EXPOSIÇÃO
Oscar Dourado lança seu olhar sobre os alakás

Alaká ou pano da costa, peça de deferência da indumentária feminina do candomblé, é o tema da exposição Tramas, de Oscar Dourado, que além de fotógrafo e músico (flautista, professor e doutor em Artes Musicais) é também escritor.
A mostra, que tem abertura nesta quinta-feira, 30, às 19 horas, reúne 29 trabalhos fotográficos feitos a partir das peças confeccionadas pelas artesãs do terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, de Mãe Stela de Oxóssi.
Dourado, que tem como "dono" de sua cabeça o orixá Ogum e há 11 anos é iniciado no culto afro (ele é Ogã de Oxalufã, do Ilê Axé Opô Afonjá), esclarece que o alaká é traje de distinção nas casas de santo de culto afro.
Teares manuais
"Nem todo iniciado tem direito de usá-lo", frisa, acrescentando que a peça tradicionalmente é feita de algodão, em teares manuais. A informação é confirmada pelo pesquisador Samuel Abrantes, no livro Sobre os Signos de Omolu: "É por meio dele que a mulher demonstra sua posição hierárquica na organização sócio-religiosa dos terreiros".
Mas na exposição fotográfica "os panos são tratados plasticamente buscando-se alguma expressão estética", afirma o fotógrafo, que diz que cada orixá tem sua paleta de cores, que são também representados nos alakás.
Amálgama
"Oscar busca nas cores destes tecidos, provenientes de uma correspondência com os orixás, e das dobras, que ele nomeia como 'ventos e ondas entre as tramas', para criar esta exposição, amálgama que através da duplicação, ou melhor, a multiplicação do encontro destes dois caminhos cria uma significação estética....", afirma Claudius Portugal sobre as fotografias.
Oscar Dourado, casado desde 1982 com Inês Dourado, pai de Maria e Clara, diz que sua iniciação no candomblé mudou sua perspectiva de ver o mundo e que preferiu levar sua arte para além do terreiro porque queria ter as fotografias para além dos espaços de iniciados.
E acerta, pois se os iniciados no candomblé, de maneira sutil, vão identificar os orixás, os não iniciados vão se ater ao colorido e harmonia das formas. O título Tramas, neste contexto, tanto faz referências aos "enredos", tão comuns nas histórias de orixás, quanto aos fios horizontais e transversais que se entrelaçam.
Curiosidades
As filhas de santo não dançam sem esta peça, indumentária básica, assim como o torso, saia, bata e camisu. A maneira de amarrar o alaká varia de acordo com o ritual ou a posição hierárquica.
Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.
Participe também do nosso canal no WhatsApp.
Compartilhe essa notícia com seus amigos
Siga nossas redes



