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Artista gráfico Rodrigo Andrade faz exposição na Paulo Darzé

Publicado às | Atualizado em 11/10/2021, 23:10 | Autor: Eugênio Afonso
Rodrigo: “A arte nos salva pois nos mantêm sãos mental, imaginativa e emocionalmente” | Foto: Filipe Berndt | Divulgação | 2.6.2021
Rodrigo: “A arte nos salva pois nos mantêm sãos mental, imaginativa e emocionalmente” | Foto: Filipe Berndt | Divulgação | 2.6.2021 -
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Cenas urbanas periféricas e natureza selvagem rochosa são duas temáticas presentes em Variações sobre paisagem, exposição que o artista gráfico e pintor paulistano Rodrigo Andrade, 59, trouxe para a capital baiana.

Até o próximo dia 06 de novembro, sempre de segunda a sexta, das 9h às 19h, e aos sábados, das 9h às 13h, na Paulo Darzé Galeria (Corredor da Vitória), o público vai poder conhecer, sem necessidade de agendamento, 33 trabalhos de dimensões variadas em óleo sobre tela, mdf ou cartão, realizados entre 2020 e 2021 (com algo de 2017). Uma das marcas do artista é apresentar sua obra em grandes formatos, com pinceladas expressivas e cores fortes.

Para o crítico de arte José Bento Ferreira, as paisagens de Rodrigo exercem um contraponto a uma certa desterritorialização automatizada. Bento discorre que elas não apenas convidam, como toda obra de arte, a uma contemplação duradoura e uma imersão reflexiva, mas também proporcionam uma experiência de fruição que se configura como acontecimento.

E complementa dizendo que Rodrigo faz da pintura de observação a reafirmação de uma modalidade de presença que a cultura digital agride.

“Concordo com a visão de Bento quando ele diz que a minha pintura tenta resgatar e resistir ao fato da nossa vida contemporânea ser muito afetada pelas redes sociais, o que nos leva sempre a estar fora do lugar em que estamos. Ela tenta fazer com que a presença dos lugares seja concreta, real, seja uma experiência”, avalia Andrade.

Com quase 40 anos de trajetória artística (começou oficialmente em 1984), Rodrigo, que transita também por outras técnicas, como desenho, gravura e objetos, confessa que a pintura é a linguagem com a qual mais se identifica e conta que o propósito dessa exposição é expandir seu trabalho e evidenciar a pintura de paisagem.

“É uma mostra em que foquei no tema da paisagem e pude explorar esse território de forma mais aprofundada. O que me impulsiona a produzir é o desejo de ver uma ideia se tornar realidade em forma de pintura. Essa passagem de algo metafísico que existe no mundo das ideias é o que mais me excita nesse processo. Meu trabalho quer criar um lugar no mundo para essa vida imaginativa”, detalha Andrade.

Imagem ilustrativa da imagem Artista gráfico Rodrigo Andrade faz exposição na Paulo Darzé
As paisagens de Rodrigo resultam do trabalho humano

Importância da alienação

De acordo com Rodrigo, a arte é fundamental porque cria um lugar de convivência e sociabilidade para todos nós.

“É um território comum de pessoas semelhantes que têm desejos semelhantes, portanto meus pares. Isso vale desde sempre pra mim. A arte é capaz de quebrar barreiras e criar um campo de convivência entre culturas e classes sociais diferentes”, define.

E complementa argumentando que “a arte é também um instrumento de ativismo, de ação, de ideias no mundo real. Ela tem a capacidade de nos tirar desse mundo e levar para outro mundo. Então existe uma função de alienação na arte que é importante. Para uma sobrevivência psíquica, para a saúde mental, a arte é um instrumento poderosíssimo. Ela nos salva na medida em que nos mantêm sãos mentalmente, imaginativamente e emocionalmente”.

Caminhada

Rodrigo Andrade nasceu em 1962, em São Paulo, capital, onde vive e trabalha.

Filho do cientista político Regis Stephan de Castro Andrade e da cineasta Marily da Cunha Bezerra, teve suas primeiras experiências com pintura por volta dos dez anos de idade baseando-se em livros de arte, especialmente de Picasso e Kandinsky.

A materialidade da tinta e referências sobre a história da pintura estão sempre presentes nas obras do pintor. É considerado um artista plástico em que há uma permeabilidade entre a concentração e a contenção dos elementos presentes nos seus trabalhos e nos ambientes nos quais foram instalados.

Durante sua trajetória, já realizou diversas mostras em importantes instituições nacionais e internacionais. Segundo Bento Ferreira, apesar da recusa do desenvolvimento urbano como algo distante da comunidade, os lugares mostrados nas paisagens de Rodrigo Andrade resultam do trabalho humano, seja a horta, os blocos de construção, ruínas ou as vistas da “quebrada”.

A primeira mostra individual de Andrade, na Bahia, também pode ser visitada de forma virtual no endereço @paulodarzegaleria - redes sociais Facebook e Instagram, ou pelo site paulodarzegaleria.com.br, onde o público poderá ter acesso ainda ao catálogo da exposição.

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