MÚSICA
O rock baiano atual mostra sua cara no Rio Vermelho
Por Chico Castro Jr.

Produtor-ícone da cena roqueira baiana, Rogério Big Bross Brito parece carregar nas costas o que restou do movimento. Só isso explica a agenda cheia de shows que ele apresenta até pelo menos outubro, quando realiza mais uma edição do seu festival anual, o Big Bands. Detalhe: sem qualquer apoio (público ou privado).
Melhor dizendo: há apoio, sim - mas dos interessados: bandas, casas de show, coletivos, selos independentes e frequentadores. "Tô me ocupando disso, né?", diz Big. "Aproveitando o suporte do Dubliner's (Irish Pub) e ocupando outros espaços, como o Taverna (Music Bar)", conta.
No primeiro, Big comemora um ano do projeto gratuito Quanto Vale o Show?, que botou todas as terças-feiras, mais de 100 bandas para se apresentar - com as agendas de julho e agosto fechadas. Já no Taverna ele abre uma série de shows Warm-Up (esquente) do Big Bands, com duas bandas baianas todas as quintas-feiras de julho. É o Noites Big Bross - Brechó, associação do seu selo ao Brechó, da banda Pastel de Miolos.
"Não faço nem crowdfunding. Quem quiser contribuir pode comprar um poster numerado em papel especial (de uma série de 30) ou uma camisa. A renda vai para custear hospedagem e coisas mínimas para as bandas", diz Big. "Não quero vaquinha. Vou vender esse produtos e pronto. Quem quiser reserva pelo Facebook. É tudo sem apoio, do tamanho que a perna alcança. Até prefiro assim", afirma.
Sem parar, nesta terça, 30, ele encerra a temporada de junho do Quanto Vale o Show?, com as bandas Pã e Rivermann, para começar o Noites Big Bross - Brechó já na quinta, com Theatro de Seraphin e Squadro. Na próxima terça-feira, 7 de julho, Dimazz e Eleotério Brás abrem temporada de julho do Quanto Vale... e assim por diante.
Em agosto, ele traz de volta os paulistas do experiente quarteto indie Wry, que já fez grandes shows por aqui e do outro lado do Atlântico. Já em setembro ele gira por quatro cidades com o mestre gaúcho do punk brega, o veterano Wander Wildner. E em outubro, finalmente, o festival Big Bands de fato, que por enquanto só tem uma banda confirmada, o duo paulista Test.
Movimentar, circular
"Tudo isso é a necessidade de movimentar as bandas que lançamos pelo Big Bross-Brechó. Só ano passado saíram 14 discos. Esse ano já foram seis: Nalini Vasconcelos, Novelta, Calafrio, Elefantes Elegantes etc", enumera.
"Tem que movimentar esse povo. Não adianta botar os discos na rua e não circular. E na medida do possivel, sempre incluo bandas do interior com as locais", acrescenta.
Enquanto há quem ache que a cena de agora é inferior (ou mesmo menor) à de 15, 20 ou 30 anos, Big acredita no contrário: "Hoje, ao contrário dos anos 1990, quando só tínhamos um ou dois shows por fim de semana, hoje você vai ao Rio Vermelho e pode escolher aonde vai. O público não diminuiu: ele se dividiu", observa.
"Quando comecei o Quanto Vale, achei que só banda inexperiente ia tocar. Agora temos Júlio Caldas, Lo Han e até bandas de fora", conclui.
Mais em: facebook.com/bigbross.bigs
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