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Clube Literário Leia Mulheres está em 26 cidades

Debora Rezende
Por Debora Rezende
Estreia em Salvador, em janeiro, na Livraria Leitura do Bela Vista
Estreia em Salvador, em janeiro, na Livraria Leitura do Bela Vista - Foto: Divulgação

Na sua estante, quantos livros são assinados por homens? Se parar para pensar, talvez o cálculo seja discrepante e você perceba que a literatura produzida por mulheres tem menos espaço nas prateleiras.

Para incentivar o consumo de obras escritas por mãos femininas, em 2014 a autora britânica Joanna Walsh lançou no Twitter a hashtag #readwomen2014. A iniciativa inspirou mulheres do lado de cá, que criaram o Leia Mulheres - um clube de leitura voltado à valorização do trabalho intelectual das escritoras.

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O projeto começou em São Paulo, em março de 2015, e agora já acontece em outras 25 cidades - com Salvador entre elas. Na capital baiana, o clube de leitura acontece no último sábado do mês, em que cerca de 20 pessoas reservam duas horas para debater literatura.

Roda de conversas

A edição baiana é iniciativa de cinco mulheres afeitas aos livros - a educadora Ilmara Fonseca, as jornalistas Paula Janay e Jeniffer Geraldine, advogada Eduarda Sampaio e a mestranda Joana Mutti.

"Sempre acompanhava o projeto, morrendo de vontade que tivesse aqui", conta Ilmara, que, após entrar em contato com o Leia Mulheres em São Paulo, reuniu as mediadoras locais. "Todo mundo é apaixonado por literatura", afirma Eduarda Sampaio.

O clube representa mais um movimento de luta pelo reconhecimento da força feminina. "Tem histórias de mulheres que não conseguem publicar, e aí usam pseudônimos masculinos", ressalta Eduarda. Nos debates, o contexto da mulher é posto em evidência.

"A ideia é que seja participativo", explica Eduarda. Atualmente, as reuniões do Leia Mulheres acontecem no Museu de Arte da Bahia (MAB), no Corredor da Vitória, às 14h30. A didática é simples: qualquer um pode participar. Inclusive homens.

"O maior mérito é dar visibilidade ao legado feminino na literatura", afirma a jornalista Daniela Castro, que conheceu o clube pelo Facebook e participou de uma reunião em março, quando foi debatida a obra Poética, de Ana Cristina Cesar.

Juntos, os cerca de 20 integrantes do clube exploram detalhes das narrativas, características dos personagens e o estilo das escritoras. "A leitura se amplia, porque você tem oportunidade de ver outras experiências", comenta Ilmara. Em roda, são trabalhados os livros escolhidos pelos próprios membros do clube.

A escolha acontece de forma presencial e no grupo do Leia Mulheres no Facebook. Em abril, por exemplo, o clube se dedicou ao livro As Meninas, de Lygia Fagundes Telles, pela indicação da autora ao Prêmio Nobel de Literatura.

Na próxima reunião, dia 28 de maio, o título debatido será Precisamos falar sobre o Kevin, da americana Lionel Shriver, integrando um mês cujo tema são livros que viraram filmes.

"Quem vem para o Leia Mulheres são pessoas que estão familiarizadas com o debate", conta Eduarda. Não é incomum que, durante as conversas, o assunto se expanda da literatura e alcance esferas da política, educação e economia. "Há momentos no grupo que são catárticos", diz Ilmara.

Outras leituras

Em São Paulo, o Leia Mulheres é organizado por Juliana Gomes, pioneira no projeto, Juliana Leuenroth e Michelle Henriques. Mensais, as atividades começaram no primeiro semestre de 2015.

"Sou muito entusiasta do clube de leitura, acho a ideia fantástica", comenta Juliana Leuenroth. "O livro cresce na nossa cabeça, são várias visões diferentes. A ideia é mostrar que a mulher pode escrever o que ela quiser".

As mediadoras de São Paulo fizeram o convite a Camila Borges, Mari Castro e Olívia Gutierez, de Belo Horizonte, para expandir o projeto. Deu certo. A versão mineira, que fez sua primeira reunião no último setembro, teve uma superlotação em janeiro, com a presença de cerca de 40 pessoas para discutir Hibisco Roxo, de Chimamanda Ngozi Adichie.

"Quando é uma autora ou um livro muito popular, a procura é enorme", afirma Olívia. "A internet às vezes parece fria e distante para discutir literatura, que é sentimento também".

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