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27/11/2023 às 9:30 - há XX semanas | Autor: João Paulo Barreto

FUNERAL PARA UM AMIGO

HQ ‘A Morte do Super-Homem’ completa 30 anos de publicação

A TARDE conversou com um dos responsáveis pelo lançamento do marco da nona arte no país

Mario Luiz C. Barroso, editor: “Repercussão midiática e a tremenda vendagem foram responsáveis pela pressa de lançar”
Mario Luiz C. Barroso, editor: “Repercussão midiática e a tremenda vendagem foram responsáveis pela pressa de lançar” -

Há três décadas, em novembro de 1993, era lançada pela Editora Abril aquela que viria a ser a revista em quadrinhos de super-heróis que mais vendeu no Brasil. Com 250 mil exemplares, e mais cinquenta mil unidades de um kit especial, A Morte do Super-Homem, fenômeno midiático que, onze meses antes, havia chacoalhado o mercado estadunidense, se tornou o gibi recorde de aquisições em território nacional, algo que, diante dos números apresentados no decorrer dos 30 anos seguintes, e com um tipo de mercado totalmente diferente, nunca voltou a se repetir.

Comemorando o momento dos 30 anos, A TARDE conversou com um dos responsáveis pelo lançamento do marco da nona arte no país, o editor Mario Luiz C. Barroso, que, há 30 anos, junto à equipe da Editora Abril, trouxe para os leitores brasileiros o icônico momento da Cultura Pop em um encadernado de 160 páginas que estampava o brasão do herói kriptoniano em alto relevo e "sangrando". Atuando como editor da revista mensal do personagem desde 1989, cargo que ocupou até 1997, Mario se tornou o editor mais longevo à frente do título do Homem de Aço, que começou a ser publicada em 1984 e teve, em sua primeira série mensal, 147 edições.

"Durante todos os meses no meu período na Editora Abril, eu editei pelo menos uma revista do Super-Homem. Por isso, dessa fase que saiu há 30 anos, em 1993, naturalmente A Morte do Super-Homem, a minissérie Funeral para um Amigo, a edição especial Super-Homem Além da Morte e, finalmente, a minissérie em três edições O Retorno do Super-Homem, tudo isso caiu no meu colo para que eu pudesse editar", relembra Mario.

O impacto na mídia dos Estados Unidos, e que acabou reverberando em todo o mundo, justifica a grande responsabilidade que o jovem editor de 24 anos tinha à época. Tendo um período de lançamentos que, diante de todo processo logístico, acabava lançando no Brasil os quadrinhos americanos com dois anos de intervalo, Mario relembra que o 'Parem as máquinas!' foi crucial.

"Esses quadrinhos foram feitos com bastante carinho. A gente sabia que era algo importante. Isso porque tínhamos uma defasagem de tempo com relação aos lançamentos nos Estados Unidos. Então, já sabíamos o número de vendas de lá. E só saiu antes da época, com relação à cronologia porque, como sempre acontecia, veio uma ordem da diretoria dizendo: "Olha, isso aqui está vendendo muito lá fora. Publiquem o quanto antes!", pontua o editor.

Impacto estrangeiro

A ordem vertical merece uma contextualização. O lançamento nos Estados Unidos, em dezembro de 1992, do exemplar 18 do gibi Man of Steel, quando foi apresentado o vilão Apocalipse, uma criatura bestial que acaba trucidando toda a Liga da Justiça e destruindo várias cidades americanas, incluindo a fictícia Metrópoles, lar do Homem de Aço, bem como o da edição de 75 de Superman, outra revista americana focada no personagem, representou o fechamento de uma saga que terminaria com a morte do maior de todos os heróis das HQs.

O alcance de vendas desta última foi de mais de seis milhões de exemplares, se tornando a revista em quadrinhos que mais vendeu naquele ano. Somado a isso, toda a cobertura dos jornais da terra do Tio Sam, programas de entretenimento e juntamente à propaganda boca a boca que, em uma fase antes da internet, fazia muita diferença, atiçou a curiosidade tanto de leitores habituais quanto de novos curiosos por quadrinhos. Assim, se tornava primordial que a Editora Abril acelerasse o processo de importação das bobinas (que, devido ao peso, vinha de navio e podia levar seis meses) com os filmes originais tão logo se tornassem disponíveis para que se pudesse lançar o material em português para os fãs brasileiros. Isso só seria possível em novembro de 1993, quando o encadernado de 160 páginas no clássico "formatinho" reunindo as edições gringas com toda a saga até o momento do perecimento do herói foi lançado como o especial A Morte do Super-Homem.

"Saiu em vários canais", comenta Mario sobre a cobertura da mídia no Brasil. "O SBT fez um funeral simulado com um caixão de papelão e coisas assim (risos). Ocupou espaço importante nos nossos jornais, também. Foi para o Caderno Dois do Estado de SP, para o Ilustrada da Folha, e tantos outros jornais em todo o Brasil que deram essa notícia chamando atenção de tanta gente. Houve uma repercussão grande aqui no Brasil do que a imprensa dos Estados Unidos estava publicando sobre o lançamento", explica o editor e tradutor.

“Aqui, muitas imagens foram pegas lá fora. Tinha a entrevista com o Mike Carlin, que era o editor na DC Comics à época dizendo porque foi feito isso e os criadores, como Jerry Ordway e Dan Jurgens. Então, a imprensa repercutiu no momento, contando o que aconteceu e fazendo o voice over, aquela dublagem em cima dos editores e artistas falando sobre o lançamento e as repercussões. E foi justamente essa repercussão midiática no Brasil, associada à tremenda vendagem, responsável para que a Abril tomasse a decisão de lançar o quanto antes", crava.

Novos mercados

Hoje, é possível se encontrar a saga escrita por Dan Jurgens, Louise Simonson, Jerry Ordway e desenhada por outra gama imensa de talentosos artistas, em variados formatos que vão além do formatinho na qual a Editora Abril lançou há exatos 30 anos. São edições de luxo, como a que saiu pela Editora Panini em dois volumes há pouco mais de dez anos, ou a pesadíssima (tanto em gramas quanto financeiramente) edição no formato Omnibus, que traz a saga completa, indo além da morte do herói, que faleceu após a sangrenta batalha contra o algoz Apocalipse, e trazendo seu funeral, encontro com o além morte e seu eventual retorno na saga publicada em três edições em 1994.

"Hoje em dia, uma revista que vende cinco mil exemplares é considerada sucesso e as que mais vendem, em relação a quadrinhos de super-heróis e que vendiam dezenas de milhares naquela época, hoje vendem três a cinco mil, e o mais bem sucedido, dez mil exemplares", contextualiza Mario ao ser abordado sobre uma comparação entre o alcance de vendas de uma revista como A Morte do Super-Homem, lançada há trinta anos em formatinho, e o mercado das HQs hoje em dia. É válido frisar, porém, que, apesar do citado preço salgado das edições em formatos de luxo, como é o caso das Omnibus, com centenas de páginas e capa dura, o mercado atual oferece uma variedade de preços atrativo a vários bolsos, sendo que a série de coleções "A Saga de...", que a editora Panini inaugurou há alguns anos, um dos mais viáveis economicamente, com diversos personagens e em um tipo de encadernação que não encarece tanto o produto.

Para Mário, “Essa coleção 'A Saga de...' é um tremendo acerto da Panini porque estão oferecendo material que, em formato americano, é inédito. E se não for inédito, ainda assim estão oferecendo a preço bem mais acessível, pois tem capa cartão", conclui o editor.

A Saga do Superman retorna às bancas em janeiro de 2024, após uma pausa que foi anunciada há dois meses.

Uma prova da imortalidade desse personagem clássico que, em um "crime" mercadológico perfeito, ousaram matar há trinta anos.

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