CULTURA
Clientes reclamam da falta de posicionamento sobre shows cancelados pela pandemia

Se perguntássemos para qualquer pessoa no final de 2019 sobre como seria o ano seguinte, com certeza qualquer resposta seria incapaz de traduzir o tamanho dos impactos que foram causados em detrimento da pandemia do novo coronavírus. Além das inúmeras vidas perdidas pela doença, o mundo ainda presenciou paralisações no setor comercial e turístico, com diversos eventos adiados e, em alguns casos, até mesmo cancelados.
Esses cancelamentos, em si, talvez nem fossem necessariamente o grande problema a ser colocado em questão, visto que, diante do cenário atual, as medidas são consideradas necessárias com o intuito de evitar uma aglomeração capaz de espalhar ainda mais o vírus e gerar contaminações à população. O debate tem girado em torno da falta de perspectiva e respostas relacionadas aos consumidores que chegaram a adquirir ingressos para tais eventos.
Basta uma rápida pesquisa em qualquer publicação de empresas que realizam vendas de ingressos, para perceber a insatisfação dos consumidores por conta da demora em se ter uma definição quanto as possibilidades de reembolso, remarcação de evento ou disponibilização do valor pago em crédito, com o intuito de adquirir um outro serviço futuramente.
"Responder as pessoas no e-mail e no aplicativo que é bom, nada! Cansada [...] Quero o meu dinheiro de volta! Estou desde 16/10 tentando contato, até agora não tive um retorno!", reclama um dos clientes. "Nenhuma notícia sobre o meu reembolso desde junho", também criticou outra consumidora.
Em contato com o Portal A TARDE, uma influenciadora baiana, que preferiu não se identificar, contou a experiência negativa que tem vivido com a empresa Ingresso Rápido, após adquirir as entradas para um dos shows da turnê do grupo americano Backstreet Boys. Na ocasião, a 'boyband' se apresentaria em solo brasileiro nos dias 13, 14 e 15 de março, mas somente as duas primeiras apresentações aconteceram.
"Poucas horas antes do show, a Ingresso Rápido e a Live Nation divulgaram que o evento seria adiado, muitas pessoas de todo o país já estavam na cidade para a apresentação, sendo um prejuízo redobrado, já que envolveu também passagens e hospedagem. Desde então, nenhuma das empresas informou mais nada a respeito do evento. Muita gente já mandou e-mailse mensagens em todos os canais possíveis, mas não foi efetuado o reembolso e nem disponibilizado o valor em crédito, além de, se quer permitir o cancelamento ou dar um posicionaram sobre o show", explicou a jovem.
Segundo ela, a empresa chegou a pronunciar que uma nova data seria definida para que o show pudesse ocorrer ainda em 2020. No entanto, ninguém esperava que a pandemia se desenrolaria em tamanha dimensão. Desde então, muitos consumidores terminaram ficando sem informação.
Situação parecida também aconteceu com o consultor comercial Gabriel Chaves, natural de Ribeirão Preto-SP. Ele contou ao A TARDE que chegou a adquirir as entradas para o show da banda de hard rock, Kiss, que se apresentaria em sua cidade em meados de outubro do ano passado. O evento foi cancelado e o paulista ainda chegou a conseguir contato com a empresa solicitando ressarcimento, mas, desde então, também não obteve mais nenhum retorno.
"Chegaram a responder dizendo que o pedido do reembolso já havia sido feito, mas depois não tive mais nenhum retorno, não atendem ligação também. Em contato com meu advogado, ele informou que, perante a lei, a empresa tem um período para poder me devolver o dinheiro, então minha expectativa está dentro desse prazo. Caso o reembolso não ocorra e não tenha nenhuma outra forma de benefício, vou ter que entrar na justiça", explicou Gabriel.
Lei nº 14.406/2020
A lei em questão, mencionada pelo consultor comercial, foi a de número 14.406/2020, sancionada pelo presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido) e publicada no Diário Oficial da União (DOU) em 25 de agosto do ano passado, que prevê a disponibilização de crédito ao consumidor ou que seja assegurado a remarcação do serviço, não havendo a necessidade, por parte da empresa ou do prestador, de reembolso em caso de adiamento.
Caso o evento adquirido seja cancelado, a resolução prevê que "os pagamentos efetuados pelos consumidores poderão ser restituídos pelo prestador no prazo de até 12 meses, contado a partir do encerramento do estado de calamidade pública", mas também podendo haver um acordo durante a pandemia, envolvendo a empresa e o consumidor.
No caso de remarcação do serviço, a mesma deve ser feita em até 18 meses após o fim do estado de calamidadee nos mesmos valores e condições originalmente contratados. Já o crédito recebido poderá ser utilizado pelo consumidor no prazo de 12 meses, contado a partir da mesma data. Neste último caso, seriam descontados os valores referentes aos "serviços de agenciamento e de intermediação já prestados".
Para que não ocorra nenhum custo adicional, como taxas de remarcação ou multa contratual, o consumidor deverá entrar em contato com o prestador do serviço no prazo de até 120 dias da comunicação de adiamento ou cancelamento do evento.
Posicionamento da empresa
Contatada pelo Grupo A TARDE, a Ingresso Rápido se posicionou dizendo que está seguindo as diretrizes previstas pela referida lei mencionada. "Para eventos adiados, o reembolso não está disponível e os ingressos permanecem válidos para as novas datas, as quais as produtoras dos eventos estão trabalhando para confirmar e divulgar o quanto antes", explicou a empresa.
Em caso de haver alguma atualização sobre os shows que tiveram suas datas adiadas, a Ingresso Rápido garantiu que será comunicado em seus perfis oficiais nas redes sociais.
Responsável pela produção dos shows dos Backstreet Boys, a empresa Live Nation foi procurada pela reportagem. No entanto, até o momento do fechamento desta matéria, a multinacional ainda não se pronunciou sobre qualquer medida adotada.
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