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MÚSICA

Cantor Ayrton Montarroyos revisita obra de Lupicínio Rodrigues

Daniel Oliveira

Por Daniel Oliveira

19/08/2021 - 6:05 h

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Até outubro serão lançados cinco álbuns reunindo canções apresentadas nas lives de Montarroyos | Foto: Luan Cardoso | Divulgação
Até outubro serão lançados cinco álbuns reunindo canções apresentadas nas lives de Montarroyos | Foto: Luan Cardoso | Divulgação -

O cantor Ayrton Montarroyos dedicou-se, ao longo do último um ano e meio, a lives e webséries em diferentes plataformas sobre música brasileira. Cantou João Gilberto, abordou a tropicália, o brega e o forró, e falou de Dorival Caymmi e Luiz Gonzaga, além da história da música nordestina, entre outros temas. “Foi uma necessidade de sobrevivência”, diz Ayrton.

No final de 2019, o artista pernambucano, como muitos colegas, já tinha uma agenda de shows para o ano seguinte programada, mas precisou cancelar por conta da pandemia e da crise sanitária no Brasil. “A gente uniu o útil ao agradável, que é o meu conhecimento sobre compositores. Não sou pesquisador, mas sou amante da música brasileira. Desde cedo, estou em contato com isso”, fala o cantor sobre seu projeto das lives musicais.

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As lives inspiraram Ayrton a lançar discos, já disponíveis nas principais plataformas digitais de música, inteiramente dedicados a compositores interpretados nessas apresentações. Foram dez no ano passado, cantando, além dos já mencionados, nomes como Chico Buarque, Elizeth Cardoso, obras da parceria Aldir Blanc e Elis Regina.

Em 2021, o cantor lançou Sorriso Negro: O Samba de Ivone Lara, no primeiro semestre e, recentemente, colocou no mundo o disco Lupicínio Rodrigues, Entre Dores e Amores, ambos pela gravadora Biscoito Fino. O primeiro, como os títulos indicam, uma homenagem à grande compositora e sambista carioca Dona Ivone Lara, e o segundo interpretando o compositor gaúcho Lupicínio Rodrigues. Concepção e direção são de Thiago Marques.

Clássicos

Ayrton conta que seu primeiro contato com Lupicínio se deu a partir do trabalho da cantora Dalva de Oliveira. “Ouvia Há um Deus na voz dela e não sabia que era do Lupicínio. Ao passo que fui crescendo e me interessando mais por música, fui me interessando mais (por Lupicínio) porque todo aquele dramalhão dele parece muito comigo, com a forma como eu amo e sofro de amor, aquela coisa toda. E as melodias são muito bonitas”, afirma.

No repertório do disco, em formato voz e violão, Ayrton interpreta, acompanhado pelo violão de Cainã Cavalcanti, clássicos como Loucura, Nervos de Aço, Esses moços, Ela disse-me assim e Nunca. Esta, inclusive, já havia sido cantada pelo artista na sua participação no programa The Voice Brasil, da Rede Globo.

“Nunca não era uma música conhecida, e queria cantar, mas tinha uma insegurança das pessoas ao meu redor. E tive a maior votação da história do programa para aquele estágio das apresentações ao vivo. Foi um sinal”, narra, complementando que a sinceridade, a sensibilidade estética e a profundidade de Lupicínio, ao tratar dos assuntos de amor, são alguns dos aspectos que mais admira no trabalho do compositor gaúcho.

“Não é à toa que todos os grandes intérpretes gravaram esse cara”, afirma, listando Linda Batista, Jamelão, Cauby Peixoto, Angela Maria, Maria Bethânia, Dalva de Oliveira, Renato Braz e Zizi Possi.

Caetaneando

O cantor pernambucano vai lançar, ainda este mês, no dia 31, o disco Caetano Além do “Transa”, também pela Biscoito Fino. Ele celebra, acompanhado pelo violão de João Camarero, o artista baiano em músicas como Não identificado, Nu com a Minha Música, Trem das Cores, O Homem Velho e Onde o Rio é mais Baiano.

“Caetano Veloso tem uma importância imensa na minha vida. E tenho uma gratidão. Força Estranha é uma música que cantei desde a adolescência. E escolhi as coisas que achei que seriam interessantes. Cantei também Clarice e Trem das Cores, que ele fez para Sônia Braga. São músicas que são pouco cantadas. E a maior parte dessas eu conhecia, mas não sabia cantar. Tive que estudar as letras”, conta.

O título é uma provocação, segundo Ayrton, quase uma piada interna, a quem se refere ao Transa como “o melhor” ou “o grande disco” de Caetano Veloso.

“Às vezes, as pessoas falam das coisas como se o assunto estivesse acabado ali. Isso acontece com Transa, mas também com A Mulher do Fim do Mundo, da Elza Soares. Parece que a pessoa só fez aquilo na vida. E o Transa não é um álbum formador para mim. Mas talvez o que eu menos goste do Caetano seja uma das coisas mais bonitas já feitas no Brasil. O Caetano é tão bom que a gente tem esse luxo”, arremata.

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