MÚSICA
Ex-maestro de Maria Bethânia lança álbum solo

Após desfeita, em 2012, a parceria de quase 30 anos com a cantora Maria Bethânia, com quem atuava como maestro e arranjador, o músico Jaime Alem traçou novos rumos na carreira. Desde então, se voltou com mais atenção para sua própria música e outras referências que sempre foram significativas na vida. Quando ele juntou tudo isso e transformou em trabalho, nasceu o "Meu Relicário", título que batizou o novo disco solo, lançado pela Biscoito Fino.
"Eu não planejei nada disso. Mas aconteceu que, com a saída da Bethânia, que não era uma coisa que eu desejava, o "Meu Relicário" foi uma decorrência natural. Eu pensei: 'Bom, o que nós vamos fazer agora? Vamos fazer um disco'", conta Alem.
A ideia, como ele mesmo diz no encarte do CD, é trazer "uma caixinha de música com tudo que mais amo". O resultado é um caldeirão sonoro com ingredientes colhidos nos mais diversos (e bons) terrenos ao longo de uma vida.
"Comecei garoto tocando Beatles e Rolling Stones. E vivi um ambiente muito fértil musicalmente na adolescência. Convivi com violeiros, sanfoneiros, orquestras. Com a Bethânia também toquei de tudo. Essa caixinha não deu pra ser tão ampla, mas todas as músicas de alguma maneira são bem carregadas de afetividade evocando lembranças", explica.
Lembranças, aliás, que não aparecem só em forma de música. As imagens da capa e encarte remetem ao passado do músico. "Tem partitura de 1908, do meu avô. A criança na foto é o meu filho Tomás", diz
Estilos
"Meu Relicário" traz 13 faixas que passeiam pelas variadas referências musicais de Jaime. E ele avisa no encarte: "Estilo musical? Todos, o que couber, do interior do Brasil ao urbano". E é assim que ele apresenta belas canções marcadas pela sutileza do seu violão e pelo bom time de músicos.
Jaime Alem conta com presenças que enriquecem a experiência musical proposta por ele, como a gaita de Gabriel Moreira, na nostálgica "Eu Vim pra Minas Gerais", e o acordeon de Marcelo Caldi e João Carlos Coutinho em várias composições.
Outra participação especial nas gravações é a da Orquestra de Solistas do Rio de Janeiro. Juntos com Alem, os músicos executam um pot-pourri de baião instrumental que foge do convencional.
"Eu sou louco por Gonzagão. E eu e Gonzaguinha éramos muito amigos também. Então eu e a Orquestra de Solistas tínhamos feito uma apresentação na comemoração dos 100 anos do Luiz Gonzaga. E aí eu falei: 'Gente, eu acho que esse arranjo ficou tão bacana que eu vou querer por no meu disco'. E coloquei", conta o maestro.
Companheira
Mas, talvez, entre todas as participações do disco, a mais significativa para o maestro Jaime Alem seja a da cantora Nair Cândia, esposa dele. Com interpretações cheias de afetividade, ela inclui refinamento e suavidade ao som do marido, seja por meio da voz lírica na canção-título "Meu Relicário" ou apenas dando forma à melodia na instrumental "Guiguita".
A parceria musical entre Alem e Cândia já vem de longas datas. Desde 1974 que lançam álbuns juntos. Mas para o maestro é sempre uma emoção nova cada trabalho que faz ao lado da amada. "O fato de eu ser marido dela há 40 anos faz com que a gente tenha um convívio amoroso e musical muito intenso. Mas sempre me emociona estar ao lado dela. É como se fosse a primeira vez. E a gente sempre fez coisas juntos. Então este novo disco foi uma chance de retomar isso também".
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