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Edy Star lança o segundo disco, 43 anos após o primeiro

Publicado sábado, 23 de dezembro de 2017 às 11:03 h | Atualizado em 23/12/2017, 11:03 | Autor: Chico Castro Jr.
Edivaldo Souza, o Edy Star: 80 anos no dia 10 de janeiro
Edivaldo Souza, o Edy Star: 80 anos no dia 10 de janeiro -
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O dileto leitor tem meia hora pra citar um artista com moral suficiente para reunir em seu disco participações de Caetano Veloso (em duas faixas), Ney Matogrosso, Angela Maria, Zeca Baleiro e Filipe Catto. Pode pensar, a gente espera.

Esse cara é Edy Star, uma lenda viva do rock e da MPB que, aos 80 anos, lança seu segundo álbum solo 43 anos depois do primeiro, Sweet Edy (Som Livre, 1974) – e 46 anos depois do disco pelo qual é mais lembrado, o clássico A Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10 (CBS, 1971), gravado em grupo com Raul Seixas, Sérgio Sampaio e Míriam Batucada.

Cabaré Star, o tardio e mais que bem-vindo retorno, é uma pérola do ano que finda e traz participações dos artistas citados, mais Raul Seixas e Emílio Santiago, in memoriam.

“Agradeço muito a generosidade do Zeca, botou os músicos dele à minha disposição”

Os responsáveis pela façanha, além do próprio Edy, são Sergio Fouad e Zeca Baleiro, que produziram o disco e o lançaram pelo selo deste último, o Saravá Discos.

“Quando começamos a trabalhar, o Zeca falou: ‘seu disco não pode ser 8 nem 80, tem que ser mil’. Então estou muito satisfeito”, conta Edy.

Sem pisar em estúdios profissionais há décadas, Edy confessa que ficou um pouco perdido logo de início: “Eu chorei no estúdio, eu não estava preparado. Mas a generosidade do Zeca foi imensa. Eu não tinha ideia de como funciona para gravar. Mas é maravilhosa a tecnologia que se usa agora”, conta, por telefone.

Há uns dois anos, Edy postou um vídeo em suas redes sociais pedindo ajuda para gravar um álbum novo – no qual também deu aquela choradinha. “Aí o Zeca me ligou e disse que queria fazer um disco comigo, um disco com o espírito de um show. Chegamos a ter 80 e tantas músicas para selecionar. Muita gente fez música para mim, mas não deu pra botar tudo”, conta.

“Mas conseguimos fazer um disco como um show de cabaré: com variações de ritmos, de sentimentos, paixões rasgadas, muita gozação. Um disco com a cara de Star”, diz.

Coautoria reconhecida

Em Cabaré Star, Edy homenageia os três parceiros da Sessão das Dez gravando canções suas – e faz um verdadeiro inventário de malditos brasileiros. De cara, o álbum abre com Eu Fiz Pior, do pernambucano Lula Cortes (1949 - 2011), que ele classifica como “O maior roqueiro do Brasil”.

Outro acerto foi incluir Procissão, parceria com Gilberto Gil (gravada no álbum Louvação, 1967) e que só em 2008 passou a levar também sua assinatura. “Talvez por relaxamento meu, nunca procurei acertar isso. Até que em 2008, estava com câncer e pensei que iria morrer e nunca ser lembrado, nem por uma música. Aí entrei em contato com a GG Produções fizemos um acordo de cavalheiros”, conta.

“Vale dizer que em todo esse tempo Gil nunca negou minha participação, até brincávamos a respeito e meu nome estava nos créditos do filme Roda e Outras Estórias (de Sérgio Muniz, 1965)”, reitera.

Breve resumo

Baiano de Juazeiro, Edy é um pioneiro de muitas coisas. Foi o primeiro artista brasileiro a assumir sua homossexualidade, foi pioneiro do glam rock, atuou na primeira montagem brasileira do musical Rocky Horror Show – e por aí vai.

Aos 13 anos, veio de Juazeiro com os pais, que, já cientes do pendor artístico do menino, o inscreveram no Hora da Criança, instituição educativa criada pelo jornalista Adroaldo Ribeiro Costa. Aos 20 e poucos anos, largou um emprego na Petrobras para fugir com um circo. Nunca mais saiu do meio artístico. Depois do Sessão das Dez, passou a se apresentar como ator e performer em teatros e casas noturnas.

Foi preso pelos militares na ditadura. Em 1992, foi embora para a Espanha, onde trabalhou como diretor de teatro. Voltou ao Brasil em 2010.

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