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"A música sempre me leva para trabalhos legais", diz Lúcio Mauro Filho

Publicado domingo, 06 de agosto de 2017 às 08:00 h | Atualizado em 06/08/2017, 11:53 | Autor: Raquel Rodrigues | Estadão Conteúdo
Ator Lúcio Mauro Filho, 43 anos
Ator Lúcio Mauro Filho, 43 anos -
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Lúcio Mauro Filho é o tipo de artista que entra em um projeto pronto para se divertir. Falante, agitado e sorridente, o intérprete de Roney de Malhação e de Aldemar Vigário da Escolinha do Professor Raimundo brinca que aceitou participar do programa PopStar, exibido aos domingos, após o Esporte Espetacular, na Globo, porque nasceu para ser uma estrela.

Na entrevista a seguir, o carioca de 43 anos fala sobre a participação no reality show musical, do retorno às novelas e comenta o fim do seriado A Grande Família (2001 a 2014). O ator também lembra a importância da homenagem a seu pai, Lúcio Mauro, na Escolinha do Professor Raimundo.

Por que participar de um programa como o PopStar?

Acho que é quase o destino falando: Vai lá, Lucinho, brinca de popstar! (risos). Eu sempre tive muitos amigos músicos; já produzi show de lançamento do CD do Claudio Lins e da banda Poesia de Gaia, do Thiago Fragoso. E cantei com o Tiago Abravanel também. Sempre gostei de estar perto da música: o Tuco tocava violão em A Grande Família e agora faço um cara que fez sucesso nos anos 1980 na Malhação. Além disso, o filme que acabei de fazer com o Bruno Mazzeo, chamado Chocante, é sobre uma boyband dos anos 1990. A música sempre me leva para trabalhos legais.

Falando em Malhação, para o Roney é muito importante esse sucesso do passado, né?

O Roney está passando por esse momento louco da vida dele: uma filha de 17 anos que ficou grávida e teve um bebê. Ele é um artista e teve esse sucesso no passado, com o hit Amor Selvagem. O Fábio Jr escreveu a música e acaba sendo uma inspiração também, né? Tanto como cantor romântico quanto galã. Então, esse visual do personagem, com esse cabelo meio anos 1980, é o Roney querendo ser reconhecido, mesmo que no balcão da lanchonete.

Há 23 anos você não fazia novela. Sentiu alguma diferença no ritmo das gravações?

É maravilhoso estar em uma novela voltada para o público adolescente. Talvez eu não esteja aqui à toa, porque fiquei fazendo o personagem adolescente de A Grande Família durante 14 anos. A última novela inteira que eu atuei foi A Viagem, em 1994. Em Chapa Quente (2015/2016) gravava todos os dias vestido de PM (Policial Militar) no sol. Então, não sinto diferença nenhuma no ritmo das gravações. Quando A Grande Família terminou, nós já gravávamos de segunda a sexta. A quantidade de cenas de um seriado é menor, mas dura mais tempo.

Você faz muito humor. Como vê o Roney, de Malhação?

É um personagem leve, que traz um molho de humor, mas não chega a ser comédia. O par romântico dele, que é a Josefina (Aline Fanju), é uma figura engraçada porque é uma faz-tudo. É a zeladora da escola, então acaba que ele tem uma alma mais feminina e, ela, mais masculina. Eles se completam.

Mulheres com o perfil da Josefina assustam os homens?

Tudo que desautoriza a masculinidade do homem o deixa inseguro. Normalmente, as mulheres não são mimadas; ao contrário, elas têm que dizer o tempo todo que estão ali e questionar se dá pra ser diferente. O homem tem uma facilidade, pois nossas mães são machistas! Então, quando aparece uma mulher que não precisa desse homem pra nada, ele se torna um idiota. Acho que, sim, uma mulher como a Josefina assusta!

O que acha do elenco jovem de Malhação?

Todos eles têm currículo. Estão vindo do cinema, do teatro, ninguém está de bobeira. São profissionais e estão sempre estudando. Tenho muito orgulho deles! Aliás, uma das melhores motivações que existe é a juventude! Quando tem muito velho, tem muita gente querendo se garantir, a tendência é subir no salto. É muito bom trabalhar com a juventude, porque aí é uma troca, você vê que tem mais para aprender.

Malhação dialoga diretamente com o público jovem. Acredita que isso é importante?

Malhação é um lugar de comunicação com o jovem instituído há 22 anos. A gente tem uma responsabilidade muito grande com o produto. Não dá pra fazer essa novela de uma forma leviana, porque nós somos um veículo em que o jovem confia e a gente troca informação com ele. Se vamos falar de empoderamento, de diferenças, nada melhor do que falar em 'Malhação'. Nossa função é entreter, mas com consciência. A gente está falando com a galera que está formando suas cabeças, então que legal nós abordamos assuntos que eles vão discutir em casa com seus pais. O novo pai é isso aí: tem que falar a verdade o tempo inteiro, porque se você dá um celular para o seu filho, você tem obrigação de falar de todos os assuntos, pois ele é um portal.

Quando acabou A Grande Família, como se sentiu?

Iam ser 12 temporadas, mas, quando a gente falou que ia acabar, a Globo disse que tinha que ter mais dois anos porque era preciso avisar os anunciantes. É muito delicado você mexer num produto de tanto sucesso! Mas não fiquei depressivo quando acabou, porque teve Chapa Quente depois. Quando veio Malhação, eu queria experimentar a dramaturgia. Após a série, sabia que ou terminaria o meu contrato para dar uma experimentada como é a vida lá fora, sem a Globo, ou estava na hora de fazer uma novela. Decidi que não era a hora de tirar um ano sabático.

Você sente saudade de A Grande Família?

Não tenho nenhuma saudade de A Grande Família. Foram 14 anos! Ter saudade do quê? Quando vi o especial O Álbum da Grande Família esse ano é que senti uma saudade, mas, quando estava gravando, eu não aguentava mais! (risos). Já tinha fechado todos os ciclos! Eu estava careca interpretando um garoto! Não estava ornando (risos)!

Você também está no elenco da terceira temporada da Escolinha do Professor Raimundo. Como é conciliar esse projeto com os outros?

É terrível fazer paralelamente a Escolinha com outro produto, porque tem que encaixar a agenda de todo mundo. É uma ralação (risos)! Mas é um projeto cheio de afetividade, onde estou homenageando o meu pai, trabalhando com o Bruno (Mazzeo), com o (Marcelo) Adnet, com todos esses comediantes maravilhosos... É um sacrifício delicioso!

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