássicas apresentações, como o capuccino (1/3 de café, 1/3 de leite e 1/3 da crema do leite vaporizado), o espresso (30 ml de água e 7 gr de pó) e o ristretto (20 ml de água e 7 gr de pó)

Segundo ela, o hábito brasileiro de apreciar café de qualidade é novo. “A cultura do café açucarado é uma prova disso. O açúcar é uma forma de mascarar o amargor excessivo, que é uma das característica do café ruim“.

O melhor grão é classificado como especial e está acima do gourmet. Trata-se de espécies com número mínimo de defeitos, resumidos da sigla PVA (pretos, verdes e ardidos).

“Para se ter idéia da complexidade para se produzir sacas de um grão especial, dos 300 mil produtores de café no Brasil, só 50 fazendas produzem café com essa classificação“, diz.

Espresso com s  – Quando o que se busca é sabor, o espresso é o elixir para os amantes, por potencializar as características de aroma e sabor do café.

O nome espresso quer dizer extraído sob pressão, daí a origem da grafia com s e não com x, como comumente é usado no sentido de “café rápido“. Tanto que “bar“, de barista, é uma unidade de medida de pressão.

“Mas nem todo café tem vocação para o espresso“, lembra Cida. Duas “raças“ de café são as mais utilizadas no mundo: a arábica e a robusta.

“A robusta é a base do café solúvel e é inferior em aroma e sabores. Já a arábica, base do espresso, necessita de um cultivo mais cuidadoso, é mais sensível e apresenta sabor e aroma muito mais requintados“, explica Marcelo Aragão.

Ele aproveita para lembrar que os cafés das fazendas da Bahia estão cada vez mais valorizados e premiados em testes, com sacas atingindo valores altos no mercado. 

adblock ativo

Publicações relacionadas