Célia Euvaldo faz sua primeira exposição individual na Bahia

Publicado sexta-feira, 03 de setembro de 2021 às 06:06 h | Atualizado em 02/09/2021, 19:18 | Autor: Eugênio Afonso

“Durante umas duas décadas, meu trabalho se resumiu ao preto e branco, às vezes só preto, às vezes só branco e às vezes preto e branco. Aqui, trago outras cores. O que quase todos os quadros expostos têm em comum é o fato de serem constituídos por duas matérias: uma com tinta espessa, textura bem marcada, em preto ou branco; a outra com tinta bastante diluída, em outra cor, geralmente uma cor forte”.

É dessa forma que a artista plástica paulistana Célia Euvaldo, 66, que faz sua primeira exposição individual na Bahia, define o trabalho que exibe, deste sábado, 4, a 16 de outubro, na Roberto Alban Galeria.

São 16 obras da produção mais recente da artista, entre pinturas sobre tela e sobre papel, que podem ser conhecidas, de forma presencial, de segunda a sexta, das 10h às 19h, e sábado, 10h às 13h. Mas quem já se habituou à virtualidade, e até prefere, a mostra também pode ser vista por meio do site robertoalbangaleria.com.br.

“Foi graças ao convite dos galeristas Cristina e Roberto Alban que tive a oportunidade de mostrar meus trabalhos pela primeira vez na Bahia. A exposição estava marcada para maio de 2020, mas teve de ser adiada com a chegada da pandemia”, conta Euvaldo.

Para o galerista Roberto Alban, Célia é uma artista especialmente importante no contexto da arte contemporânea brasileira pela natureza do seu trabalho. “Ela tem uma linguagem própria, carregada de personalidade, caracterizada por uma textura muito particular, um gestual genuíno que transcende qualquer tipo de nacionalismo, tornando-se verdadeiramente internacional”.

“O objetivo dessa mostra é apresentar ao público baiano uma artista de muita representatividade, dona de uma linguagem universal, apesar de pouco conhecida por aqui”, complementa Alban.

Cores vivas

Bastante (re)conhecida por seus trabalhos em preto e branco, Célia, desta vez, abandonou um pouco o estilo bicromático e adotou novas cores em suas telas. Ela gosta de frisar que um aspecto importante da sua obra é a presença do gesto. Não exatamente o gesto expressivo, impulsivo, de descarga emocional, mas, sobretudo, a energia que ele emana.

“Num momento anterior, quando eu só usava preto ou branco, meu interesse era me concentrar na marca que o gesto deixa, em seu rastro, e o uso de outras cores atenuaria sua força, pois o preto e o branco têm certa neutralidade. Na atual fase, ainda no intuito de trazer a presença do gesto, introduzo essa nova variante, a da segunda matéria, com a tinta a óleo diluída”, observa Euvaldo.

Para a exposição em Salvador, a artista paulista trouxe obras que marcam, justamente, o momento de ruptura e renovação de seu trabalho. São pinturas que instauram uma nova paleta de cores em suas telas, incorporando tonalidades de cinza, vermelho, laranja, azul e outras variações.

Outra marca característica do trabalho de Célia é o fato de a artista sempre deixar um pedaço da tela sem pintura. “Faço isso porque vejo essas duas matérias a que me referi antes como ‘coisas’, ‘corpos’, algo quase escultórico. Se eu cobrisse toda a tela, essas ‘coisas’ virariam áreas planas, e não quero isso. Quero peso e materialidade de coisa”, define a artista.

Segundo o historiador e crítico de arte carioca Ronaldo Brito, no trabalho de Célia Euvaldo as cores vibrantes surgem como fatores a mais de irritação e questionamento em uma pintura que opera numa área exígua. Brito acredita que, assim como ocorre com o preto, também as cores abertas não destilam uma química de pintura, mas irrompem no quadro, resolutas, instintivamente misturadas e diluídas.

História

Célia Maria Silva Euvaldo nasceu em 1955, em São Paulo, onde vive e trabalha. Realizou suas primeiras exposições coletivas no circuito nacional, em 1987, no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, e em 1988, no Projeto Macunaíma, Funarte, também na mesma cidade.

A artista, que também é desenhista, já participou de mostras como a 7ª Bienal Internacional de Pintura de Cuenca, no Equador, em 2001, e da 5ª Bienal do Mercosul, em Porto Alegre, em 2005. Célia também foi uma das expositoras da mostra coletiva Cut, Folded, Pressed & Other Actions, na David Zwirner Gallery, em Nova Iorque, em 2016.

Em 1989, obteve o 1º prêmio – viagem ao exterior – no 11º Salão Nacional de Artes Plásticas (RJ). Suas últimas exposições foram em São Paulo, em 2018, e em Curitiba, em 2020. Parte de suas obras estão em diferentes espaços culturais, como no Museu de Arte do Rio de Janeiro (MAR), Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), Coleção de Arte da Cidade de São Paulo, Fundação Cultural de Curitiba e Museu do Estado do Pará.

Célia Euvaldo – Pinturas / 4 de setembro a 16 de outubro / Roberto Alban Galeria / segunda a sexta – 10h às 19h, sábado – 10h às 13h / robertoalbangaleria.com.br

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