Mostra Artística Virtual do Encontro de Interação em Dança pode ser vista online

Publicado sexta-feira, 30 de abril de 2021 às 06:06 h | Atualizado em 29/04/2021, 23:31 | Autor: Eduarda Uzêda

No Mês da Dança vale aplaudir profissionais e autodidatas da área que não estão se abatendo diante do quadro da pandemia. E quem não teve oportunidade de ver um importante projeto que dá visibilidade aos dançarinos do interior ainda pode conferir a Mostra Artística Virtual do Encontro de Interação em Dança – Eidan Ano 8 –, que aconteceu no final de março e ainda está na rede.

Coreografias de grupos, duos e solos de oito cidades baianas – Salvador, Lauro de Freitas, Juazeiro, Valença, Alagoinhas, Cipó, Ribeira do Pombal e Santo Amaro – ainda estão disponíveis para o público em formato online.

Interessados podem acessar o canal de transmissão no YouTube (busque Eidan Ano 8, mostra artística dos dias 30 e 31) e ver trabalhos de no máximo dois minutos que se destacam pela criatividade.

Tem uma multiplicidade de ritmos para todos os gostos. Da valsa ao pagode baiano, da dança contemporânea aos ritmos urbanos, da dança de salão ao movimento de matriz africana, do jazz ao balé. Os temas destacam atualidades como isolamento social, religiosidade, meio ambiente, violência, entre outros.

Idealizador da mostra artística, Marvan Carlos afirma que foram selecionados 16 trabalhos de dança de 144 inscritos. “Graças ao apoio financeiro do Estado da Bahia, através da Secretaria de Cultura e da Fundação Cultural do Estado da Bahia, através da lei Aldir Blanc Bahia, nove grupos tiveram recursos de RS 2 mil cada, e sete duos e solos, R$ 1 mil cada, como incentivo a continuar produzindo dança”, afirma.

Ele, que é graduado em dança pela Universidade Federal da Bahia, afirma que a ideia do Encontro de Interação em Dança (Eidan) surgiu em 2010, enquanto estudava na Ufba. Através do projeto de pesquisa Fazendo Arte, do professor David Iannitelli, professor da instituição, ele catalogava grupos de dança em Lauro de Freitas.

Areia Branca

Marvan conta que, na comunidade de Areia Branca, em Lauro de Freitas, descobriu jovens que dançavam apenas vendo vídeos, sem nenhum professor. Natural de Valença, ele diz que esta era a mesma realidade no seu município e, por isso, levou os jovens para Valença, para a troca de experiências.

Depois disso foi criado o Eidan, que propõe a troca de saberes ao conectar a Escola de Dança da Universidade Federal da Bahia (Ufba), as redes cooperativas, organizações públicas/privadas, como a Rede do Movimento de Teatro Amador da Bahia, o Atelier do Movimento Artístico – AMA e a Escola Contemporânea de Dança e Artes, bem como a participação e atuação de artistas independentes.

Entre as coreografias selecionadas está Axé que nos Alimenta, de Lauro de Freitas. Trata-se de um solo de Hainner Souza, 26 anos, dançarino, coreógrafo, diretor, produtor, pesquisador e morador do bairro de Itinga. Na sua coreografia de dança afro contemporânea, Hainner afirma que destaca a oferta de uma oferenda com pedidos de um mundo melhor.

Ele usa uma saia branca e uma espada de Ogum. “De branco fui pedindo paz, saúde, diversidade”, afirma o dançarino autodidata, que elogia o projeto em que participou pela primeira vez. “Fiquei feliz. Estava desempregado e foi muito bom este aporte financeiro”, conta.

Omin Odo, de Lauro de Freitas, ressignifica as movimentações da orixá Oxum, evidenciando o acolhimento materno e o empoderamento feminino. A coreografia, inspirada nas danças afro-brasileiras e contemporâneas, foi mostrada por estudantes de dança que fazem pesquisas baseadas nas relações da religião do candomblé.

O coreógrafo Alexsandro Palmeiras, que faz curso na Escola de Dança da Fundação Cultural, afirmou sobre sua participação no evento: “Foi uma experiência incrível”.

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Submerso, com o Soul Movement Project, trata da sobrevivência, em meio à pandemia, da resistência e da respiração equilibrada

Ballet de Cipó

A coreografia Sensações, do Ballet Municipal de Cipó, é outro destaque do Eidan 8. Utilizando a jazz dance, foi apresentado nas margens do rio Itapicuru. Dentro d’água, os bailarinos também encantavam pela lição de cidadania, pois todos dançavam de máscara. Com movimentos bem orquestrados e que tinham objetivo de fazer conexão com a natureza, teve direção de Cris Costa.

De Salvador, Os olhos de Xangô, do Ballet Cultural Origens Africanas, mostra a riqueza das danças e manifestações de matrizes africanas. As consequências da pandemia na sociedade também inspiraram trabalhos artísticos. Da cidade de Ribeira do Pombal, Pelos Quatro Cantos, de Aline Bogarim, fala de um amor que não resistiu ao isolamento compulsório.

Já o espetáculo Abraço Ausente no Tempo Presente, de Marcelo Falcão, convida a população a evitar o máximo de contato, a fim de alertar a todos da importância da preservação e valorização da vida.

Lauro de Freitas ainda apresenta Submerso, do Soul Movement Project, que trata da sobrevivência, da necessidade de respirar fundo, ser firme e não se deixar submergir neste panorama do coronavírus.

(TER)roso, solo de Santo Amaro com Amanda Moreira, questiona a perda da essência das pessoas em prol dos valores materiais. Amanda é acupense, graduanda em licenciatura em dança na Universidade Federal da Bahia (Ufba) e concluinte do curso técnico em dança oferecido pela Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb).

De Valença, o espetáculo Sempre Assanhados, do grupo Os Assanhados, trouxe a alegria do pagode baiano; Juazeiro também fez bonito com a dança de rua na coreografia Karma, do Inconstante Coletivo. E Encontros, do Grupo de Valsa Sintonia do Amor, mostrou a arte da periferia de Salvador com a valsa. São apenas algumas das coreografias que reafirmam que projetos como o Eidan, como o Vivadanca e o Ateliê de Coreógrafos Baianos sinalizam para a resistência do setor, algo que merece aplausos e é bonito de se ver.

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