Festival VIVADANÇA inicia nesta sexta com foco na diversidade

No formato híbrido, a mostra vai até 08 de maio com apresentações presenciais e virtuais

Publicado quinta-feira, 28 de abril de 2022 às 06:03 h | Atualizado em 27/04/2022, 22:05 | Autor: Eugênio Afonso
Dançarina senegalesa Germaine Acogny abre o festival
Dançarina senegalesa Germaine Acogny abre o festival -

Nesta sexta-feira, 29, Dia Internacional da Dança, ‘faça como Isadora (Duncan) que ficou na história por dançar como bem quisesse. Um movimento qualquer sobe à cabeça e os pés, sinta o corpo, você está solto e pronto pra vir’, como bem vaticinou Rita Lee, a rainha do rock brazuca, na música Dançar pra não dançar.

E é justamente para ser um espaço de celebração da dança, que estreia, nesta sexta, no teatro Vila Velha, a 15ª edição do VIVADANÇA Festival Internacional.

Este ano, além de ser um festival híbrido (presencial/virtual), o evento faz uma interlocução com a dança de diversos países africanos e toda a programação é gratuita.

De acordo com Cristina Castro, coreógrafa e diretora-geral do VIVADANÇA, o festival quer ser um espaço de conexão com artistas da dança, estimular e fomentar novos talentos, além de colocar a Bahia na rota de eventos culturais internacionais.

“A missão do festival é criar um espaço de visibilização e conexões para a dança, tanto para alavancar o mercado quanto para mostrar novas tendências. A Bahia é um celeiro de muitos talentos da dança e isso faz com que a gente seja um lugar muito especial de convergência de artistas”, pontua Castro.

A abertura acontece às 18h, no próprio Vila, com a exibição presencial de Somewhere at the Beginning, espetáculo solo da dançarina e coreógrafa senegalesa Germaine Acogny. A obra de Acogny terá também uma sessão online, às 20h, no palco virtual Stage Pluss - stagepluss.com.

Cristina acredita que não há possibilidade de pensar em um festival, hoje em dia, sem uma interseção com os espaços virtuais. “O híbrido é o presente e, com certeza, o futuro. A tecnologia nos dá a possibilidade de nos comunicar com o mundo, então o palco virtual vem somar ao presencial. Paralelo a isso, já existe uma produção em curso de conteúdos híbridos muito interessantes, e não podemos negar que esse material faz parte de uma expressão das questões da contemporaneidade”.

Para completar a programação desta sexta tem a abertura da exposição VIVADANÇA, uma releitura da identidade visual de edições anteriores, concebida pelo multiartista baiano Pedro Gaudenz a partir de fotografias de João Milet Meirelles, Márcio Lima e Tiago Lima. A curadoria é da própria Cristina e a mostra fica em cartaz até 08 de maio no Shopping da Bahia.

Diversidade mundial

Com representantes de 17 nações – entre elas, Burquina Faso, Cabo Verde, Guiné, Madagascar, Marrocos, Moçambique, Nigéria, Ruanda, Senegal, Togo, Zimbábue, Argentina, Ilha de Guadalupe, Peru, Espanha, França e Portugal –, o festival segue até 08 de maio.

O critério para a seleção dos participantes foi calcado na qualidade, inovação e diversidade dos trabalhos. “Somos diversos, precisamos entender, admirar e conviver com as diferenças. Ter a percepção do que é necessário estar próximo da gente”, afirma a diretora.

Composto por residências artísticas, espetáculos de dança nacionais e internacionais, batalha de break, intercâmbios, workshops, seminários, oficinas, documentários e podcast, o evento vai apresentar espetáculos presenciais não só no Vila, mas também no Teatro Sesc Senac Pelourinho e no MAM. 

Para Matias Santiago, coreógrafo e coordenador da mostra Casa Aberta, agendada para acontecer virtualmente a partir de 03 de maio - durante 48 horas na plataforma Stage Pluss -, o propósito do encontro é difundir as produções de novos grupos e artistas, focando no desenvolvimento da criação da dança no Estado. 

“A mostra é uma ação do festival que fomenta a produção artística baiana, oferecendo um espaço para a apresentação de trabalhos coreográficos, nos diversos segmentos (solos, duos, trios, grupos) e estilos (balé, clássico, jazz, moderno, contemporâneo, performance, afro, regional, hip hop, dança do ventre, instalação, de salão, folclórica, etc.), além de performances, instalações e intervenções urbanas”, detalha o coreógrafo. 

Outra atividade do festival é o seminário Brasil-África-Brasil, que acontece dia 2 de maio, tem coordenação do bailarino e coreógrafo paulista Rui Moreira e vai enfocar a África e as africanidades pelo prisma da formação artística no campo da dança.

“A importância desse seminário é a possibilidade de retomarmos uma força-tarefa no sentido do reconhecimento das relações que temos com essa matriz africana tão potente e presente no nosso cotidiano. Sempre é bom aprofundar um pouco mais para que a gente amplie e se aproxime, inclusive, dessa África contemporânea. É um convite à reflexão”, explica Moreira

Debutando

Os 15 anos do VIVADANÇA, inegavelmente, consolida a Bahia na rota de eventos culturais calendarizados, além de afirmar a potência da dança como instrumento cultural e transformador.

“O festival não somente alavanca indicadores artísticos como também movimenta uma cadeia da economia muito importante. A sustentabilidade de um modelo tão positivo de um evento cultural deve ser celebrada e vista como um lugar que devemos proteger para que tenha vida longa. Ele confirma que podemos estabelecer a arte como uma ideia não somente de desenvolvimento intelectual, mas principalmente econômico e social”, comemora Castro.

A programação completa do festival pode ser conhecida no festivalvivadanca.com.br. O projeto é uma realização da Baobá Produções Artísticas e foi selecionado pelo Edital Eventos Calendarizados, com apoio financeiro do Governo do Estado através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura do Estado da Bahia.


Serviço

O quê: 15ª edição do VIVADANÇA Festival Internacional

Quando: 29 de abril a 08 de maio

Onde: festivalvivadanca.com.br

Entrada: Gratuito

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