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FLIPELÔ

Casa do Benin reabre com debate sobre preservação da memória e acervo de Pierre Verger

Equipamento cultural foi interditado após caminhão atingir fachada no Pelourinho

Isabela Cardoso
Por
Casa do Benin reaberta após seis meses fechada
Casa do Benin reaberta após seis meses fechada - Foto: Clara Pessoa/Ag. A Tarde

Fechada desde fevereiro, quando um caminhão atingiu sua fachada no Pelourinho, a Casa do Benin reabriu as portas na tarde desta quinta-feira, 6, durante a Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô).

O retorno do equipamento cultural marca a retomada das atividades após obras de recuperação e a restauração completa do acervo de arte afrodiaspórica.

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A retomada das atividades começou com uma edição especial do projeto "Patrimônio É...", sob o tema "Memória Publicada", que debateu a publicação de livros, pesquisas e acervos digitais para a preservação de saberes tradicionais. O encontro também marcou o lançamento de duas revistas produzidas pelo projeto.

Reconexão, acervo e memória ancestral

Presidente da Fundação Gregório de Mattos (FGM), responsável pela gestão da Casa do Benin, Fernando Guerreiro destacou, em entrevista ao portal A TARDE, o simbolismo da reabertura para a capital baiana.

"A gente hoje está vivendo um dia muito especial, porque essa casa faz parte da memória da cidade. Principalmente a memória preta de Salvador. Aqui a gente tem uma ponte de conexão entre Salvador e o Brasil. E essa casa é uma casa de resistência, é uma casa de memória, é uma casa de ancestralidade.... Agora está retomando a pleno vapor, recuperando o acervo, recuperando toda a parte cultural e entregando de novo", declarou Guerreiro.

Fernando Guerreiro, presidente da Fundação Gregório de Mattos (FGM)
Fernando Guerreiro, presidente da Fundação Gregório de Mattos (FGM) - Foto: Clara Pessoa/Ag. A Tarde

A requalificação abrangeu também as peças do acervo permanente do espaço. "Nesses 10 anos de Flipelô, aproveitamos esse momento para requalificar a casa e restaurar o acervo doado pelo Pierre Verger, que está lindo e pronto para receber toda a população", afirmou Manuela Sena, gerente de equipamentos culturais da FGM.

Para Jane Palma, gerente de bibliotecas da fundação, a atuação na Flipelô reforça a formação educativa e cultural.

"Nesses 10 anos de Flipelô, nós sempre estamos atuando dentro da feira com a literatura de matriz africana com foco na linguagem infanto-juvenil... Programamos para esses dois dias de Flipelô, para poder estarmos trabalhando a linguagem do Afrobeto, uma professora que desenvolveu um alfabeto através dos elementos africanos. Tipo, o A é de acassá, o V é do vatapá. Você trabalhar todos os elementos dessa história da África e os elementos que estão ligados África-Brasil, de maneira lúdica, mas também bem educativa, focada na valorização da cultura afro dentro de nossa Salvador", detalha.

Pesquisa e resistência em debate

A roda de conversa sobre patrimônio cultural reuniu pesquisadores e educadores para discutir a salvaguarda da memória e da identidade negra.

A pesquisadora, historiadora e escritora Vanda Machado enfatizou o papel da memória na construção do pertencimento e da educação. "A memória nos traz a responsabilidade e a possibilidade de vivenciar um tempo antigo que reverbera em quem somos. Nós não somos mais um barco, somos pessoas que pensam, criam e fazem do seu navio guerreiro a sua resistência. Trabalho com a formação de educadores pensando na potencialidade de cada história mítica para preservar a luta, os afetos e o jeito de estar junto, diminuindo as diferenças", pontuou a escritora.

O arquiteto, urbanista e professor da Universidade FBA, Fábio Velame, apresentou os resultados de um estudo recente sobre o patrimônio nigeriano. "Desenvolvi nos últimos quatro anos uma pesquisa colaborativa sobre o patrimônio material e imaterial da cidade de Oyó, para instruir o processo de reconhecimento como patrimônio da humanidade pela Unesco. Elaboramos um livro-dossiê com todo esse conjunto, lançado recentemente com a presença de representantes de universidades nigerianas e da comitiva da cidade de Oyó", relatou Velame.

A Casa do Benin segue com funcionamento e programação abertos ao público até sábado, 8, das 9h às 17h.

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