Exposição Suassuna, Uma Estrela no Mundo homenageia Ariano

Publicado quarta-feira, 01 de setembro de 2021 às 06:05 h | Atualizado em 31/08/2021, 22:57 | Autor: Eduarda Uzêda

Fotografia, pintura, escultura cerâmica, bordados, caricatura, miniaturas de madeira, entre outras manifestações artísticas, integram a exposição Suassuna, Uma Estrela no Mundo, que presta tributo ao escritor, dramaturgo, romancista, ensaísta e poeta Ariano Suassuna (1927-2014), um dos maiores nomes da literatura brasileira.

A mostra, que reúne 58 obras de 43 artistas de diferentes áreas, também celebra os três anos de aniversário do ME Ateliê da Fotografia, de Mário Edson, que, além de participar, assina a curadoria. A iniciativa fica em cartaz de modo presencial até o próximo dia 22 de outubro, às sextas, sábados e domingos, das 15 às 19 horas, seguindo todos os protocolos de segurança. A entrada é franca.

Entre os participantes, nomes como os fotógrafos Bob Wolfenson, Camila Ferrera e Damaris, o cartunista Camaleão, a poetisa Tessa Pisconti, o escultor Vicente Silva, o artista plástico e miniaturista Léo Furtado, a ceramista Cecília Menezes e a odontologista e bordadeira Ludmila Castro.

O fotógrafo e curador Mário Edson afirma que chegou a conhecer Suassuna, de quem é admirador. Pensou em homenageá-lo em vida, mas ele faleceu antes. Sem esquecer do objetivo, ele visitou a casa de Ariano, em Recife, onde fotografou objetos pessoais do escritor, a exemplo da icônica cadeira de balanço, na qual concedeu muitas entrevistas.

Mário Edson relata que também visitou o município de São José do Belmonte, a 474 km do Recife, onde Suassuna criou um santuário e o Castelo Armorial. “O universo de Suassuna fotografado por mim ocupa a Sala Frans Krajcberg. Já as outras 46 obras serão distribuídas nas salas Ariano Suassuna e Tati Moreno, pertencentes ao ateliê”, descreve o curador.

Imagem ilustrativa da imagem Exposição Suassuna, Uma Estrela no Mundo homenageia Ariano
A miniatura Saiu! Foi Contar História pro Mundo, de Léo Furtado | Foto: Léo Furtado | Reprodução

Obras

Entre as fotografias de Mário Edson destaca-se a bela imagem de uma jovem loura. A produção faz referência a uma das obras do escritor, que foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 1989: Uma Mulher Vestida de Sol.

Outra peça que chama a atenção é Saiu! Foi Contar a História Pro Mundo, uma miniatura de escala de um teatro mambembe, trabalho de Leo Furtado, artista plástico, músico e miniaturista há mais de 20 anos.

Ele cria e reproduz ambientes e cenários em miniaturas realistas, como maquetes, dioramas, roomboxes que são utilizados em propagandas, decoração, cenários para filmes, além de obras solicitadas por colecionadores. “Para mim foi um grande desafio trazer este universo de Suassuna em apenas uma obra. Escolhi o Auto da Compadecida para simbolizar”, diz.

Está tudo lá: o teatro, os textos, a arca da imaginação, as cores que fazem referência ao reisado e ao maracatu. Merece também um olhar apurado a obra feita em feltro bordado da artista visual e dentista Ludmila Castro, chamada Aparecida.

A obra também faz referência ao Auto da Compadecida. Ludmila, que há cinco anos adotou esta técnica, revela a proximidade de sua obra com a literatura de cordel. Entre eles, o pesponto e a imagem que remete à técnica de xilogravura.

Poesia

A poeta Tessa Pisconti participa da mostra com a poesia Sertariano, que traz os seguintes versos: “Ah trovador/ Trovaste a lua no céu de romãs/ o pedregulho da terra partida/ o rosto magro de pele seca e barriga vazia/ Dom Quixote sertanejo a cantar a sua caatinga”.

Tessa afirma que é a primeira vez que participa de uma exposição visual. “Para mim é uma felicidade, principalmente pelo trabalho primoroso de Mário Edson e por fazer parte da homenagem a Suassuna, que tem sua obra transitando entre o popular e o erudito”. Tessa destaca ainda na dramaturgia de Suassuna a comicidade aliada à crítica social.

O artista visual Vicente Silva trouxe para a exposição uma escultura, na qual Ariano Suassuna faz eco com a poesia de Pisconti. Ariano é mostrado como Dom Quixote de La Mancha, lendo folhetos de cordel.

Suassuna escreveu ensaios, romances, dramaturgias e poemas. A maior parte de sua obra está relacionada com os elementos nordestinos. Entre suas produções, Uma Mulher Vestida de Sol (1947), O Rico Avarento (1954), Auto da Compadecida (1955), O Santo e a Porca (1957), A Pena e a Lei (1959), Farsa da Boa Preguiça (1960) e O Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta (1971).

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