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LITERATURA

Livros têm como tema o conflito com ETs

Chico Castro Jr.

Por Chico Castro Jr.

16/07/2016 - 9:17 h

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Guerra dos Mundos
Guerra dos Mundos -

Não é de hoje que autores de ficção científica se valem da metáfora da invasão e do combate aos alienígenas para tratar de mazelas humanas. O primeiro foi o pioneiro Herbert George Wells (1866-1946), que certamente será lembrado no próximo 21 de setembro, quando se completam 150 anos do seu nascimento.

Sua obra fundadora dessa vertente tão popular, A Guerra dos Mundos (1898), acaba de ganhar uma bela reedição em capa dura da Suma de Letras, com alguns extras preciosos.

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Obra mais recente, Guerra do Velho (Editora Aleph), do norte-americano John Scalzi, certamente não existiria sem a base fornecida por Wells, apesar de dialogar mais diretamente com outro clássico: Tropas Estelares (1959), de Robert A. Heinlein, popularizado no cinema pela subestimada adaptação cinematográfica de 1997, dirigida pelo holandês Paul Verhoeven (Robocop).

Marte ataca

Esqueça aquela adaptação rasa e milionária de Steven Spielberg para A Guerra dos Mundos de 2005 - o livro é bem mais interessante (e assustador) do que aquela sequência de cenas com Tom Cruise correndo com cara de parvo.

Não a toa, Orson Welles levou milhares de americanos ao pânico com sua adaptação da obra como um noticiário radiofônico, em 1938.

Narrado em primeira pessoa por um personagem sem nome, A Guerra dos Mundos relata uma invasão marciana à Terra - mais especificamente à Inglaterra natal do autor.

Meticuloso, o narrador é um alterego de Wells: um homem da ciência e da razão, astrônomo amador, apaixonado pelo seu país e politicamente consciente. Seu relato da invasão é preciso e, inicialmente, até meio frio. Com o avançar do flagelo marciano, a narrativa ganha contornos dramáticos, tornando o livro difícil de largar antes do ponto final.

Com a roupa do corpo, o narrador foge pelas estradas e bosques ingleses, desviando-se dos raios de calor dos invasores e de refugiados desesperados, em busca de abrigo e alimento.

A edição da Suma é um primor, com prefácio da autoridade brasileira em FC Braulio Tavares, introdução do cultuado autor inglês (e vice-presidente da H. G. Wells Society) Brian Aldiss, uma rara entrevista com H. G. Wells e Orson Welles juntos e as ilustrações do brasileiro Henrique Alvim Corrêa (1876-1910).

Radicado na Bélgica, Corrêa era fã do livro e entrou em contato com Wells, oferecendo-se para ilustrar sua edição em francês. Essa edição de luxo publicada em 1906 teve apenas 500 exemplares, numerados e assinados pelo artista.

Soldados vovôs

Mais recente, Guerra do Velho (lançado em 2005 nos EUA) também tem como ponto de partida o embate entre terráqueos e alienígenas e é a primeira obra do norte-americano John Scalzi a sair aqui.

Demorou, porque é bem possível que este seja o melhor lançamento de FC este ano no Brasil. No futuro delineado por Scalzi, a humanidade partiu para colonizar e explorar planetas distantes, entrando muitas vezes em disputa com diversas raças alienígenas.

Para entrar em combate, as Forças Coloniais de Defesa recrutam apenas pessoas a partir dos 75 anos, as quais são preparadas para se tornar soldados de elite e enviadas para os confins do universo. O por que de recrutar apenas idosos e como eles se tornam supersoldados é parte das muitas surpresas do livro, portanto não serão contadas aqui.

Quem narra o livro em primeira pessoa é um desses soldados, John Perry, que detalha todo o seu processo, desde sua apresentação voluntária.

Ágil, acessível e bem-humorada, a narrativa de Scalzi se desenrola como um filme na cabeça do leitor, oferecendo um entretenimento de alto nível, enquanto discute temas como o envelhecimento e prolongamento artificial da vida, militarismo e imperialismo.

O sucesso de Guerra do Velho levou o autor a escrever diversas sequências. The End of All Things, de 2015, já é o sexto livro da série. A Aleph sinaliza que publicará os próximos livros até 2017.

Em 2014, o canal SyFy anunciou que produziria uma série baseada nos livros de Scalzi intitulada Ghost Brigades (título do 2º livro), mas até agora o projeto não saiu do papel.

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