MÚSICA
Pianista Marcelo Galter estreia solo com tributo às suas origens


Além de disponibilizar seu som e suas teclas para o Letieres Leite Quinteto, o pianista baiano Marcelo Galter agora estreia sua carreira solo. Bacia do cobre é o nome do disco que chega na sexta-feira, 24 em todas as plataformas de streaming, embalando o início da nova trajetória do músico.
“É o meu primeiro disco solo e de música instrumental. Me sinto realizado em faze-lo porque tira o meu melhor, com entrega máxima e verdadeira”, afirma Galter.
Ressaltando a admiração, entrosamento e companheirismo, o álbum nasceu da vontade do pianista em tocar com alguns artistas os quais admira e que compartilham da sua mesma origem.
“O meu disco surgiu de um desejo de tocar especificamente com um certo grupo de músicos que admiro muito e que tem concepções bastante originais de sonoridade. São pessoas que possuem vivência musical e que nasceram na mesma origem que a minha, com histórias interligadas. Nossa linguagem e afinidade sonora surge da nossa raiz e do propósito que temos com a música“, conta o compositor.
Marcelo é acompanhado por Luizinho do Jêje e Reinaldo Boaventura nas percussões e o irmão mais velho, Ldson Galter no baixo.
As melodias foram compostas com o objetivo de ultrapassar o som esperado do piano, baixo e percussão. Grande parte das composições são autorais, feitas pelo próprio Galter, através de um repertório com grande performance de um solista. Cobra Coral, Galinha Pulando, Capricorniana, Prece e Lourimbau são as cartas de apresentação do músico nesta produção.
Outra música do álbum é de Dorival Caymmi: Temporal. Canção refinada que se une perfeitamente com o clima idealizado pelo pianista.
“A escolha de um cântico de Caymmi calhou com um desejo antigo de interpretar esse grande melodista baiano. O violão dele é muito original e surgiu através de observações sobre a atmosfera da cultura baiana. É uma obra completa. Descrevê- la é muito desafiador“, observa Marcelo.
Relações baianas
O músico, que já tocou com grandes nomes como Maria Bethânia, Carlinhos Brown e Margareth Menezes, leva junto com o som do piano, a percussão da Bahia e do baixo em suas faixas. É inserido o piano que é de uma vertente (europeia), dentro dessa outra tradição local, conectada de maneira fluida e entrosada.
“Procurei cercar-me de grandes mestres da música baiana. É inevitável falar desse estilo instrumental sem falar da contribuição dos percussionistas. Minha escola de piano oriunda de observar vários elementos do som da Bahia. Trouxe dois percussionistas para explorar outras texturas no som”, detalha o artista”.
A busca pela coletividade e contribuição para a sonoridade percussiva baiana evidencia essa relação de Galter com a cultura local em seu trabalho. Um outro fato marcante é o nome do seu álbum, que foi inspirado na Bacia do Cobre, área de proteção ambiental no Parque São Bartolomeu, em Salvador.
“A Bacia do Cobre é um lugar maravilhoso que marca a minha mente, uma lembrança da infância de quando visitava o local com meu pai. Foi impactante ver o Rio do Cobre, aquela mata que possui uma riqueza histórica. A relação de beleza e conexão com a musicalidade do lugar me proporcionou inspiração para escolher este nome no título do meu disco “, afirma Marcelo.
Expectativas e planos
A espera pela estreia de sua obra é muito comentada pelo músico. “É meu primeiro disco solo, já tinha gravado outros discos de músicas instrumentais com outra turma. A expectativa é grande”.
Ele planeja fazer shows, mostrar seu trabalho para comunidade que pertence e produzir muitos sons. “Meu plano para o futuro é tocar, fazer muito som com esse grupo. Já tenho um evento marcado no Festival do Capão, que será online. Possuo também a expectativa de fazer shows, mostrar minhas músicas na comunidade de onde vim, oferecer e ensinar”, anuncia.
O músico deve lançar ainda em breve seu disco em LP de vinil pelo selo Rocinante, recém-chegado ao mercado.
*Sob supervisão do editor Chico Castro Jr.