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Estrela da música italiana, Fiorella Mannoia faz show no TCA

Marcos Dias
Por Marcos Dias
Fiorella Mannoia se apresenta pela programação Itália na Copa, da Embaixada da Itália
Fiorella Mannoia se apresenta pela programação Itália na Copa, da Embaixada da Itália - Foto: Alfredo Leo | Divulgação

Há muito mais coisas entre a estrela da música italiana Fiorella Mannoia e o Brasil do que sua participação no projeto Itália na Copa, promovido pela embaixada da Itália. São Paulo vai poder assisti-la nesta sexta-feira, no Auditório Ibirapuera, um dia antes da apresentação em Salvador, no sábado, 7, às 21 horas, no Teatro Castro Alves.

É a primeira vez que a artista, que já participou de muitas edições do Festival de Sanremo, se apresenta no País. E é um gol da arte. Com 40 anos de carreira, a entrega de Fiorella à música é uma daquelas coisas arrebatadas e arrebatadoras. Na sensibilidade plena, talento e na força que a sustenta.

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O show é baseado no álbum "Sud", produzido por Carlo di Francesco, lançado em 2012. Acompanhada por sua banda, Fiorella vai cantar músicas como "Quando l'angelo Vola", "Si Solo me Guardasse", "In Viaggio" e "Io Non Ho Paura", além de outras da sua carreira, revisitadas com arranjos mais próximos à sonoridade do álbum.

A concepção de "Sud" partiu da leitura de um livro de Pino Aprile, intitulado "Terroni", forma depreciativa de chamar os habitantes do sul da Itália.

"Descobri que a história da unificação da Itália que eu aprendi na escola era uma grande mentira", diz ela, em entrevista por email. "Na verdade, o sul do nosso país na época dos Bourbon não era uma região pobre que esperava ser liberada, mas, pelo contrário, era muito rica e moderna e, de fato, tem sido saqueada, roubada e abandonada".

A partir disso, ela conta que pensou no triste destino que une todos os países do sul do mundo - sobretudo os da África. "Nós temos um grande problema com a imigração, especialmente da África, e isto resultou em formas de intolerância e racismo e a maior parte do álbum aborda estas questões: compaixão, fraternidade, respeito e compreensão dos outros".

Dignidade

Com a turnê de "Sud", Fiorella conseguiu realizar o sonho de contar com participação de bailarinos e percussionistas da Cia Axé, Ong com sede em Salvador da qual é madrinha na Itália. E já se apresentaram juntos em mais de 30 cidades italianas.

"Foi realmente uma experiência que enriqueceu todos nós. Os meninos estavam felizes, me agradecendo muito por esta oportunidade, mas na realidade somos nós que temos que agradecer a eles por trazer tanta alegria e energia. Apesar de cada um deles ter uma história de vida difícil, nos deram a maior de todas as lições: o sorriso e a dignidade".

Para a artista, formação e caráter estão muito relacionados ao lugar em que se nasce. "Toda a América Latina, que eu amo, por exemplo, tem passado por grande sofrimento, ditado pela colonização e exploração, e os povos reagem ao sofrimento com as armas que conhecem; onde a influência africana é mais forte, com música, dança, religião e com aquela alegria desesperada que ao longo dos séculos lhe permitiu sobreviver".

Tropical

Em 2006, Fiorella declarou seu amor à música brasileira com o álbum "Onda Tropicale". "Não há nenhum músico do mundo, pop, jazz ou qualquer gênero, que não tenha tocado ou cantado música deste país pelo menos uma vez na vida, e eu sempre amei".

Ela contou com a participação de nomes como Djavan, Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Carlinhos Brown, Adriana Calcanhotto e Lenine, entre outros.

"Eu tive a sorte e o privilégio de juntar em um único disco os maiores representantes da MPB. Foi uma experiência que eu nunca vou esquecer, que guardo como um momento importantíssimo na minha carreira. Ainda hoje eu gostaria de agradecê-los para aquela demonstração de consideração e carinho", diz Fiorella, que espera poder repetir essa experiência em um futuro próximo.

Tal vínculo afetivo não permite, a propósito, que ela ignore a situação que o Brasil atravessa, desde junho do ano passado, com as manifestações populares sincronizadas com a realização da Copa do Mundo.

"Tenho acompanhado com apreensão as notícias chegando do Brasil aqui na Itália, acompanhei os grandes protestos. Pela minha atitude, para os ideais em que eu sempre acreditei, por minha natureza... quando o povo grita, quando o povo se manifesta, quando o povo pede ajuda, estou sempre ao seu lado, em qualquer latitude ele esteja".

Fiorella defende que as prioridades de um país "são sempre e desde sempre as mesmas". E considera que educação, saúde, segurança e trabalho "resultam em uma única palavra: dignidade, a qual todo ser humano tem direito. No Brasil, como na Itália e em qualquer lugar do mundo".

Amor profundo

A artista costuma passar temporadas em Salvador no verão e diz que se sente em casa quando chega. "Eu amo esta cidade 'louca'. Me apaixonei por ela a primeira vez que a vi, de um amor profundo, que, enquanto amor, não pode ser explicado. Talvez seja verdade que existem lugares e pessoas que estão ali esperando por nós, o que deve ter acontecido comigo acerca desta cidade, e para algumas pessoas que eu amo como se as conhecesse a vida inteira".

Mas sofre quando vê lugares que considera maravilhosos, como o Pelourinho, a Ribeira e a Cidade Baixa, com "belos edifícios antigos caindo aos pedaços". E interroga: "Quando desabarem o que vai restar da memória desta cidade?". São questões que ocorrem à cantora aqui ou na Itália, onde acha que grande parte do patrimônio artístico e histórico está em "colapso".

O trabalho mais recente da artista, o álbum A Te, é dedicado ao cantor e amigo Lucio Dalla, morto em 2012, autor de clássicos como Caruso.
"Lucio Dalla foi um dos artistas que eu mais amei, um amigo. Dedicar-lhe um álbum tem sido para mim um ato de amor e gratidão por tudo o que ele nos deixou e me ensinou".

A sintonia com outros artistas também se revela em participações em shows, como ocorreu em abril num show de Zucchero no Madison Square Garden (NY), e em maio no de Laura Pausini no incrível Teatro Antigo de Taormina, onde Fiorella se apresenta em agosto.

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