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Criadores de curta sobre Maria Quitéria lançam campanha

Publicado terça-feira, 13 de julho de 2021 às 06:05 h | Atualizado em 12/07/2021, 23:04 | Autor: João Gabriel Veiga*
Disponível no YouTube, curta-metragem Maria Quitéria: Honra e Glória quer virar um longa | Foto: Fire Studio Animation | Divulgação
Disponível no YouTube, curta-metragem Maria Quitéria: Honra e Glória quer virar um longa | Foto: Fire Studio Animation | Divulgação -
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“Nós temos uma mania no Brasil de querer importar heróis”, diz o diretor feirense Antonio Jesus da Silva. Coautor do curta-metragem de animação Maria Quitéria: Honra e Glória com Michel Nery, Antonio quer colocar sob holofotes os heróis que já temos por aqui na sequência do curta. Com campanha de financiamento coletivo (crowdfunding), a dupla planeja expandir a história de Maria Quitéria em um longa-metragem como sequência.

“Olhamos para heróis lá de fora quando já temos os nossos aqui, e nós desconhecemos. Não conhecemos a fundo a nossa história, e por isso a gente não se inspira”, ele explica. Além disso, Antonio vê um problema além nisso: “Por não se inspirar, a gente tem a ideia de que não somos capazes de muitas coisas. Mas quando descobrimos que tem alguém da mesma terra que a gente que foi capaz de atos grandiosos…”.

Para ele, seu objetivo sempre foi contar uma história inspiradora sobre sua terra natal. Convidados em 2009 para participar da HQ Maria Quitéria: A Injustiçada, lançada em 2014 pela Clínica dos Livros, Antonio e Michel viram no formato do audiovisual um canal para amplificar essa história da heroína do século XIX, que eles passaram conhecer muito bem.

No entanto, ao recontar a história da lenda baiana, a dupla não queria simplesmente fazer uma documentação histórica, mas sim compreender Maria Quitéria enquanto pessoa. “Nosso norte sempre foi tentar entender o motivo de uma mulher que nasceu 200 anos atrás sair de casa e ir à guerra. Quando começamos a produção, ficamos nos perguntando o motivo de cada ação, o que a motivou a fazer cada coisa”, ele explica, citando a relação de Maria Quitéria como uma das chaves desse estudo.

“O nosso foco na segunda parte é mostrar as nuances da relação dela com a madrasta. A gente sempre pensou nesse filme como o seguinte: como era a formação dela, o motivo de ela ter feito tudo isso, a infância dela com a madrasta, o recrutamento no batalhão e o treinamento”, diz o diretor, explicando como a produção vai além dos detalhes dados pelos livros de história sobre a Guerra da Independência do Brasil.

Ele também conta que, por a animação ser um formato comumente endereçado ao público infantil, havia uma preocupação em apresentar Maria Quitéria a essa audiência mais jovem de uma forma que houvesse uma conexão entre eles. “O primeiro filme conta muito da infância dela, da ternura, do olhar da gentileza. Isso faz parte da trajetória dela”, diz Antonio.

Nem Joana nem Mulan

Além de fazer justiça ao público conterrâneo, a dupla também busca defender a identidade de Maria Quitéria, explicada muitas vezes com a versão nacional de outras figuras, como a chinesa Mulan, que também se disfarçou de homem para poder lutas suas batalhas. “Quando se fala no nome dela, e é algo que a gente não gosta muito, é comum compará-la a Joana D’Arc, dizer que ela é a Joana D’Arc brasileira. Ela é Maria Quitéria. Se hoje a gente já vê os preconceitos que a mulher sofre, imagine os obstáculos que ela transpôs há tanto tempo atrás para fazer o que fez”, afirma Antonio.

Com data de lançamento no 2 de julho de 2022, próxima celebração da Independência da Bahia, a dupla iniciou uma campanha de crowdfunding para apoiar os próximos dez meses de produção. A campanha no site Catarse se estende até o dia 31 de agosto, e deve cobrir os gastos da realização do longa de animação, executado por uma equipe inteiramente de Feira de Santana.

Para Antonio, isso faz parte da grande lista de desafios em trabalhar com audiovisual e animação. “Se já é difícil no Brasil, imagine no interior da Bahia”, observa.

O curta foi financiado por leis de incentivo fiscal cultural, porém a expansão para um filme mais longo é um projeto independente.

Porém, ele vê nesta campanha mais uma chance de se conectar com o público – uma relação que começou com a entrada do curta-metragem em diversos festivais em que foi premiado pela plateia. Ele conta também que o plano é exibir o filme em festivais e, depois, disponibilizá-lo gratuitamente para que todos tenham acesso.

Qualquer um pode contribuir com valor mínimo de R$ 10, podendo receber brindes em troca de seu apoio, que vão de nome incluído no filme a camisas, chaveiro e caricaturas.

Para mais detalhes de como apoiar, basta visitar o perfil do Fire Studio Animation no Instagram.

*Sob supervisão do editor Chico Castro Jr.

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