Jazz na Avenida promove ação social em prol de músicos

Publicado sexta-feira, 19 de junho de 2020 às 06:00 h | Atualizado em 19/06/2020, 00:46 | Autor: Vagner Ferreira*

Preocupados em auxiliar os músicos afetados pela crise financeira durante a pandemia, a Associação Jazz na Avenida, na Boca do Rio, promove nesta sexta-feira, 19, das 16h às 19h, uma ação social de solidariedade à classe artística por meio de doações em dinheiro e alimentos não perecíveis.

“Como vamos ajudar os músicos? Foi daí que surgiu essa ideia de ação social que é feita com nossos pequenos recursos. Não temos nenhuma ajuda pública, então, é só a associação, os amantes do jazz e os associados. Temos mais de quinhentos associados cadastrados”, conta o baterista francês Laurent Rivemales, criador do projeto desde 2013, junto com Patrice Deloupy.

“Vários músicos deram sinal de vida e estão precisando de ajuda, pois estão parados, passando por momentos difíceis, mesmo que façam alguma coisa on-line, alguma postagem, alguma live. Essas coisas não vendem, não dá comida e não dá renda deles. Claramente, não são todos que estão precisando, mas expliquei a esses, que eles podem ajudar também, sendo solidários. Todos podem doar”, complementa.

As jams semanais do Jazz na Avenida foram suspensas desde 20 de Março, quando as autoridades públicas decretaram restrições a locais abertos que pudesse gerar aglomerações sociais. Antes, a instituição abria às quintas e sextas-feiras. As quintas eram dedicado ao rock, blues, soul e black music em geral. As sextas eram do jazz e da música instrumental.

O projeto chamou a atenção dos moradores pelo gênero musical pouco tocado na região. “Não há muitas opções de jazz em Salvador. Só no MAM e com a gente. Depois, em casos isolados e em alguns bares. No mundo inteiro, esse estilo de música não atrai, porque tem uma imagem elitista, o que não é. O foco do Jazz na Avenida foi democratizar o estilo com a entrada franca, um show grátis, e o retorno vem sendo positivo durante cinco anos. Estamos aqui para mudar um pouquinho essa tendência”, relata Laurent.

Sem lives por enquanto

No início, o projeto era bem informal, apresentado nas ruas do bairro da Boca do Rio. O sucesso levou os idealizadores a transformarem a garagem da casa em clube de jazz, obedecendo também às normas de locais de festas exercidos pela legislação.

A mudança trouxe a possibilidade de não cancelar o evento em dias de chuva.

A associação conta com mais de 15 voluntários e visa oferecer atividades aos membros, podendo organizar eventos e concorrer em editais. Músicos de qualquer estilo podem participar do projeto, mesmo os que nunca tocaram lá. Os interessados devem enviar um ‘Oi’ para o e-mail - [email protected] – e logo poderão estar participando.

A lista com os participantes não será divulgada, fazendo com que os artistas se sintam a vontade para se inscrever. Quem deseja participar fazendo doações e não puder ir até o local de entrega, poderá doar qualquer quantia em dinheiro através de depósito bancário. Os itens arrecadados serão divididos entre os artistas inscritos.

Laurent afirma não aderir aos shows virtuais, as lives, porque os artistas estão meio desanimados e, para ele, a artes tem que ser feita com a alma, com vontade e com verdade. Se não for para fazer bonito, Laurent prefere nem fazer. Para os próximos dias, a ideia é editar alguns vídeos dos cinco anos do projeto e colocar nas redes sociais.

Há ainda a possibilidade da gravação de um álbum.

“Nesse momento, o papel da associação é de ajudar os companheiros da profissão para se manterem, e alguns até para sobreviverem. No futuro, essa pandemia vai passar, vamos reabrir e jogar duro novamente, dar um pouquinho de alegria por meio da música para a comunidade da Boca do Rio e a cidade”, conclui ele.

*Sob supervisão do editor Chico Castro Jr.

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