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Conheça a história de Cacai, a primeira influenciadora digital com síndrome de Down

Publicado quinta-feira, 21 de março de 2019 às 09:39 h | Atualizado em 21/01/2021, 00:00 | Autor: Bianca Carneiro | Fotos: Divulgação
Cacai é embaixadora da causa pelo projeto Ativa 21
Cacai é embaixadora da causa pelo projeto Ativa 21 -

Esta quinta-feira, 21, começa de forma especial para a estudante e atriz, Cailana Eduarda Bauer Lemos, de 24 anos. Talvez você não a identifique assim, pelo nome completo, mas certamente já ouviu falar dela de outro jeito. É que a Cailana, mais conhecida como Cacai Bauer nas redes, é considerada a primeira influenciadora digital com síndrome de Down no mundo.

Para a data, em que se comemora o Dia Internacional da Síndrome de Down, a agenda não podia ser mais do que significativa. Ela, que é uma embaixadora da causa pelo projeto Ativa 21 e já participou de diversos programas de TV, eventos políticos e iniciativas sobre o tema, participa da sessão especial de homenagem na Câmara de Vereadores, em Salvador. Além disso, a baiana também estrela a campanha “Ser Down” da Apae Salvador, veiculada na televisão desde a terça-feira, 19.

Paixão pelo humor

É principalmente de fazer paródias com músicas conhecidas e vídeos de humor com personagens, que a Cacai gosta. E a fórmula não desagradou. Com 119 vídeos na conta, o canal do Youtube dela já acumula milhões de visualizações e mais de 276 mil inscritos. No Instagram, que foi verificado recentemente, o sucesso não é diferente. Mais de 25 mil seguidores acompanham suas postagens que incluem ainda, fotos da sua rotina. Moderna, Cacai também possui perfis em outras redes como Tik Tok e Kwai, nas quais continua compartilhando seu dia a dia com milhares de fãs.

Segundo a mãe de Cacai, a administradora Janaína Lemos, o interesse pelas mídias veio cedo. “Desde pequena ela sempre foi muito comunicativa, nos mostrou o quanto gostava de palco. Nas apresentações da escola mesmo, era ela quem ia pra frente”, lembra.

Trazendo para o mundo virtual o que mais gostava na vida real, a influenciadora estreou em fevereiro de 2016 com o vídeo “Meu diário não”, no qual brinca com o fato do seu irmão mais novo ter curiosidade para ver o que ela escrevia nos seus mais de sete diários. “Duas semanas depois, o canal no Youtube já estava com mais de 200 inscritos. Não imaginamos todo esse sucesso”, disse Janaína.

De três anos para cá, o tipo de conteúdo postado pouco mudou. Tudo busca trazer a rotina de Cacai e divertir seus seguidores através do humor que ela assiste nos programas infantis e tanto adora fazer. Usando de muita criatividade, músicas como “Vai Malandra” e “Jenifer” viraram canções originais como “Vai atrasada” e “O nome dela é preguiça”. O gosto pelo humor é tanto, que Cacai criou sozinha o personagem “Cailano”, protagonista de vários vídeos e postagens.

Rede especial

Porém, nem só de comédia vive Cacai. Ela também separa parte de seu tempo para compartilhar suas experiências, falar de temas importantes e dar conselhos de forma descontraída aos seguidores. Para este ano, a ideia é investir em mais postagens voltadas à Síndrome de Down e num projeto em que ela mesmo cantará as músicas, que costumam ser gravadas pela irmã Luiza.

Aliás, a família atua como uma verdadeira equipe de produção. Além de Luiza que canta nos vídeos musicais, o pai, Dalmo, faz a assessoria de imprensa e o design do canal no Youtube, o irmão mais novo, Caio ajuda nas gravações, e por fim, a mãe Janaína, filma e edita o material, função que inclusive, aprendeu justamente para poder auxiliar a filha. No entanto, o dia a dia de estrela não atrapalha as atividades diárias como ir à escola, fazer academia e outras tarefas. Atualmente, a blogueira está no segundo ano do ensino médio em um colégio estadual. “Amo matemática”, declara.

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A família de Cacai contribui na produção de conteúdo

Quem acompanha a influenciadora nota que ela costuma chamar os seus espectadores de especiais. “É porque todos são lindos e especiais iguais a mim”, afirma Cacai. Apesar das parcerias realizadas com empresas dos mais diversos segmentos, ela diz que gosta mesmo é de ser reconhecida nos lugares e claro, de ajudar outras pessoas a ganharem autoestima.

“Pais que têm filhos com Down e se identificam com as redes dela. Nesse processo, eu acabei conhecendo a mãe de uma menina de cinco anos que me falou que reza para sua filha ter o mesmo desenvolvimento de Cacai. Isso emociona muito”, conta a mãe dela.

Porém, nem só de fãs vivem as redes de Cacai. Durante a sua vida de digital influencer, ela já teve que lidar com as más recepções. Mas quando fala sobre esses chamados “haters” da internet, ela mostra atitude. “Sabe o que eu faço com os haters? Ignoro! Os meus fãs sempre irão me defender”, diz.

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